Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012
por Francisco Castelo Branco

Uma das qualidades que mais admiro em Passos Coelho é a sua honestidade. Tanto a nível pessoal como político. Às vezes é dificil despir o fato de Primeiro-Ministro e não mostrar o homem por detrás do político. No entanto, este PM tem revelado enorme autenticidade. Isso tem a ver não só com as suas origens mas sobretudo com o facto de acreditar em valores e princípios. O facto de o Governo estar a ir para além da troika pode ser perigoso, visto que ainda vivemos num país onde os brandos costumes socialistas perduram. 

Ao contrário do que acontecia com Socrates, Passos Coelho não tem uma atitude arrogante. É bom que se bata pelo que é melhor para o país, mas é igualmente importante que oiça os vários sectores da sociedade. Esta frase proferida no debate quinzenal de hoje é a prova que Passos Coelho está aberto ao diálogo. Penso mesmo que esta questão da TSU será resolvida em concertação social e de modo a proteger aqueles que têm menos rendimentos. Apesar de algumas medidas excessivas, é verdade que o Governo tem adoptado uma postura de preocupação relativamente aos mais fracos. O problema é que muitas iniciativas passam ao lado e não são sequer notícia. Por exemplo, não me lembro da esquerda ter dito uma palavra que fosse sobre os impostos sobre os grandes rendimentos e bens de luxo.


tiro de Francisco Castelo Branco
tiro único | gosto pois!

De Mário Pereira a 22 de Setembro de 2012 às 18:55
Para usar uma expressão tornada comum pela nossa juventude, é assim:
A honestidade não tem que ser realçada. É obrigação de todos nós, e por maioria de razão dos políticos, ser honestos. Muito menos se deve realçar a honestidade de alguém em dois planos: pessoal e político.
Assim como não há pessoas mais honestas do que outras - há, simplesmente, pessoas honestas e outras desonestas -, também não há pessoas honestas no campo pessoal e desonestas na política, ou vice-versa.
Quanto ao nosso primeiro ser norteado por valores e princípios, isso não vale nada se não se demonstrar com acções.
Ora:
- Um político que prometeu cortar nas gorduras, nas fundações, nos institutos, nas rendas excessivas da energia e das PPP, que se cansou de dizer que mais austeridade NÃO!, e que agora tem feito precisamente o contrário disso;
- Um primeiro-ministro que fez um governo mais pequeno supostamente para poupar, mas que apesar disso permitiu que a média dos salários dos políticos aumentasse (http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2012/08/28/media-dos-salarios-dos-politicos-aumentou-15);
- Um político que disse que não seria primeiro ministro para dar tachos aos amigos, mas que permitiu que estes boys e girls (http://www.facebook.com/photo.php?fbid=497522576925972&set=a.497522566925973.115053.495956437082586&type=1&theater) fossem contratados pelos diversos ministérios com salários escandalosamente elevados, até porque se trata de gente com menos de 30 anos, certamente a maioria recém-licenciada e, consequentemente, sem qualquer currículo...
No mínimo, poderemos dizer que esse político colocou os princípios na gaveta.
Mas, claro, quando a intenção não é analisar os factos de forma isenta, mas apenas encontrar argumentos que sirvam a "nossa" causa, tudo serve.
Digamos que é uma argumentação que convence apenas quem já está convencido.
É preciso mais do que isto para defender o Passos Coelho de forma convincente.
A grande maioria do povo português não põe em causa a austeridade. Contesta, sim, que ela não atinja todos proporcionalmente.
Segundo afirmou o chefe da delegação da troika, na última visita que nos fez (http://economia.publico.pt/Noticia/chefe-de-missao-do-fmi-simplesmente-reduzir-os-salarios-nao-vai-resultar-1562825), 40 por cento do orçamento é para a protecção social. Outros 20 por cento são salários e o resto são custos de funcionamento e despesas de capital (40 por cento). Ora, estes últimos 40 por cento é que são o busílis da questão, porque nos dois primeiros itens é que se tem cortado a sério. Há aqui pano para mangas, assim haja coragem e competência.
Outra promessa não cumprida foi que se iria actuar sobretudo na despesa e não no aumento de impostos.
O seu texto não passa de um exercício de fé.
De um lado (o seu), temos: honestidade, autenticidade, origens, valores, princípios, coragem, humildade, diálogo, preocupação relativamente aos mais fracos e intenção de os proteger (que faria, se não a tivesse...) e, finalmente, injustiça por essas qualidades não serem devidamente noticiadas, nomeadamente - suprema coragem! - os impostos sobre os grandes rendimentos e bens de luxo.
Quanto ao outro lado, entre características expressas e subentendidas, temos o contrário de tudo isto, nomeadamente: desonestidade, brandos costumes socialistas, arrogância e Sócrates - nome que, só por si, tem um significado pejorativo...
Perante tantas qualidades de quem nos governa, não se percebe como é que o país está nesta miséria... Ou melhor, para facilitar o seu raciocínio, foi certamente o que fugiu para Paris o culpado de tudo quanto de mal nos aconteceu até à vinda do Salvador... Quanto à contestação popular, pois claro, é a eterna incompreensão de que são vítimas os justos.
Nunca coisa estaremos de acordo: o futuro julgará este primeiro-ministro. E os outros, claro.
Quanto aos tribunais julgarem os políticos desonestos e corruptos, é que é mais complicado...


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