Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
por João Villalobos


Ora bem...vejamos....hmm...(pigarrear)...Assim de repente não me ocorre nada de especial e este regresso à blogocoisa exigia um concentrado de pérolas de sabedoria inolvidáveis, partilháveis, um texto quiçá mesmo viral, termo que nos dias que correm continua a ser sinónimo de algo infecto-contagioso mas, por alguma razão que me escapa, já não é visto como doença. 

Vivemos tempos interessantes, para citar a conhecida maldição chinesa. E se Deus continua vivo e Marx parece ter ressuscitado, eu continuo a não me sentir lá muito bem. Hoje leio no Correio da Manhã sobre a nossa implosão demográfica e, em seguida, Elvira Lindo na última página do El País. A cronista é uma rapariga assim para a minha idade. Recorda as esfusiantes matinés infantis de quando era nova no Cine Moratalaz, tal como eu recordo as do Casino Estoril. Agora só há uma idade, a terceira, escreve ela. Pois. É assim do lado de cá e de lá da fronteira que já não existe. Mas parece que do lado de cá somos campeões nesse abdicar da descendência e assim não há PIB que resista ou qualquer dia sequer que exista.

Há múltiplas razões para isso, claro. Objectivas e subjectivas, associadas à prática das empresas, ao desinvestimento do Estado, ao comportamento umbiguista dos casais, à desfragmentação das famílias, à falta de tempo, à falta de tudo, em suma. Mas mesmo assim...

Em breve regressarei ao assunto. É necessário que a ele regressemos sem preconceitos, chavões de protesto, vistas curtas e frases obnubiladas por demagogias de pacotilha. Não estamos, nós todos, em lados opostos da barricada. Todos queremos, se não ter filhos pelo menos que outros possam tê-los. Todos queremos um mundo melhor para eles e, sejamos francos, é deles que depende o mundo melhor para nós daqui a duas ou três décadas. Não é possível que a única idade seja a terceira idade. Não é mesmo. Porque um país com poucas crianças não é só triste, como escreve Elvira. É um país com prazo de validade.

P.S. Um abraço amigos para as pessoas deste blogue que não conheço, e que são muitas. Agora aturem-me.

 


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7 comentários:
De l.rodrigues a 21 de Novembro de 2012 às 16:18
Olha ele :). O assunto é bom. Mas tendo a olhá-lo com desconfiança. A questão demográfica que se punha nos anos 70 era ao contrário. Era o excesso, a inevitável escassez de recursos naturais, etc.

Depois pareceu mudar para uma questão nós vs eles. Nós (genericamente Norte/brancos) somos cada vez menos, e eles (Sul/castanhos) são cada vez mais.

Agora é simplesmente velhos versos novos que os sustentem. No entanto vejo preocuparem-se mais com isso pessoas que defendem o fim do modelo intergeracional do estado social. O que me leva a crer que a questão é na verdade outra, dupla e algo perversa.

Não existe nenhuma magia no número 10 milhões. Ok, é redondinho e tal. Mas se amanhã formos 8 milhões qual é o mal?

A questão não é quantos somos agora ou depois, embora concorde que o zero é indesejável, mas apenas por romantismo. A questão é quantos conseguimos sustentar com os recursos que conseguimos garantir. É isto que está em jogo na sobrevivência demográfica das sociedades.

Tendo a ver os clamores por mais bebés como um clamor cínico por mais oferta para o mercado de trabalho, para assim manter a pressão sobre o preço do "factor trabalho". Sobretudo quando esse clamor vem de quem só abre a boca para falar de bebés e dizer que vivemos acima das nossas possibilidades.

O que me leva também a concluir que o problema demográfico a existir só se resolve com melhor redistribuição dos recursos (riqueza), e já agora com mais recursos também.

Mas a redistribuição vem primeiro. Os nossos 100 homens mais ricos não se vão armar em povoadores.



De DEsconhecido Alfacinha a 21 de Novembro de 2012 às 16:43

Bem vindo de volta as lides e beijinhos á Ritinha!


De João Villalobos a 22 de Novembro de 2012 às 09:57
Muito obrigado. Serão entregues.


De Pedro Correia a 21 de Novembro de 2012 às 22:34
Viva, João. Gosto de te ver por cá. Evita é falar em criadas para não haver broncas como aquela que deu brado noutro blogue...
Abraço.


De João Villalobos a 22 de Novembro de 2012 às 00:32
Eh, eh. O que tu queres sei eu. Abraço e obrigado.


De Rodrigo Saraiva a 22 de Novembro de 2012 às 09:22
excelente regresso!
e logo com um tema que deveria ser O designio nacional!


De Diogo Agostinho a 22 de Novembro de 2012 às 16:13
Excelente regresso caro Comilão ;)


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