Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
por Alexandre Guerra

Ao recuar até 1901, e recordar os 124 laureados com o Prémio Nobel da Paz, entregue a 100 pessoas e a 24 organizações, é interessante constatar que as escolhas feitas pelo Comité Norueguês, composto por cinco elementos, têm revelado um realismo e pragmatismo inteligentes, honrando a herança de Alfred Nobel, que foi muito claro no seu testamento quanto à composição e às orientações daquele órgão.

Sendo um homem da ciência e da indústria, e tendo dedicado muito do seu tempo ao estudo dos temas sociais e da guerra e paz, Alfred Nobel era um conhecedor profundo do mundo e da política internacional, não se deixando toldar no seu pensamento pela ingenuidade pacifista reinante nalguns sectores.

Assim, com alguma naturalidade, o Comité Norueguês tem sido abrangente nas suas escolhas: de homens e mulheres quase “santas” a ex-terroristas, de organizações de apoio humanitário a entidades de controlo de armamentos, de activistas pacifistas a políticos da linha dura. Esta amplitude reflecte a noção de que em determinado tempo e espaço é importante valorizar a acção de actores específicos, independentemente das circunstâncias que os levaram a desempenhar os seus papéis.

Perante isto, é compreensível que muitas das escolhas sejam criticáveis e geradoras de polémica, mas é inegável que todos os laureados estão em condições de alterar num determinado momento da História o curso dos acontecimentos ou, pelo menos, de lutar em prol daquilo que Alfred Nobel deixou em testamento.

Uma vez que o processo de selecção impede auto-nomeações, o autor destas linhas aproveita a oportunidade para propor que seja o próprio Comité Norueguês a receber, numa das próximas edições, o tão prestigiado Prémio Nobel da Paz.


tiro de Alexandre Guerra
tiro único | comentar | gosto pois!

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds