Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
por Luís Naves

"As medidas são minhas, mas o défice não é meu". Esta frase lapidar foi de Pedro Passos Coelho no debate de hoje, no Parlamento, e colocou um ponto final na discussão.

Portugal está numa situação dramática porque governantes irresponsáveis colocaram o país na rota do naufrágio. Os socialistas tentam agora sacudir a água do capote e há ainda a responsabilidade dos comentadores que deram a cobertura necessária a esses governantes. Vivíamos todos num mundo de facilidades e agora desembarcamos no mundo real. Choram-se muitas lágrimas de crocodilo pelo que acontece ao povo, sendo estes os suspeitos do costume que pagam a factura.

A falsa intelectualidade portuguesa tem sido sobretudo hipócrita, primeiro ao esconder ou omitir os erros da governação (sim, eles compreendiam que íamos chocar com a parede) depois ao negarem a necessidade do remédio. Era um coro grego de aplausos, o mesmo que agora espuma, porque finalmente mudou a atitude nos poderes públicos e acabou o simulacro.

Em Agosto e Setembro lia-se na blogosfera, ouvia-se nas televisões, não havia medidas no lado da despesa; agora, aqui d'el rei vilanagem. E só me ocorre uma palavra: hipócritas. Então, não havia cortes, e agora são maus por cortarem?

 

A nível europeu está a ser preparado um plano complexo que incluirá pelo menos o reforço dos capitais da banca europeia e talvez a reestruturação da dívida grega. Tudo indica que uma das preocupações fundamentais é a de criar aquilo a que chamam a "firewall", uma protecção anti-fogos ou um cordão sanitário para evitar o contágio sobre as economias endividadas, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda, após a reestruturação grega.

Nesse sentido, o rigor do orçamento 2012 seria crucial para evitar o contágio. Estou a especular, mas segundo esta linha de raciocínio havia dois caminhos: ou mostrávamos a vontade de não ir pelo caminho da Grécia ou fingíamos como fizemos nos anteriores governos. O segundo caminho era claramente o preferido dos comentadores.

 

Estamos a viver momentos decisivos, daqueles em que a história parece acelerar. Isto é o fio da navalha e só que nos resta manter o espírito alto e progredir, sem cedermos à tentação de recuar.

Não resisto a contar uma pequena anedota que corria nos países comunistas de leste, durante o regime totalitário. Os intelectuais tinham dois caminhos, o primeiro era insustentável, o segundo era o alcoolismo. Felizmente, no nosso caso, mantém-se o IVA do vinho, podíamos dizer.

Sem brincadeira, está no tempo de termos memória, de lembrarmos quem nos enganou e de não perdermos a lucidez. Cumprir as metas da troika é a promessa eleitoral essencial de Passos Coelho. Não foi ele quem mentiu, mas os socialistas, para quem o mundo era rosa.   


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23 comentários:
De l.rodrigues a 14 de Outubro de 2011 às 18:00
A frase lapidar é mentira. O próprio pacheco pereira dizia na quadratura do ciclo que o ministro das finanças tinha dito aos partidos que há já contracção na receita fiscal. Fruto, necessariamente, das politicas recessivas aplicadas por este governo, e pelos últimos estertores do anterior.

Uma coisa que as pessoas parecem não perceber, é que os governos controlam a despesa mas não controlam o déficit. Este é o resultado acumulado de receitas e despesas, e tudo o que este governo tem feito contra o crescimento da economia só podia dar nisto. E vai dar em pior. Que garantias terão os nossos financiadores quando lhes formos pedir dinheiro em 2013, com a economia de rastos? Menos do que hoje, menos do que ontem.


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 13:46
as pessoas não têm de compreender economia, mas ainda não entenderam até que ponto estamos falidos. A frase lapidar é verdadeira.
este post é sobre a estupidez que nos trouxe a este lugar amargo. Quanto mais cair a economia, maior será o aperto.
Só que há quem não entenda que as lágrimas de crocodilo dos comentadores que achavam (e se calhar ainda acham) que Sócrates era um génio só nos levam a mais desgraça.


De natalia santos a 14 de Outubro de 2011 às 20:06
Este ser" mais papista que o papa" não pensando nas consequencias, já levou a que o" papa "( a UE ) chamasse à atenção para que é preciso ser inteligente nas medidas de austeridade para que o crescimento seja possivel.


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 13:48
Não se deixe enganar: a UE está a preparar um plano de resgate da Grécia e precisa que portugal cumpra as metas de défice impostas no momorando da troika.


De Maria a 14 de Outubro de 2011 às 22:04
Ó Luís , aqui do Nordeste...(ainda temos genes comuns)...pergunto eu: quando Durão Barroso disse " o país está de tanga " , não havia buracos ? As contas estavam sólidas? Detesto ver malhar sempre no mesmo quando se sabe que este descontrol vem do tempo do Cavaco primeiro ministro.


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 13:50
Claro que havia buracos no tempo de Durão Barroso e no de Guterres e no de Cavaco.
Portugal nunca conseguiu controlar as contas públicas. Esse é o problema. Agora, vai ter de o fazer à bruta.
O que me espanta é que as pessoas ainda não tenham compreendido esta parte tão simples da equação.


De André Couto a 15 de Outubro de 2011 às 00:08
O Primeiro Ministro esteve hoje bem no debate quinzenal que se realizou no sítio do costume.

As interpelações das bancadas do PSD e CDS foram, como sempre são as do/s Partido/s que apoia/m o Governo, as menos interessantes. São o habitual surpreende-me-lá-com-a-pergunta-que-estou-à-espera-para-te-dar-a-resposta-que-combinámos. Sem interesse algum excepto manter o necessário formalismo de a todos dar a palavra.

António José Seguro tentou fazer baixar alguma névoa sobre os números do Orçamento para 2012 mas não convenceu. Extremamente inseguro para o nome que tem, pareceu-me talvez demasiado impreparado, demasiado verde. Caso a preparação tenha sido bem feita e competentemente assessorada implica que a verdura seja, na realidade, inaptidão. Foi demasiado mole. Facilmente rebatido por Passos Coelhos e até pela Presidente Assunção Esteves defronte de quem amuou porque lhe quis desligar o microfone por excesso de palração.

Jerónimo de Sousa empregou o dogmático gasto e esperado discurso com os "ptanto" do costume. Penso que Jerónimo é dos raros comunistas politicamente simpáticos. Infelizmente, para estes, tornou-se presa fácil na argumentação Passista. Nada de assinalável.

Sobre Heloísa Apolónia nada sou capaz de comentar. Não consigo ouvir a senhora.
É físico e visceral. É a verdade.

Francisco Louçã, o único que deu luta. Com as suas usuais armadilhas de linguagem sustentadas com questões baseadas em números e factos. O melhor preparado de todos os líderes dos Partidos da Oposição perguntou a Passos onde meteu 1000 milhões de euros.
Teve azar.
Pedro, o Primeiro, sabia e respondeu.

O Primeiro-Ministro foi sempre capaz de argumentar de forma precisa e clara.
Não se escondeu atrás de nenhuma cassete.
Falou sobre o seu Orçamento, feito com base nas suas ideias e defendeu-o.
Só falhou num aspecto.

Se formos ao fundo do argumentário da frase com que brilhou e com que começamos este artigo está uma pragmática falácia.
O défice também é dele. Queira ou não.
É de todos, dizem. Pois bem.
Do Pedro também.

Porque se assim não for recuso-me a pagar. É que meu não é, de certeza.


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 13:54
concordo no essencial com o seu comentário, sobretudo com a análise do debate parlamentar. Acho que Louçã foi o único a fazer uma pergunta pertinente ao primeiro-ministro e a resposta de Pedro Passos Coelho foi, na minha opinião, pouco convincente.

Em relação ao défice, as medidas são mais duras do que na troika porque o ajustamento também é mais duro. Se o défice deste ano devia ser de 10 mil milhões e vai ser, sem medidas extraordinárias, de 12 mil milhões, então para obtermos os 7,5 mil milhões do próximo ano, temos de cortar 4,5 mil milhões, em vez de 2,5 mil milhões. É apenas isto que está em causa. Este défice não é do actual governo, mas da incompetência do anterior, que nunca cumpriu os compromissos internacionais a que se comprometeu.


De João Santos a 15 de Outubro de 2011 às 00:09
O problema não está no reconhecimento da necessidade das medidas. O problema está no facto de os portugueses não serem tratados igualmente na aplicação das medidas.
Será que é difícil de entender isso?


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 13:58
Isso é muito fácil de entender, porque o meu rendimento familiar será afectado de forma desproporcionada.
Mas há uma promessa eleitoral: o ajustamento será feitos em dois terços pelo corte na despesa e um terço de aumento dos impostos.
Com um imposto que englobasse toda a gente (como é o caso da taxa que pagamos este ano sobre subsídio de Natal) essa promessa não era cumprida. Cortando salários da função pública, estamos num corte da despesa.
É injusto? claro que é. Mas ao menos os funcionários públicos não perdem o emprego, o que quem trabalha no sector privado não pode dizer.


De Tiago a 15 de Outubro de 2011 às 13:30
Baralha conceitos, dispara para o lado errado e no fim de ter escrito esta posta ainda deve ter sentido orgulho. é esta a direita que está no poder.


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 13:59
Qual é a objecção? Qual foi o conceito baralhado?


De Tiago a 16 de Outubro de 2011 às 14:52
Considera mesmo que as pessoas são assim tão pouco inteligentes? Acha mesmo que quem contestava as primeiras medidas deste governo e que clamava por cortes nas despesas do Estado, queriam cortes nos salários como fez este governo? Não se lembra do actual ministro Miguel Macedo em 5/10 minutos na AR, enquanto oposição descrever cortes na despesa do Estado? e não era tão fácil? hipócrita está a ser o Luís.
Em relação aos conceitos, reveja lá o que é um regime totalitário...


De Luís Naves a 16 de Outubro de 2011 às 19:51
Reconheço que tem razão num aspecto: para alguns do PSD os cortes íam ser mais fáceis.
Mas a questão aqui tem a ver com a execução orçamental de 2011. No mínimo, o défice será de 12 mil milhões e o ajustamento do próximo ano, em vez de ser de 2,5 mil milhões, será de 4,5 mil milhões. É preciso encontrar o dinheiro em algum lugar. Foram aos salários da função pública. Podiam ter criado um imposto.
É preciso reduzir de 12 para 7,5. Isto, na melhor das hipóteses, pois o orçamento teria outras armadilhas (ainda não sabemos) a contar com ovos no cu da galinha, nomeadamente vendas de património que não se concretizaram.
E, em relação à frase "regimes comunistas totalitários no leste da Europa", obvimente não retiro o "totalitários". Sei muito bem o que a palavra implica.
Já escrevi muitas vezes sobre este tema e tentei explicar essa realidade. Quando ler um texto assinado por mim que se refira a regimes comunistas, não verá qualquer tipo de suavização politicamente correcta. A palavra está lá muito bem. Tem alguma melhor para descrever Budapeste 56, Praga 68, Ceausescu, Estaline?


De Luís Naves a 16 de Outubro de 2011 às 19:54
12 mil milhões, quando o limite é de 10 mil milhões. E o dinheiro passa para o ano seguinte, ao contrário da areia que alguns experts socialistas andam a atirar aos olhos do povo. é desses que eu falo, dos chicos-espertos e dos hipócritas. Ou seja, Portugal só cumprirá o défice de 2011 com medidas extraordinárias (metade do subsídio de natal este ano e a transferência de um fundo de pensões) mas isso não resolve o nosso problema, é cosmética, atirar a porcaria para debaixo do tapete. O buraco é maior no ano seguinte, obrigando a medidas mais duras.


De Tiago a 17 de Outubro de 2011 às 11:27
A dívida escondida até agora achada foi a da Madeira. Essa sim escondida e que apareceu agora sem ninguém esperar. Curiosamente PPC deste achado não fala. Enfim critérios não é? Como o Luís diz, foram aos subsídios como podiam ter criado um imposto. Pois podiam, até podiam ter criado um imposto sobre as grandes fortunas e detentores de grandes patrimónios. Podiam mas não o fizeram. Tenho a certeza que concorda comigo que mais falta irão fazer os subsídios de natal e férias a pessoas que auferem 1000€ do que um imposto sobre alguém que tem milhões de rendimentos através de dividendos e mais valias. Esta é que é a injustiça. Cobrar a quem pouco tem e que não pode de maneira nenhuma escapar. Não tem lógica querer num ano ou dois eliminar o défice de uma vez. Défice esse que é estrutural na nossa, e na de muitos países , economia.
Pelo caminho que está a ser seguido não tenho dúvidas que daqui a 6/7 meses teremos mais um pacote de cortes nas retribuições dos funcionários públicos, pois torna-se óbvio que a receita vai diminuir muito, pois não vai haver dinheiro para consumo. É uma pescadinha de rabo na boca.

Em relação ao totalitarismo apenas lhe digo que ao catalogar todos os regimes comunistas como tal, está de forma involuntária, a branquear todos aqueles que o foram de facto. Como refere que escreve ou escreveu sobre o assunto conhece de certeza Hannah Arendt . Está lá tudo explicado e conseguimos por aí observar as diferenças, porque as houve, entre regimes autoritários e totalitários. Se comparar Estaline com por exemplo outros líderes do bloco de leste, não acha que branqueia Estaline? Eu acho que sim. Pode parecer uma picuinhice mas, até para memória futura, a história não se deve reescrever e devemos observar os factos por todas as perspectivas. Como por exemplo também não concordo que seja catalogado o regime de Salazar como fascista porque não o foi de facto.


De Luís Naves a 17 de Outubro de 2011 às 18:58
A Madeira representa 15% do desvio nas contas deste ano


De Tiago a 17 de Outubro de 2011 às 14:01
"Foram aos salários da função pública. Podiam ter criado um imposto" pois Luís aí está a questão, podiam mas não o fizeram. Porque não foi criado um imposto excepcional para as grandes fortunas? Acha que a classe média e baixa sofrem menos que a classe alta? A quem custará mais o sacrifício? Os cidadãos desesperados cometem actos desesperados. O Governo está, com as suas acções, a estender o tapete aos extremistas e radicais, sejam eles de esquerda ou direita. Querem acabar num ano ou dois com um problema, o défice, que é, tal como na maior parte das economias, uma questão estrutural. daqui a 6/7 meses não duvido que mais medidas venham a surgir, pois a receita, pela falta de consumo, vai continuar a descer. É uma pescadinha de rabo na boca.
E não foram apenas alguns do PSD que pensaram que cortar na despesa era rápido e fácil. Recorda-se do primeiro parágrafo do programa eleitoral do PSD?

Quanto ao totalitarismo e como disse que escreve, ou escreveu, muito sobre o assunto decerto que concorda comigo que em regimes ditatoriais alguns houve que foram mais além que outros. O estar a equipará-los ao mesmo nível, apenas vai branquear Estaline ou Hitler por exemplo. Temos que ser rigorosos quando deixamos para memória futura a nossa história. Se recordar Hannah Arendt , a sua classificação dos regimes ditatoriais permite-nos conhecer melhor o que de facto se passou. No nosso caso também não concordo que seja classificado a ditadura de Salazar como um regime fascista. Era sim um regime autoritário.


De Ricardo Vicente a 15 de Outubro de 2011 às 15:09
1. Finalmente que já não sou o único a falar da reestruturação/default da Grécia como um facto!

2. Ainda nunca ninguém fez justiça ao economistas que, no tempo de Guterres, alertavam já para a insutentabilidade das contas públicas.

3. A propósito de alguns comentários, é preciso lembrar que o aumento da despesa pública em 1985-1995 correspondeu a uma modernização do país que era necessária e que essa despesa foi aceite quase consensualmente, pois Portugal era (e é) "sociologicamente de esquerda" em matéria de política económica. No primeiro dia de governo de Guterres tudo poderia ainda ser bem gerido e governado.


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 15:50
Totalmente de acordo. E também me surpreende que ainda não se esteja a comentar a reestruturação da dívida grega como facto iminente. Neste momento discute-se a dimensão do hair-cut. E vai ser um corte à escovinha...


De PC a 15 de Outubro de 2011 às 15:24
... " Sem brincadeira, está no tempo de termos memória, de lembrarmos quem nos enganou e de não perdermos a lucidez. " ...

Eu por acaso ainda me recordo que ...

Em 1980, o governo da AD tinha por ministro das finanças Cavaco Silva.
Este foi responsável por medidas como a valorização do escudo (dificultando as exportações), subida dos gastos orçamentais e subida das importações: o défice das transacções correntes subiu 5% (do PIB) em 1980 para 11,5% em 1981 e 13,2% em 1982.
A dívida externa disparou de 467 para 1199 milhões de contos.

A somar a tudo isto, o Prof. Cavaco Silva foi também responsável por um clima de crispação contra a liderança de Francisco Balsemão o que levou ao fim da AD e, nas eleições de Abril de 1983, à vitória do PS.


Depois de medidas gravosas tomadas por aquele partido e da eleição de Cavaco como presidente do PSD na Figueira da Foz, rompeu-se o Bloco Central, foi a eleições (1985) e ganhou, beneficiando da estabilização feita por outros.

Depois, a maioria cavaquista, foi o que se sabe: o engordar da função pública, a política do betão e a rejeição da meritocracia no Estado (já para não falar dos Dias Loureiros e Oliveiras e Costas).

Aí...ai, as memórias dos jotinhas ...


De Luís Naves a 15 de Outubro de 2011 às 15:47
Certamente, a sua memória é melhor do que a minha, mas não compreendo quando fala da "memória dos jotinhas". Vamos lá ver se nos entendemos. Assino os textos que escrevo e, mal ou bem, eles só a mim vinculam.
Em relação ao período cavaquista, julgo ser facto indesmentível que a despesa pública cresceu.
Há factores atenuantes: a economia também crescia de forma rápida e havia óbvia necessidade de infraestruturas em Portugal.
Dito isto, o endividamento português também está relacionado com a utilização dos fundos comunitários, que sobretudo começou nessa altura. Com fundos estruturais da ordem de 3 e 4% do PIB, os governos tinham incentivo para investir (e havia sempre uma parte nacional). A comunicação social ajudava à despesa, pois surgiam as notícias de que governo tal estava a desperdiçar fundos e só tinha usado 30 ou 40% do dinheiro. Mas esqueciam que havia uma parte nacional e que muitos desses projectos eram só para gastar o dinheiro.


De PC a 15 de Outubro de 2011 às 16:19
... " Há factores atenuantes: a economia também crescia de forma rápida e havia óbvia necessidade de infraestruturas em Portugal." ...

Bom, então com a economia crescia e havia necessidade de infra-estruturas em Portugal, desmantela-se com o sistema produtivo da agricultura e da floresta, e por inerência com a industria ligada a essas duas actividades, acaba-se com as pescas e com as indústrias a elas ligadas, e dum modo geral com as metalomecânicas e indústrias electricas.
Chega-se ao cumulo de se oferecerem subsídios para não se produzir e abandonar as terras. Pagam-se subsídios aos armadores para não pescarem e abaterem os seus barcos.
As derrapagens nas obras públicas foram um autêntico desvario, é só recordar o que aconteceu com o CCB e com a EXPO.
E o início das PPP quando é que pensa que começou, não esquecendo também que em nome de um clientelismo desbragado e sem vergonha, tiveram início as empresas municipais e estatais que são hoje um autêntico sorvedouro da riqueza do país.., and so ... and so ... and so ...

Agora, e em nome de uma hipocrisia sem limites, pede-se aos portugueses que façam sacrificios sem fim, a bem da Nação !


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