Domingo, 23 de Setembro de 2012
por André Miguel

O actual governo não serve, pronto. O povo saiu à rua, os senadores da nação falaram, os jornalistas escreveram, os comentadores comentaram e é ponto assente: este governo não serve.

Da mesmo forma que outro também não serviria. Guterres não servia, Durão não servia, Santana nem se fala, mas Sócrates até era fixe. E quem vier depois deste governo certamente vai lançar saudades de PPC. É infalível; a lusitana saudade adoça sempre o passado. E pessimistas como somos a coisa atinge níveis próximos da patologia, já que o imediato é tudo, o longo prazo não existe e o resultado final, não se vislumbrando, não existe. Em Portugal parece que nos importamos mais como o campeonato começa do que como acaba. Vai daí tomar medidas não é para qualquer um, procuramos um resultado futuro mas sem prejudicar os efeitos imediatos. Adoramos a equidade (seja lá o que isso for), pois temos que agradar a gregos e troianos. E toda a gente opina, toda a gente comenta, todos sabem como sair da crise, todos governam (é Tribunal Constitucional, é Conselho de Estado...), mas não nos sabemos governar e já pedimos ajuda três vezes.

Ora corta subsídios ora não corta subsídios, ora privatiza RTP ora não privatiza, ora mexe na TSU ora já não mexe na TSU... Bem sei que por vezes é necessário dar um passo atrás para de seguida dar dois em frente, mas Portugal além de dar o passo atrás (empobrecendo ou limitando-se à sua real condição) já anda em zig-zag, o que talvez seja mais perigoso, pois com tanta curva e contra-curva a malta acaba ainda mais desorientada e corremos o risco de despiste.


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4 comentários:
De vasco a 23 de Setembro de 2012 às 23:24
É uma verdade triste mas apurada da situação actual.
Pior ainda, realça que neste país ninguém imagina ou sabe imaginar como sair do atoleiro.
Pessoalmente acho que a melhor chance que temos é mudar para um regime presidencialista (claro que sem este presidente).
Mas não estou a ver os partidos a largarem as suas minas de ouro.
Talvez seja preferível isto derrocar de vez, e recomeçar do zero...


De André Miguel a 25 de Setembro de 2012 às 09:11
Derrocar talvez seja trágico demais, mas parar para pensar e reflectir com sensatez talvez seja recomendável. Trabalhamos demasiado em cima do joelho e sem ponderação.


De Carlos Faria a 25 de Setembro de 2012 às 13:04
Infelizmente tem sido um setembro horrível... resta saber se as feridas abertas não causarão uma hemorragia fatal...


De André Miguel a 25 de Setembro de 2012 às 18:23
Horrível é dizer pouco, sempre que vejo um telejornal fico deprimido.
Esperemos que as feridas sarem depressa.


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