Olho para a lista de premiados com o Nobel da Paz e questiono-me: o que falha? Quem falta? A resposta ocorre-me célere. Falta um português.
Nós que somos um povo plural, social e culturalmente. Nós que estivemos presentes em todos os cantos do mundo. Nós que nunca nos envolvemos, com intensidade das épocas, em grandes guerras e conflitos. Nós que somos um povo positivamente pachola. Nós que somos uns public relations. Nós que temos personalidades que em diversas áreas deixaram um valioso legado, nunca tivemos direito a um Prémio que distingue distintas características da portugalidade.
Por isso o meu Prémio Nobel da Paz vai para um português, mesmo que postumamente.
Alguém que tenha, em prol de outros, colocado a sua própria segurança e carreira em causa. Alguém que tenha posto de lado o seu conforto para que outros encontrassem a segurança e tivessem paz. E quando me refiro a outros fala-se de milhares.
Alguém que desafiou, com as suas acções, personalidades marcantes e polémicas da história. Por um lado a pessoa que dominava politicamente Portugal, Salazar. E por outro alguém que loucamente tentava dominar o mundo, mesmo que para tal tivesse que dizimar povos, culturas e religiões, Hitler.
Porque olhando à vontade de Alfred Nobel as suas acções contribuíram, na forma e dimensão, para a fraternidade entre as nações, porque ajudou a reduzir os esforços de guerra e porque promoveu a paz. Por isto o meu Prémio Nobel da Paz vai para Aristides Sousa Mendes.
