Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

 

Cá por casa, assim que se avizinham festividades escolares, começo a abrir as mochilas dos meus filhos com a cautela de quem já foi exposto a Antrax. Se é certo que, num ano, bastou mandar um par de collants azuis para o teatro da turma, também já sucedeu terem-me exigido mascarar um filho de Bolo Rei.

 

Ora um destes dias estava à conversa com uma amiga que, a propósito destas andanças, me contou um mal entendido perfeitamente legítimo para gato que já foi escaldado. Andava o seu petiz no jardim de infância quando, por alturas do carnaval, disseram à mãe que “amanhã o João tem de vir mascarado de casa”.

A minha amiga, que até é da área de design, entrou em pânico e não se inibiu de expressar a sua indignação à educadora, salientando que aquilo não era coisa que se pedisse de véspera, que ela uma mãe que trabalhava, que lhe parecia inconcebível aquele grau de exigência, e por aí fora.

 

Chegando ao escritório, partilhou de imediato a angústia com uma colega arquitecta, na esperança de que esta, com toda a sua experiência, tivesse alguma ideia milagrosa que a salvasse do pesadelo.

Estavam as duas em pleno brainstorming, discutindo a possibilidade de utilização de diversos tipos de materiais, que iam do k-line às placas de esferovite, quando entrou o responsável de produção da agência, a quem contaram a causa de tanta azáfama.

Achando que estava perante duas loucas, o senhor calmamente esclareceu que era provável que o que a educadora pretendia era que o João chegasse ao colégio já vestido para o carnaval, ou seja, “que fosse vestido de casa”.

 

Uma história destas não me teria ficado na memória se aqui há uns tempos a minha amiga Fernanda, nada e criada em Beja, não me tivesse contado que uma vez no teatro da primária tinham vestido as meninas de monte alentejano (e já estou a imaginar o efeito em palco).

 

É por estas e por outras que suspiro de alívio sempre que põem os meus filhos a fazerem de operários, de chineses ou de homens do povo. Afinal, nos tempos que correm, sempre torna este carnaval muito mais realista.

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