Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012
por Alexandre Poço

 

No topo da rua Cândido dos Reis, centro da vila de Oeiras, os telefones não param. No parlamento, nas câmara vizinhas, no Rato e quem sabe, em Paris, recebem-se as chamadas e invariavelmente, a resposta dada aos pedidos é “não”. Ora, o tempo passa e o impasse mantém-se: o Partido Socialista não arranja candidato à câmara municipal de Oeiras. E vem isto a propósito do quê? Adicionaram-me a um grupo do Facebook intitulado de “Partidos Políticos de Oeiras”, no qual têm sido colocadas várias imagens – uma delas apresenta-se em cima - que brincam com o actual momento do PS Oeiras. E porquê?

 

O PS em Oeiras, depois de anos a bradar para as paredes que marcaria o período pós-Isaltino e que assumiria o leme da edilidade, ao que parece transformou-se numa típica “Maria, vai com todas” que, ao invés de traçar o perfil para um candidato à câmara municipal, anda num frenesim à procura de um qualquer-ex-qualquer-coisa para poder afirmar que tem um candidato conhecido. Ainda não sei como é que o Luís Represas ou a Carolina Patrocínio ainda não foram sondados. Ou então, foram e também deram nega, pois parece que dar música também é alternativa para o PS.

 

A “oportunidade de ouro”, como alguns lhe chamam, de finalmente fazer o assalto ao poder em Oeiras e ficar com uma das câmaras mais apetecíveis do país está a começar da melhor forma. Se a escolha do candidato é assim, imaginem as restantes listas – ainda veremos o Santos Silva a candidato a alguma coisa. Por falar em tal personalidade, nunca é demais relembrar este ministro-polivalente, pois ele trabalhou com aquele que era esperança, o menino de ouro do PS Oeiras em 2009, Marcos Perestrello. O homem que queria “Oeiras a sério”, mas que preferiu antes “Secretarias de Estado a sério” ou para sermos mais actuais e justos, “Loures a sério".

 

Mas nem só o Perestrello, o dito salvador, foi sondado para voltar a fazer um frete ao partido (é de lembrar o pó que a estrutura socialista de Oeiras nutre por ele e vice-versa). O PS enquanto vem a público e sob a capa do anonimato no facebook lembrar as dívidas de outros concelhos do país (sim, leu bem, o PS que aumentou a dívida do país em 93% durante o período 2005-2011 anda a falar de dívida!) andou a estender a passadeira vermelha – com espinhos, isso só eles saberão – a outras personalidades. O azul-rouge, Basílio Horta, está farto de pular de galho em galho e rejeitou Oeiras. Da AICEP ao parlamento, parece ser o único caminho que o socrático Horta está disposto a fazer pelo seu (agora) PS. Os ministros da team-bancarrota, Vieira da Silva, Rui Pereira e Pedro Silva Pereira também não querem ouvir falar de Oeiras, provavelmente ainda estão em processo de expiação. Deixemo-los estar. Ou talvez não estejam, pelo que têm afirmado. Enfim. 

 

Vida difícil a do PS Oeiras que, a meses das autárquicas, ainda anda a bater a todas as portas para saber quem vem encabeçar a sua lista. Podiam recorrer à prata da casa e convidar o Presidente de Junta mais poderoso do país, mas a esse rotularam-no de oportunista e o pobre homem criou um movimento que mais parece um circo itinerante para se candidatar à câmara de Oeiras. No fim, pode ser que seja aconselhado a desistir ou então, oferecem-lhe um lugar de vereação e ele mete todo o ‘mov’imento na alheta. Assim vai o PS da minha terra e por ir assim mesmo é que se vê que tantas décadas na oposição não serviram para aprender nada. Ficaremos a aguardar as cenas dos próximos capítulos. 

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4 comentários:
De k. a 2 de Outubro de 2012 às 08:58
Quem é o candidato do psd a oeiras, já agora?


De Alexandre Poço a 2 de Outubro de 2012 às 23:14
Francisco Moita Flores.


De Ricardo a 3 de Outubro de 2012 às 13:16
Moita Flores? Já não esteve em Santarem?

Noticia de 16/07/2012: "Moita Flores pede suspensão do mandato alegando motivos de saúde e obrigações da vida literária" Mentiroso.

O nome Moita Flores não é sinonimo de pureza, que eu saiba...

A questão é que era muito feinho, completar os 3 mandatos e depois saltar para outro tacho. Assim não dá tanto nas vistas.

Espero que o PSD seja bem castigado nas autárquicas, e que Oeiras não seja excepção.

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Santar%E9m&Concelho=Santar%E9m&Option=Interior&content_id=2668848


De Jaime Dinis a 3 de Outubro de 2012 às 11:24
Caro Alexandre Poço,
concordo com tudo o e que escreveu. Mas entendo que em Portugal, particularmente, nas autárquicas, começa a ser tempo de dar lugar a movimentos de cidadãos independentes (de facto) que pelas suas ideias, domínio das realidades e por projectos objectivos a executar no terreno social, possam concorrer a eleições. Referiro-me a movimentos cívicos, naturalmente. Trata-se de um genuíno exercício de democracia. E isto torna-se tanto mais importante quando assistimos a um cansaço compreensível das populações em relação ao actual aparelho partidário; cheio de vicio, obsoleto, sem ideias e gente nova, sempre com os mesmos e assente – tal como escreveu – na mera disputa pelo poder.
Em relação a Oeiras, estou muito à vontade: Conto com 46 anos de vida, nasci na Rua Cândido dos Reis, cresci, vivi e moro na Nova Oeiras (nova mas dos anos sessenta), conheço bem a minha terra e o seu concelho e, sobretudo, adoro-o. Tenho estado sempre muito atento ao que de bom e maus se tem feito por aqui. E muito há por fazer e mudar em nome de Oeiras; não em nome da mediocridade politica.
Cumprimentos,
Jaime Dinis

P.S) Não receie (receiem) porque não me estou a candidatar a nada.


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