Terça-feira, 2 de Outubro de 2012
por Joana Nave

Um pormenor tem, ou não tem importância? Existirá por certo muita divergência na resposta a esta pergunta. O pormenor é um detalhe, algo que pode ser acessório ou fulcral, dependendo do contexto em que se aplica. Por um lado, associa-se a característica do pormenor a uma pessoa que se perde em detalhes, por outro, a alguém que lhes dá valor. É tudo uma questão de perspectiva.

Estar atento a pormenores pode ser uma real perda de tempo, onde se deixa de ser objectivo para dar destaque ao que é supérfluo. Contudo, há momentos que se traduzem em pequenos pormenores, que fazem toda a diferença e que perpetuam lugares, palavras e gestos. Um pormenor pode não significar nada, pode ser banal, mas também pode ser um marco decisivo numa vida singular.

No indie Lisboa deste ano passou um filme – The Loneliest Planet – em que um pormenor muda radicalmente a vida de um casal, como descrevi num artigo que escrevi sobre o festival e que agora transcrevo: “O The Loneliest Planet de Julia Loktev é um filme surpreendente, que nos remete para as bonitas paisagens das montanhas do Cáucaso, na Geórgia, onde um jovem casal, alguns meses antes do casamento, resolve passar umas férias. A paixão que os envolve é notória desde o primeiro instante, mas há um momento no filme, um momento singular, que muda todo o rumo da história e coloca em causa tudo o que até então unia este casal. Neste enredo, a importância de certos gestos, aliada aos impulsos inerentes a qualquer ser humano, revela a complexidade e fragilidade das relações humanas e deixa-nos a pensar...”

Eu gosto de pormenores, tanto dos acessórios como dos fulcrais. Gosto de esmiuçar o sentido das coisas, de lhes captar o odor, a essência, de as sentir. Por vezes, perco-me no meio de tanto detalhe, torno-me subjectiva, redundante, mas é nos pormenores que encontro a beleza que liga tudo o que existe no universo, porque valorizo cada partícula como fazendo parte de um todo em que estamos inseridos.


tiro de Joana Nave
tiro único | comentar | gosto pois!

4 comentários:
De CeC a 2 de Outubro de 2012 às 00:48
Joana, fiquei com a sensação que também lhe agrada algo que pessoalmente valorizo bastante - ainda mais nos 'instantes' cinéfilos; os paradoxos.
A própria descrição que faz desse filme deixou-me a pensar em "mar de rosas" que é esmagado pela antítese de "imoral realidade".

Prometo ir ler algumas reviews do filme.


De Joana Nave a 3 de Outubro de 2012 às 13:57
Os paradoxos são mais comuns do que aparentam e fazem parte da nossa condição humana, por isso delicio-me com eles... :)

O filme é muito bom, recomendo-o.


De jfd a 2 de Outubro de 2012 às 03:24
Gosto dos textos da Joana...


De Joana Nave a 2 de Outubro de 2012 às 09:07
Obrigada Jorge! :)


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds