Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Não, não vou discutir se a Greve Geral foi um sucesso ou um fracasso. Não. A Greve Geral foi o que teve de ser e que sempre será: um direito dos trabalhadores. Uns fizeram. Outros não. Como em todas as outras desde o 25 de Abril. Prefiro sublinhar outro facto: a existência desse direito. É algo que nos deve confortar. É sinal que, felizmente, a democracia impera.

 

O que me surpreende, profundamente, foi o valente tiro no pé dado por alguns radicais. A tendência de muitos será chamar-lhes "esquerda radical". Erro. Aquilo não é nem esquerda nem direita. É estupidez, pura e dura. Ao atacarem à pedrada a polícia esquecem algo fundamental: muitos daqueles agentes até defendem os motivos que levaram a CGTP a realizar mais uma greve. Também eles e as suas famílias estão a sofrer as consequências da crise e sendo, como são, funcionários públicos, sofrem na pele os cortes nos seus vencimentos. 

 

Pior, simbolicamente, estiveram entretidos a apedrejar a Assembleia da República. Ignorando que ela é a marca essencial da Democracia. Uns por ignorância. Outros, os mais perigosos, por motivações políticas - não gostam de liberdade e desejam secretamente viver numa sociedade ditatorial onde impere os seus princípios de xenofobia, racismo, etc. 

 

Porém, não perceberam os sinais dados pela população portuguesa. Os portugueses não gostam de radicais. Cada pedra arrancada da calçada e atirada aos polícias e à AR teve um efeito boomerang. O mesmo efeito que está a ter a eterna greve dos estivadores junto da opinião pública. A CGTP cedo o percebeu e por isso se demarca dos radicais. As suas pedradas abafam os objectivos dos sindicatos. Os cânticos estilo claque "ultra" de futebol dos estivadores afastam os moderados. E envergonham os democratas.


tiro de Fernando Moreira de Sá
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3 comentários:
De José Maria Barcia a 15 de Novembro de 2012 às 13:57
Fernando, concordo em praticamente tudo. É evidente que o limiar do protesto ideológico já foi ultrapassado. O arremesso das pedras só mostra uma vontade de destruir quase com consequências terapêuticas para quem atira. Mas há limites e ontem foi um exagero.

Não concordo é com a defesa exacerbada da polícia. Sim, levaram com pedras durante quase duas horas. Sim, avisaram que ia fazer uma carga. E sim, conseguiram repor a ordem pública. No entanto, como se vê nas imagens que passaram na televisão e como se viu lá (eu estive lá), a carga policial per si e o aviso prévio são insuficientes. Pois se foram só alguns os idiotas a atirar pedras, por que raio todos os manifestantes foram alvo de bastonadas? Até aqueles que não ouviram os avisos? A polícia pode até concordar com os manifestantes. Como pode não concordar. Isso não interessa. Ali, são só polícias com um dever. Mas não devem abusar desse dever. Não devem cegar assim que recebem a ordem de fazer a carga.

Cumprimentos


De Reaça a 15 de Novembro de 2012 às 18:06
Paga o justo pelo pecador, em democracia é assim, e que venha quem saiba fazer melhor.

Eu bem aviso, mas ninguem me ouve! cuidado


De Tiro ao Alvo a 16 de Novembro de 2012 às 08:43
A polícia ordenou a dispersão. Os que lá ficaram como tu, desobedecerem. Se não estavas lá a fazer nada e apanhasses uma cacetada, não se perdia nada.


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