A maioria dos portugueses está contrariada com o Governo mas sabe que, no essencial, ele está a fazer o que tem de fazer.
Por outro lado, a maioria dos portugueses não confia na oposição porque sabe que eles, no governo, não fazem o que têm de fazer.
Entretanto a maioria dos portugueses já sabe que têm de decidir em conjunto qual o Estado Social que querem e os impostos que estão dispostos a pagar para o ter. Sabem que têm de chegar a acordo mas, para obter o equilíbrio entre a refundação e a racionalização do Estado Social, equilíbrio que no fundo todos sabem que tem de ser atingido, olham para os partidos democráticos e vêem-nos a discutir salsaparrilha em vez do que importa a todos.
Por isso estão a ficar fartos.
A maioria dos portugueses acorda de manhã e estão fartos.
Estão fartos porque é mais um dia de sacrifício e a única coisa que ouvem é o matraquear da imprensa, num tremendismo permanentemente depressivo, onde cada ”boca” de qualquer sujeito do PC e do BE ( e do irresponsável Mário Soares ) abafa qualquer sinal positivo que esteja a emergir. O país do não, o país publicado, “ferra o dente” nas esperanças de todos os dias, cultivando o apostolado da desgraça, dando voz aos profetas do abismo.
E, no entanto, silenciosamente, sem entrevistas na imprensa, 3.700.000 portugueses e portuguesas todos os dias vão trabalhar. Solidários com os que não têm trabalho. Porque sabem que cada dia é mais um passo, mais um passo para os tirar deste molho de brócolos em que todos estamos metidos.