Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
por Carlos Faria

Num momento difícil da ação governativa, quando o Governo é dardejado como culpado dos espinhos da correção da herança de um Portugal por 25 anos a crescer mais nos gastos do que no PIB (crescimento económico suportado num consumo maior que a produção é uma falácia) e imediatamente após a aprovação de  um oçamento onde as dores do tratamento atingem um novo máximo, Passos Coelho sujeitou-se a uma entrevista na TVI para explicar a sua governação.

Colhi duas ideias base:

- o tratamento é difícil mas é necessário para curar o País e implica dores, mas não há modo de escapar a estas e está determinado neste trabalho. Compreende os sofrimentos do Povo, mas espera conseguir salvar Portugal.

- 2013 corresponde ao ano onde implementará as mudanças necessárias à gestão do Estado para se reduzir nas despesas e daí poder-se passar a diminuir a carga fiscal. Planeia um debate nacional público nesta reforma.

Apesar de tudo, o caminho trilhado e a percorrer tem riscos, mas é a solução segundo Passos Coelho.

O Primeiro-ministro parecia cansado, os jornalistas praticamente não o deixavam acabar um raciocínio para o questionar, o contradizer ou o levar a comentar terceiros – uma técnica que é considerada boa em Portugal, pois quem está no poder parece que não é entrevistado para esclarecer o País, mas para se defender -, contudo, julgo que estas as ideias Passos Coelho conseguiu passar e agora todos os opositores tentarão desmontá-las para criar um cenário diferente que sirva às suas estratégias políticas.

Eu compreendo a ideia do Primeiro-ministro, mas lamento que Passos não tenha começado logo em 2011 a reformar o Estado, quando ainda os Portugueses não desconfiavam tanto deste governo e atribuíam, corretamente, ao passado as culpas da situação do País. Agora pode ser um pouco tarde e os riscos de sucesso reduziram-se drasticamente.


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9 comentários:
De Ajom Moguro a 29 de Novembro de 2012 às 12:00
Os 3 pecados mortais:

-Ter libertado Sócrates antes de ele se atolar até ao pescoço. Bastava terem-lhe dilato o prazo por mais 1/2 dúzia de semanas para o estertor final por auto flagelação sem hipótese de retorno. Ainda hoje agitam o famigerado PEC4 .
-Como é dito no post , não ter atacado a fundo logo no início do mandato foi erro crasso, (contudo percebe-se a dificuldade para quem está rodeado de tubarões do mar alto até à praia.
-Protegeu Relvas no limite do risco vermelho, pretendendo salvaguardar o amigo em prejuízo de uma saudável governação. Não o deixou cair no tempo próprio, arrisca-se a cair com ele a todo o tempo.

É pena que um homem sério e capacitado esteja tão mal rodeado por alguns de dentro e um batalhão á deriva dos de fora. E uma comunicação social que com ele despertou para a chafurdice, tão manietada estava pelo animal feroz.
Há quem diga que passos descurou a técnica da comunicação na abordagem política com o País. Ainda bem, que isto não vai lá com habilidosos discursos como se comprova pelos resultados catastróficos da experiência anterior.


De Carlos Faria a 29 de Novembro de 2012 às 13:22
Na generalidade concordo, mas tenho uma dúvida:
- se se tivesse aguentado Sócrates mais tempo, seguramente que Seguro e algum PS oportunista não poderiam falar como agora falam, mas será que ao País, que agora ainda corre o risco de não se levantar, Lhe restaria alguma hipótese de recuperação após ter ido completamente ao fundo?


De Rural a 29 de Novembro de 2012 às 13:52
Há 70 assinaturas de 70 velhos para derrubar o Passos.

Portugal é um país de velhos, mas estes já não mandam mais.

O chefe desses 70 velhos é velho na idade e já foi velho do restelo.

E ainda quer voltar ao restelo, mas num mausoléu nos jerónimos.


De Carlos Faria a 29 de Novembro de 2012 às 17:28
Os velhos do restelo sempre foram forças de bloqueio e sempre prontos a defender o seu... mas nos 70 agora, nem todos são velhos.


De Ajom Moguro a 29 de Novembro de 2012 às 13:52
Faz uma abordagem que merece ser reflectida. Mas na verdade o País foi mesmo ao fundo, com a bóia de salvação lançada a servir apenas para resgatar com sinais de vida o autor do naufrágio.


De Carlos Faria a 29 de Novembro de 2012 às 17:25
Talvez tenha mesmo razão.


De murphy a 29 de Novembro de 2012 às 15:54
De acordo com o post, especiamente o último parágrafo... mas as mudanças a implementar no País não avançam pois ameaçam o establishment da capital…
O verdadeiro travão às reformas não é ideológico, chama-se centralismo.
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2012/11/o-tabu-das-assimetrias-regionais-em.html


De Carlos Faria a 29 de Novembro de 2012 às 17:25
Penso que não só, mas também...


De Quim a 23 de Fevereiro de 2013 às 10:53
e se socrates tivesse aguentado?

Será que teríamos entrado numa bancarrota maior do que a actual......?..???.?.

Ou tal como já estava prestes a acontecer a Merkel e o BCE teriam dado as mesmas condições a Portugal que deram agora a Espanha que também não cedeu??????????????

Nunca o saberemos pois todos quiseram tirar o tapete ao governo de então devido a uma obsessão anti Sócrates e não pró Portugal.

Seria importante reflectir sobre o assunto com bases factuais e nunca baseado em especulações e boatos lançados na comunicação social desde 2008


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