Terça-feira, 13 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 (foto do Jornal de Notícias)

 

A Anocas precisa de nós? Não.

 

A Anocas é uma criança. Para os pais um filho nunca é um adulto. É e será sempre uma criança, o nosso bebé. A Anocas, por acaso, é mesmo uma criança. De seis anos. Que vive, como ela o diz, com um Monstro Horrível.

 

Quem ainda não conhece a Anocas, está convencido que ela precisa de nós. Até ao dia em que a conhece. Em que olha para os seus olhos e neles vislumbra algo tão especial, tão estranhamente doce e fora deste mundo que nos leva a uma conclusão profundamente diferente: Não, a Anocas não precisa de nós. Somos nós que precisámos da Anocas.

 

Do seu olhar, da sua alegria, da sua vida.

 

Quando a minha Mafalda me disse, no alto dos seus nove anos de idade, que decidiu oferecer à Anocas o seu porquinho mealheiro, religiosamente engordado desde tempos idos, sem fazer a mais pequena ideia do valor do seu recheio, fiquei sem palavras. Quando a minha mulher me disse que tinha acabado de fazer uma transferência para a conta da Anocas, fiquei a matutar. E eu, que posso eu fazer para ajudar a Anocas?

 

A primeira vez que vi a Anocas fiquei profundamente perturbado. Foi, se a memória me não falha, no café Turista, na Maia. Vinha com a mãe, a Alexandrina, uma velha amiga de lutas passadas (naqueles tempos em que eu, como a Alexandrina e todas as gerações como a nossa naquelas idades, acreditávamos que íamos mudar o mundo) e as marcas do Monstro Horrível acompanhavam a sua bebé, a Anocas. Quando se vê uma criança assim fica-se impotente perante tudo o que nos rodeia. A velha e saudável luta entre assessores de imprensa e jornalistas deixa de ter qualquer significado. A vontade de colocar o nosso cliente nas páginas dos jornais ou nos segundos de televisão deixam de fazer qualquer sentido. Até um dia.

 

Até hoje. Quando vi a minha filha a desligar-se do seu porquinho percebi. Fazer uma transferência é simples. Mas não chega. É pouco. Eu posso fazer bem mais. É por isso que decidi escrever sobre a Anocas.

 

Como alguns de vocês sabem, de vez em quando escrevo uns textos para alguns blogues em que participo. Boa parte deles chatos, banais, sobre política, bola, música, etc. Desculpem lá. A sério! Ninguém é perfeito.

 

Porém, desta vez é diferente. Quer dizer, o motivo é diferente. A importância do mesmo é diferente. A crise? A crise é coisa de meninos quando comparada com a Anocas. O que disse aquele autarca ou candidato a, o golo do James, a Merkel, o governo e a oposição? Não, isso não é nada quando comparado com a Anocas. Não, não. Especial é a Anocas.

 

A Anocas é diferente. Ela não precisa de nós, acreditem. Nós é que precisamos dela, de a ter por perto e de a ver a passar na rua pela mão da sua mãe, da Alexandrina. Ela sim, é verdadeiramente especial. É a Anocas e todas as Anocas deste mundo que verdadeiramente contam.

 

E é por precisarmos da Anocas que vos escrevo este post em forma de apelo. A Anocas está a combater o seu Monstro Horrível e nós precisámos de fazer o mesmo e a melhor forma que temos é esta: partilhar a informação convosco dizendo-vos, contando-vos o mínimo e acreditando que, afinal, tudo o que aprendemos ao longo destes anos serve, realmente, para alguma coisa:

 

A Anocas é uma criança com seis anos de idade. Tem um Monstro Horrível, como ela apelidou o seu tumor cerebral e cujo combate, sem tréguas, obriga a conseguir angariar 80 mil euros. A Anocas é da Maia. Tem, sinal dos tempos, uma página no facebook e uma conta na Caixa Geral de Depósitos. E mais não preciso de dizer, está tudo o que é essencial dito e escrito

 

Obrigado.

 

(texto adaptado para a blogosfera de press release enviado hoje)


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