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Forte Apache

E se Medina Carreira processar o estado?

Pedro Correia, 10.12.12

Na passada sexta-feira, as manchetes de dois diários e um semanário que se publicam em Lisboa visavam dois cidadãos que estariam a ser investigados pela justiça devido a suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Os nomes desses cidadãos vinham estampados com todas as letras nessas manchetes, associadas às caras deles, não fosse algum leitor duvidar.

Um desses cidadãos, Henrique Medina Carreira, tem acesso instantâneo aos órgãos de informação, começando pelo canal televisivo onde é comentador regular, e pôde assim dar sem demora a sua versão dos factos, contrariando em toda a linha as notícias que terão resultado da estreita cumplicidade entre investigadores criminais e jornais.

Desmentiu tudo. Sabe-se agora que o seu nome terá sido usado apenas como código da verdadeira rede de fraude fiscal e branqueamento, numa tentativa de baralhar a investigação.

Mas Medina Carreira pode ir mais longe. Pode processar o estado português por danos irreparáveis ao seu bom nome e à sua honorabilidade pessoal. Devia até seguir este caminho por motivos de pedagogia social. Para evitar que outros, depois dele e com muito mais dificuldade de acesso aos órgãos de informação, caiam também nestas kafkianas malhas tecidas por certos agentes do Ministério Público que aparentemente se permitem ter cumplicidades demasiado estreitas com certos jornalistas: uns e outros ridicularizam o segredo de justiça, tornando-o letra morta, e perpretam assassínios de carácter. Que podem liquidar sem remissão os nomes de inocentes.

Diz Marcelo Rebelo de Sousa que a Procuradoria-Geral da República devia pedir desculpa a Medina Carreira. Eu acho que as desculpas devem ser pedidas aos portugueses no seu conjunto. Porque não é de hoje nem de ontem que estas práticas sucedem, para vergonha das instituições judiciais.

Sim, este país assusta. E um certo jornalismo leviano também.

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