Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013
por Maurício Barra

Em 2004, Dan Rather, jornalista sénior da CBS, ficou marcado por uma reportagem errada que assinou sobre o presidente George W. Bush no programa 60 Minutes II.

A gafe, além de ter manchado a imagem do jornalismo da CBS, motivou a saída de Dan Rather da condução do telejornal diário CBS Evening News, em Março de 2005, bem como o cancelamento do programa 60 Minutes II, a demissão de três executivos e da produtora responsável pela matéria, e ainda a queda do então presidente da CBS News, Andrew Hayward.

Para a CBS a credibilidade é o âmago da actividade jornalística: sem ela fica afectada a função de um órgão de comunicação social, mesmo que custe a perda de um dos mais prestigiados jornalistas americanos. Porque os jornalistas passam e a CBS fica.

Em Portugal, no Expresso e na SIC Notícias, Nicolau Santos e Ricardo Costa promoveram em diversos programas, divulgaram em bastas notícias e escreveram artigos laudatórios sobre um impostor ex-arguido que mentia, o qual já tinha sido exposto e denunciado em blogs conhecidos pela sua idoneidade. Nicolau Santos e Ricardo Costa, mimetizando o PS, exponenciaram a mentira porque politicamente lhes agradava: era contra o Governo e anunciava catástrofes ciclópicas para 2013, o que ia ao encontro da formatação política à esquerda em que transformaram o jornalismo outrora isento do Expresso e da SICN.

Infringiram as regras básicas do jornalismo, faltaram gravemente ao livro de estilo daqueles dois órgãos de imprensa da Impresa.

Pois, ao contrário do que Dan Rather e a CBS fizeram em 2004, para estes senhores não foi nada de mais. Umas desculpas esfarrapadas, como se a credibilidade perdida pudesse ser varrida e ocultada debaixo do tapete. E ficaram quietinhos nos seus lugares, porque estas coisas de dignidade não lhes diz nada, treinados que já estavam quando se demitiram da sua função de jornalistas quando, durante o consulado de Sócrates, ocultaram aos portugueses a realidade económica que nos estava a levar para o abismo da bancarrota.

Senhor Francisco Pinto Balsemão, quem o viu e quem o vê: noutros tempos já teria cortado o mal pela raiz. Deixar pôr em causa a credibilidade da sua empresa é abdicar da dignidade que os leitores dos seus jornais se esforçam por lhe reconhecer. 


tiro de Maurício Barra
tiro único | comentar | gosto pois!

7 comentários:
De Judite França a 2 de Janeiro de 2013 às 14:56
Flawless e boa analogia com o caso do Rather (apesar de o serviço militar de um chefe de Estado ser tema mais sensível): se em Portugal não funciona assim, importa perguntar porquê?


De Maurício Barra a 2 de Janeiro de 2013 às 17:23
Suponho que a resposta virá, mais tarde ou mais cedo, de dentro do próprio jornalismo, dos muitos e bons jornalistas que felizmente ainda temos.
NB : agradeço ter recordado uma palavra ( flawless ) que não frequentava faz tempo.


De Judite França a 3 de Janeiro de 2013 às 11:02
«Flawless» year!


De Alexandre Carvalho da Silveira a 2 de Janeiro de 2013 às 15:26
Ajuda-nos a perceber por que é que Portugal é o país que é, não é verdade? E os arautos da dignidade, ficaram todos calados que nem ratos, porque não há nada como aparecer na televisão, mesmo que para dizer asneiras.
Um deles, José Medeiros Ferreira, até relevou as atitudes do mentecapto Artur porque, disse ele, o que interessa é o que o aldrabão diz. Inacreditável!


De JC Vital a 3 de Janeiro de 2013 às 12:25
Tudo muito bem no post, à excepção daquela "perca" ("mesmo que custe a perca de um dos mais prestigiados jornalistas americanos")... o peixe fez algum mal a alguém para ser para aqui chamado?


De Maurício Barra a 3 de Janeiro de 2013 às 14:47
pedi-me na pesca !


De antonio calado lopes a 4 de Janeiro de 2013 às 15:37
Excelente! Por outras palavras, se o Nicolau Santos e o Ricardo Costa fossem homens tinham apresentado a demissão. E o Francisco Balsemão aceitava.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds