Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012
por José Meireles Graça

Com o tempo, os protestos acentuar-se-ão: não faltam carros de antes de 2000 a poluir menos do que carros posteriores; há gente que não tem alternativa ao uso do carro velho para trabalhar; carros da mesma marca e modelo, de antes e depois de 2000, podem ter consumos diferentes, dependendo da conservação e do estilo de condução; desde que os automóveis tenham em dia a IPO, pela qual o Estado afiança que as condições de segurança e bom funcionamento estão respeitadas, não há distinção de idade que possa introduzir diferenças na liberdade de circulação; porquê 2000 e não 1998 ou 2002?; numas ruas sim, noutras não, no eixo x não, mas no trajecto y sim; para ir ao cinema não mas à vinda do teatro sim, se o espectáculo acabar depois da meia-noite; 1993, 1996, 2000, Janeiro ou Abril, ou Maio, há anos, dias, horas e agora assim e depois assado - o lisboeta não tem mais nada que fazer do que andar atento à volubilidade que faz as vezes do dinamismo na cabeça ditatorial do edil Costa.

 

A discussão casuística não me diz lá essas coisas. E como não vivo em Lisboa, raramente lá vou, e não tenho problemas em ignorar legislação iníqua, mesmo que tenha que pagar multas, não sou pessoalmente atingido.

 

Mas como é possível? Como é possível que um tipo que já foi deputado, secretário de Estado, ministro, é agora Presidente de Câmara, e de quem se diz que pode vir a ser líder do PS, ou Presidente da Republica, possa promover uma tão flagrante violação do princípio da igualdade dos cidadãos perante a Lei?

 

Entendamo-nos: não estamos a falar da proibição de circulação automóvel em certas artérias, ou em certas horas; ou de distinções entre pesados e ligeiros; ou entre carros de aluguer ou privados; ou entre transportes colectivos e privados.

 

Não. Estamos a dizer uma coisa simples: Não tens dinheiro para comprar um carro actual? Poi então és feio, porco e mau; e quero-te longe.

 

Bem, eu também tenho um problema de datas - detesto gente de Maio de 68: estão sempre a farejar o ar à procura da última moda da esquerda pateta. Ou da esquerda, ponto.


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