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Forte Apache

Hoje não comprei o Expresso

Maurício Barra, 27.10.12

Pela primeira vez na minha vida, e desde o nº 1, hoje não comprei o Expresso (comecei a comprá-lo ainda estava no liceu e, mais tarde, mesmo quando estava em viagem, o jornaleiro guardava-me as minhas “leituras” diárias).

Depois de na semana passada quase todos os artigos do jornal  aparentemente “terem” sido redigidos por Mário Soares, advogando numa profusão de formatos sobre a “não existência do governo”, “o governo implodiu”, “o Presidente tem de tomar conta disto”, etc, numa corrida tremendista e alucinada que a realidade contradizia e continua a desmentir – o Governo está para durar, o cumprimento do acordo com a troika está para continuar -, esta semana evita abordar a falência das suas premonições e foge como o Diabo da Cruz (tal como o PS) do assunto político da semana: o Estado que os portugueses estão dispostos a pagar.

Preferem continuar com as novelas da pequena política: Relvas, o telefonema a (e não de) Passos Coelho que já tem onze (!) meses, o Governo que põe em causa o Estado Social  (o Governo? a sério? ou  o sobredimensionamento do Estado socialista que nos levou à bancarrota?), e a  defesa das “vozes”, parceiras de estrada do BE, do PC e do soarismo radical, para que Portugal não pague a sua dívida.

Não contentes, escolhem para a primeira página desta semana um assunto de futebol, completamente extemporâneo. Se quisessem abordar o tema a sério teriam de analisar o assunto da semana nessa área de informação, ou seja, o efeito que provocará nas redes televisivas o fim das transmissões de jogos do Benfica pela Olivedesportos.  Mas esse assunto não lhes interessa: tal como os que estavam contra a televisão privada quando a SIC surgiu, não gostam de novos players na coutada do oligopólio televisivo que a Impresa quer continuar a dominar e, se por causa do marketing, não convém atacar o Benfica de frente, o  melhor é dar uma facada pelas costas.

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