Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
por Dita Dura

Sejam bem-vindos ao circo, o maior espectáculo do mundo, o lugar onde tudo é mais vivo, mais leve e mais brilhante, onde as cores se juntam sem vergonha de serem julgadas e é possível acreditar que nada é impossível. As luzes correm de um lado para o outro em busca de criaturas sobrenaturais, animais em façanhas incríveis e pessoas sem medo de nada. O circo da minha infância é assim. Existem elefantes voadores em cima de patins a jacto, trapezistas a saltarem entre arcos do tamanho dos anéis de dedo da minha avó, leões alados a cuspirem fogo no meio da audiência e palhaços com as piadas mais engraçadas que o mundo já viu.

 

Hoje o circo é diferente, mais pequeno, triste e decadente. Os mágicos estão velhos e fazem truques baratos, os malabaristas partem tudo, os animais sofrem e o público sofre ainda mais. Mas mesmo assim tudo continua. Aí vem uma celebridade que ninguém conhece a fazer um truque que ninguém entende, mas não há ninguém que não aplauda; chega o político, domador de pulgas amestradas que ninguém vê, mas que todos juram exisitirem; segue-se o jornalista, que apresenta o espectáculo do centro do palco e ali permanece o tempo todo, completamente convencido que é a estrela principal; entram os jogadores de futebol, palhaços demasiado bem vestidos para terem piada e nem sequer se importam com isso. E quando o circo acaba, o público vai para casa ainda mais triste do que veio. É que amanhã há mais.

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