Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012
por Carlos Faria

Talvez tenha sido por Sá Carneiro que eu tenha despertado para a política e as questões da governação do País. Completam-se hoje 32 anos da sua morte em Camarate, dia e notícia que nunca mais esqueci. Foi sem dúvida um líder carismático, nem sempre compreendido dentro do PPD/PSD que fundou, mas é interessante ver pessoas tão díspares dentro do seu partido ainda hoje conseguirem invocar o fundador como referência pessoal para as suas opções políticas.

Sá Carneiro, sem dúvida, foi um homem à frente no seu tempo, quando praticamente todos submergiam a uma ideologia de esquerda distante do centro, em ressaca de uma ditadura de direita, ele marcava a diferença com uma linha social democrática no verdadeiro sentido do termo, radicada mais no SPD da Alemanha, o Estado que se tornou o mais importante da Europa… do que num socialismo francês, vindo de um país que desde a segunda grande guerra nunca mais foi líder no velho continente.

Contudo, talvez uma das razões da unanimidade em torno do valor de Sá Carneiro foi ele ter morrido no auge das espetativas positivas da sua governação, quando ainda estava em estado de graça e sem sofrer o desgaste das reformas que pretendia para o País… se tivesse ido em frente, talvez hoje fosse criticado por muitos, mas talvez Portugal não se tivesse deixado atolar no pântano em que se deixou cair.

Eu, por mim nunca mais me esqueço de Sá Carneiro...


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