Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012
por Maurício Barra

Para quem está espantado com a falta de reacção da nossa imprensa às recentes declarações de Vasco Lourenço, nas quais alimentava a estapafúrdia ideia de uma próxima guerra na Europa (porque a realidade não vai de encontro às suas “vontades de revolução permanente”), e agora constata uma reacção violenta contra Isabel Jonet, com primeiras páginas promovendo abaixo-assinados e quejandos, porque a senhora argumentou o que entendeu argumentar sobre a realidade que vivemos, tem de perceber como isto funciona: o grupo organizado que navega nas águas dos dois partidos não democráticos, com a ajuda dos radicais e idiotas úteis que para estas coisas aparecem sempre, alem das manifestações organizadas por SMS, dedica-se ao ataque de todas as situações e opiniões com que não concordam. São ataques ad hominem que visam pessoas que os incomodam, seja porque têm uma opinião diferente, seja porque pelos seus actos ocupam postos de relevância social que gostariam de destituir.

Como a senhora não deixa que a sua obra caia em mãos que ideologicamente a destruiriam em pouco tempo, vai daí organiza-se um abaixo-assinado e a respectiva promoção, do qual temos notícia porque as antenas que este grupo tem em órgãos de imprensa têm uma influência exorbitante e exploram um caso que, visto e revisto, não passa de um fait-divers em qualquer democracia.

Mas para estes profissionais da agitação e propaganda, nós não somos uma qualquer democracia. Temos de ser uma “democracia a caminho do socialismo”, na qual se tenta na rua obter o que não se conseguem ter pelo voto.


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3 comentários:
De eirinhas a 8 de Novembro de 2012 às 19:27
Nem de perto nem de longe sou um agitador profissional mas nao imaginva,ao posicionar-me nesta faixa da chamada direita moderada ou centro direita,mais a meu gosto,nao imaginava,dizia, estar a assistir a estes desmandos vindos de gente que,supostamente,se situarao neste lado da ponte:aguenta,aguenta,nao comam bifes todos os dias,ja agora nao comam peixe que e ainda mais oneroso etc.etc. Mas deixo uma pergunta de que me interrogo com desgosto:porque ser´a que esta gente da margem direita se est´a a comportar deste modo e neste reinado?Quem souber que me ajude a compreender.


De Tiro ao Alvo a 8 de Novembro de 2012 às 21:10
Ouvi atentamente a senhora e não ouvi nada de novo e de extraordinário, antes a confirmação do que as pessoas de bom senso, e razoavelmente informadas, pensam.
Espantei-me, isso sim, com algumas críticas injustas, acusando a senhora de coisas medonhas, que não sei como descortinaram no seu discurso escorreito. Só espero que ela e os seus colaboradores não desanimem e saibam ignorar essas estúpidas censuras, de gente que, tudo o indica, nunca se preocupou com os outros, mas apenas com as suas barrigas, muitas vezes a comer pão (e os bifes) apenas com o suor dos outros, ou seja, como autênticos parasitas.


De Marão a 8 de Novembro de 2012 às 22:46
É tudo uma questão de roupagem. Tal como alguém mal lavado mas bem vestido passa por limpo e importante, quem não se perde na escolha das palavras mais simpáticas é desde logo alvo preferencial a abater, independente da obra realizada e da nobreza de carácter patenteada. Os que se alimentam mais de palavras que de actos tudo aproveitam para desferir ataque feroz a vítimas inocentes e desprevenidas que lhe vão caindo nas garras. É disso que fazem vida, mas a impunidade de que sempre gozam é culpa inteira de uma sociedade que os os tolera, os imita e até os aplaude. E enquanto proliferarem por aí jornalistas que escrevem como cavadores de enxada que lhes serve de caneta e repórteres de pulverizador ás costas que não passam de carregadores de microfones nada vai mudar. Está a apetecer-me um cigarro.


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