Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012
por Rui C Pinto

Respeitando o espírito do comité nobel norueguês deste ano de atribuição do galardão a título póstumo, gostaria de distinguir o físico nuclear Niels Bohr. Niels Bohr nasceu em 1885 em Copenhaga e notabilizou-se pelo seu contributo para o desenvolvimento do modelo atómico, nas primeiras décadas do século XX, tendo sido agraciado com o nobel da física em 1922. 

 

 

 

Bohr foi um dos cientistas mais empenhados na tentativa de evitar a construção da bomba atómica. Terá tomado conhecimento do projecto de armas atómicas nazi num encontro, em 1941, em Copenhaga, com o físico alemão Heisenberg, seu antigo colaborador. A perspectiva de tal projecto terá causado enorme gravidade em Bohr que já desde 1939 acreditava ser possível promover uma explosão a partir da fissão atómica do Urânio. Pouco depois deste encontro, Bohr procurou refúgio em Inglaterra, após tomar conhecimento dos planos alemães para a sua captura. De Inglaterra, Bohr seguiu para Los Alamos, nos EUA, onde Oppenheimer desenvolvia o projecto atómico dos aliados. Surpreendido pelos estado avançado da bomba de Oppenheimer e convencido da proximidade do fim da guerra, Bohr apelou a Roosevelt e a Churchill para cancelar o desenvolvimento da arma dado o perigo que a mesma representava para a humanidade. No seguimento do seu encontro com Roosevelt, Bohr viria a ser colocado sob vigilância por receio de que promovesse a fuga de tecnologia para os soviéticos (Bohr defendera, perante Roosevelt, que a única forma de evitar a proliferação de armas atómicas no pós-guerra consistia na partilha de conhecimento com os soviéticos). 

 

A bomba foi construída e lançada sobre Hiroshima e Nagasaki provando os piores receios de Bohr. Viu-se confrontado com a capacidade destrutiva de uma tecnologia que ajudou a desenvolver sem propósitos belicistas. Escreve, em 1950, uma carta aberta às Nações Unidas apelando para a manutenção da paz por via da partilha do conhecimento e do desenvolvimento tecnológico. É baseado neste espírito que, em 1954, funda o CERN, Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, que tinha por missão promover a paz entre os povos europeus. O CERN foi o único local onde, durante a Guerra Fria, cientistas soviéticos cooperaram com norte-americanos e foi onde, na década de 90, foi desenvolvida a World Wide Web

 

Um homem que foi perseguido por nazis e vigiado por aliados, durante a segunda guerra mundial pelo seu intransigente apelo à paz e que abriu caminho à cooperação entre americanos e soviéticos em plena guerra fria merece, certamente, a distinção. 


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