Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
por Sérgio Azevedo

Não pondo em causa a dificílima tarefa de uma mãe(e de um pai também, se me permitem sei bem o que isso é!) em tão exigente família liderada por pequenos "terroristas" com muita pouca margem para qualquer tipo de negociação, ou o patriotismo luso que nos espreme o coração mas que, pelo andar das coisas, nem com 3 Nobel se almejava alteração deste fado mais chorado que cantado, o meu Prémio Nobel deste ano seria para as redes sociaisTwitter e Facebook.

 

A propagação do movimento "Primavera Árabe" para toda a região do Norte de África e Médio Oriente não teria sido possível nem, provavelmente, produziria os mesmo efeitos se não fossem estas duas ferramentas sociais. É esta aliás a conclusão de um estudo da Dubai School of Government onde indica a importância do Twitter e do Facebook na disseminação e no fortalecimento das manifestações populares que se espalharam pelo mundo.

 

Segundo este estudo nove em cada dez tunisianos e egípcios afirmaram ter usado o Facebook para organizar os protestos e aumentar a participação da população nas manifestações. Os resultados são conhecidos.

 

Sem estas ferramentas nunca teriamos ficado a saber que Mohamed Bouazizi, vendedor de verduras cometeu suicídio depois de revoltar-se com o tratamento dado pelo governo a ele e a toda a população tunisiana ou então que a jornalista egípcia Mona Eltahawy após participar nas manifestações da Praça Tahir havia sido detida e levada ao Ministério do Interior, onde ficou por 12 horas. Nesse tempo, a jornalista teve seu braço esquerdo e sua mão direita partidos tendo sofrido um brutal espancamento e abusos sexuais por parte da polícia.

 

"Estou livre. Além de baterem em mim, os 'cachorros da CSF' [Força de Segurança Central] me sujeitaram ao pior abuso sexual. Cinco ou seis me cercaram, apertaram meus seios, pegaram na minha área genital e eu perdi a conta de quantas mãos tentaram entrar nas minhas calças. Eles são cachorros e seus chefes são cachorros. F******, polícia egípcia", escreveu a jornalista.

Mas ainda que fossem apenas veículos de comunicação utilizados por coincidência neste momento importante na história da Humanidade, a reacção dos governos árabes de países em revolução em intensificarem o bloqueio e as restrições às ferramentas para evitarem que as revoltas se fortaleçam são sinonimo da sua extrema importância na divulgação mundial ao minuto das atrocidades cometidas contra os mais fracos. Veja-se o exemplo da Síria onde o presidente Bashar al Assad e o governo proíbe o uso das redes sociais e a entrada de jornalistas internacionais no pais.

 

A atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Twitter e ao Facebook era também a atribuição do prémio a todos aqueles que por intermédio dos seus posts e dos seus tweets denunciam, expõem, opinam e lutam por um mundo melhor. Era um Prémio para as pessoas. Todas as pessoas.


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