Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Segundo o Expresso, o bastonário dos médicos afirmou que "Esta crise é uma oportunidade para a criação de novos impostos seletivos que contribuam para melhorar a saúde dos portugueses e evitar o consumo de medicamentos" e que "deve ser instituído um imposto sobre a fast food e outros alimentos não saudáveis como o sal, os hambúrgueres, os venenosos pacotes de batatas fritas e as embalagens de dezenas de variedades de lixo alimentar" (o bold é meu; cfr. tb. o DN que traz um artigo mais longo).

 

O referido bastonário já terá pensado no efeito redistributivo óbvio deste imposto? Saberá ele que a obesidade está relacionada com a pobreza pecuniária e educativa? "Fast food" é sobretudo comida de pobre. E o que dizer da importância do pão e da manteiga para os mais desfavorecidos? Que passem a comer croissants light?


Se o paternalismo desprovido de qualquer ética e respeito pela liberdade e responsabilidade dos outros não chega para deitar para o caixote-do-lixo qualquer projecto de lei deste género, ao menos que os paternalistas do costume pensem nas consequências redistributivas daquela medida.

 

Parece que na Dinamarca o imposto sobre  comida gorda aplica-se também ao leite, ao queijo e, até, à carne. Será que o bastonário dos médicos portugueses também pretende impostos mais altos para o leite e a carne consumidos em Portugal? Será que o bastonário também acha que a crise é uma "oportunidade para a criação de novos impostos" sobre alimentos tão essenciais como o leite e a carne?

 

A crise enquanto "oportunidade para a criação de novos impostos selectivos"! Será que o bastonário dos médicos não compreende que a crise já é a "oportunidade" para as pessoas ficarem ainda mais pobres, precárias, desempregadas e à beira da pobreza, ou numa pobreza ainda mais funda?

 

O bastonário dos médicos deve pensar que todos os portugueses ganham por mês o mesmo que os médicos que ele protege. Porque é que o bastonário não propõe ao invés um imposto "selectivo", como ele gosta, sobre todas as profissões protegidas por ordens ou, pelo menos, sobre a sua tão protegida profissão? Para quem se interessa tanto por impostos "selectivos", espero que lhe agrade esta proposta. Aqui fica o desafio!

 


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4 comentários:
De natalia santos a 10 de Outubro de 2011 às 22:54
O pão e a manteiga para os mais desfavorecidos ? !

Que Deus permita que aos mais desfavorecidos e já agora a todos os que gostam de pão com manteiga estes dois alimentos nunca lhes faltem.


De Ricardo Vicente a 12 de Outubro de 2011 às 10:18
Também espero que não lhes falte isso e que não tenham de gastar muito mais por esses dois bens só porque uns estudantes idiotas de um politécnico qualquer estão "preocupados" com a saúde dos portugueses ou porque um bastonário qualquer gosta de "impostos selectivos".


De Hugo Bastos a 15 de Outubro de 2011 às 12:16
Fique-se desde já a saber, que na qualidade de estudante de enfermagem, formado em acção social, TAE e trabalhador independente há já perto de dois anos, continua a manteiga e o pão a ser um luxo dentro das minhas 4 paredes, luxo esse, que me permite muitas das vezes matar a fome a meio da semana ou simplesmente ter algo para comer quando falta o peixe e a carninha que tanto bem nos fazem lá mais para aqueles dias de final do mês!

Agora penso, o que será de mim, quando esse luxo, que já é tão escasso no meu quotidiano, me for retirado por um imposto seletivo?


De Ricardo Vicente a 15 de Outubro de 2011 às 12:35
Essa é a pergunta que é preciso colocar ao bastonário dos médicos. Creio que a resposta que ele lhe dará será qualquer coisa como isto: não tem nada que se preocupar porque se comer menos pão e manteiga fica mais megro/menos gordo e, portanto, mais saudável. No limite, não há nada mais saudável do que um morto de fome...


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