Terça-feira, 9 de Outubro de 2012
por Dita Dura

Ripa na ripaqueca, rola o esférico no relvado, gira a bola que nos faz ressuscitar todos os Domingos e esquecer um pouco das nossas vidas, dando entrada ao mundo maravilhoso do futebol. Como seria bom se pudéssemos ser um pouco assim, entrávamos no escritório e éramos saudados efusivamente por milhares de pessoas, sentávamo-nos na cadeira e o público gritava pelo nosso nome, havia um relator ali ao lado a seguir histericamente os nossos gestos: “coçou o nariz e pegou no telefone, uma finta, duas fintas, dribla o cliente, prepara-se para fazer o registo no computador, tem tudo para marcar...”

 

O folclore do futebol não seria o mesmo sem as fintas dos jogadores, os insultos à mãe do árbitro e as entrevistas hilariantes dos treinadores. Sobretudo sem a figura do presidente do clube, que no nosso país não é mais do que o exemplo perfeito do empresário e patrão: semi-analfabeto, contundente, possuidor de uma esperteza saloia que lhe confere a confiança de que vai sair de qualquer problema, acabando no final por fazer a maratona quando poderia muito bem ter resolvido a situação com os cem metros livres.

 

Mas os noventa minutos acabam e algures no final do Domingo aterramos na pesada realidade que o dia seguinte é Segunda-feira e o nosso trabalho é muito diferente desse mundo maravilhoso: mal-pagos, num emprego que não nos valoriza e ainda temos de aturar os berros de um patrão ou professor que é a cara do presidente do nosso clube. Mas de uma coisa temos a certeza: na próxima semana há mais.


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