Domingo, 9 de Outubro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

...ficaram vários recados políticos do eleitorado.

 

O primeiro, que ninguém parece querer assumir, é o divórcio entre a população madeirense e os diferentes partidos da oposição. Nunca antes, em especial o PS e a CDU, tiveram semelhante cenário favorável. Nunca antes umas eleições na Madeira foram tão mediaticas. Abertura de telejornais, capas de jornais e, cereja no topo do bolo, reportagens internacionais. Para ajudar à festa, um Alberto João Jardim debilitado fisicamente.

 

Em segundo lugar, o CDS teve um excelente resultado. Surpreendente? Não. Uma liderança regional estável e bem conhecida da população, acrescida de um facto que deve ser sublinhado e servir de aviso ao PSD: ao longo destes 100 dias de governo temos os Ministros do CDS a brilhar nos diferentes meios de comunicação social - desde a reportagem do Expresso com Paulo Portas nas Nações Unidas, passando pela Ministra Assunção Cristas nas televisões (ainda ontem no programa do Herman José) e terminando no Ministro Pedro Mota Soares a saber escolher muito bem como e quando deve aparecer. Para acalmar alguns amigos do CDS, quero salientar que isto são elogios e não críticas. O CDS está a saber comunicar e a conseguir passar entre os pingos da chuva.

 

O terceiro recado foi dado a Alberto João Jardim. Independentemente das dificuldades destas eleições, boa parte delas criadas por si, o que fica para a história é o pior resultado de sempre. Mais, um afastamento gradual e sucessivo do eleitorado urbano, algo que deveria fazer pensar o PSD Madeira - até por ter um Presidente da Câmara do Funchal que, em contrapartida, é bem visto por esse mesmo eleitorado.

 

O quarto recado foi direitinho para o Bloco de Esquerda. Boa parte do seu eleitorado deriva do voto de protesto social puro e duro. A outra parte é devida ao eleitorado intelectual de esquerda. Se estes ainda continuam a votar no BE, os primeiros preferem os Coelhos. E amanhã vão preferir os "Partidos Pirata" e quejandos. O Bloco está em queda acentuada no continente e desapareceu na Madeira. A noite das facas longas já está em marcha.

 

O quinto recado foi para o PS. E foi de tal forma esmagador e humilhante que nem vale a pena dizer mais nada. Os resultados falam por si.

 

Por último, um recado directo ao PSD nacional. A coragem assumida em criticar o governo da Madeira e em colocar os interesses nacionais acima dos interesses partidários foi louvada e, na minha opinião, já está a ser recompensada. Nunca antes, nem com Cavaco Silva, uma liderança nacional foi tão longe a enfrentar Jardim. Os superiores interesses de Portugal assim o exigiam e assim foi feito. No passado? Assobiar para o lado foi a regra.


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