Sábado, 6 de Outubro de 2012
por Dita Dura

Odeio números. Ao contrário de muita gente, acredito que o mundo da ciência, da cultura e da política não se estabelecem segundo sistemas rígidos e vivências concretas. Mas como sou profundamente masoquista, resolvi formar-me em números e trabalhar durante anos fechado num cubículo de dois metros quadrados. O problema é que aquilo que somos não se pode fechar num pequeno escritório, porque de repente tudo vagueia e os números começam a ganhar asas, o “3” espreguiça-se, o “7” começa a voar, o “6” zanga-se com o “9”, o “1” deixa de estar sozinho e o “4” fica feito num “8”.

 

Volto à terra e à política nacional. O noticiário repete sempre os mesmos números, com interpretações ignorantes de jornalistas e conclusões abusivas de políticos. Os números podem ser chatos, irritantes, reincidentes, incessantes, mas não mentem. E a verdade dos números é a verdade dos factos:

 

1) a dívida pública aumentou 93% durante o reinado do Zé que agora anda a viver à grande e à francesa; tudo o que o Governo tem feito é condicionado exteriormente porque temos de pagar os disparates que se fizeram.

 

2) não se pode combater esta dívida monstruosa com a ideia abstracta de “crescimento e emprego” de que falam os mesmos arquitectos da desgraça; não se pode curar a doença com as mesmas políticas facilitistas que nos levaram ao pesadelo.

 

3) não basta cortar na despesa; se por hipótese despedaçarmos a despesa, é verdade que acabaremos com as gorduras, mas também mataremos de vez o corpo. Porque mais de 70% do que se gasta é na na Saúde, na Educação e na Segurança Social.

 

De repente salta um “9” da dívida pública e começa e procurar o “6”, o “3” do PIB abre a boca de sono e o “1” sai do alinhamento para ir à procura do “7”. Encosto-me e deixo os números à solta, penso sobretudo que a alma de um povo não é matemática, que a melhor forma de prevermos o futuro é olharmos para o passado. E o passado português é feito de conquistas, de coragem e superação, de combate aos oportunistas e de vitória perante os que nos quiseram explorar e oprimir. Quando a paciência se esgotar, o futuro vai voltar a ser nosso.


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