Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013
por Alexandre Poço

Sobre o internamento de Mário Soares, Daniel Oliveira diz que "quem aproveita a hospitalização de um homem para o combate político, quem aproveita a fragilidade física de um adversário para o atacar, tem apenas um nome: é um cobarde". Não sei onde é que Daniel Oliveira criou este filme, provavelmente deve ter escrito o texto à hora dos Globos de Ouro e sentiu-se inspirado pela ficção que lhe chegava pela televisão. Ninguém se "aproveitou" da ida de Mário Soares a um hospital para fazer política, nem mesmo José Manuel Fernandes que também é citado no artigo de Daniel Oliveira. O que muita gente constatou é que Mário Soares, que tanto louva as virtudes dos serviços públicos e do Estado Social, na hora de escolher um sítio para recorrer a serviços de saúde, foi aos privados. Talvez o Estado Social seja melhor para os outros. É claro que o Pai do regime está no seu livre direito de ser tratado onde quer. E honestamente, desejo-lhe as melhoras e recuperação rápida. Não há "combate político", nem Mário Soares - já na reforma - é um "adversário". Não entendo, portanto, o moralismo com que Daniel Oliveira quer incensar o tema, acusando de "cobarde" quem se limitou a apontar um facto evidente: na hora de problemas com a saúde, todo o socialista passa a gostar da saúde privada. Apenas isto, não há espaço para drama, caro Daniel Oliveira. 


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8 comentários:
De Floriano Mongo a 14 de Janeiro de 2013 às 16:35
Soares q se trate, onde quiser. Mas é inaceitável q em nome de uma moral supostamente superior, tratá-lo como divindade, de quem não se pudesse lembrar nem mesmo as próprias palavras — afinal, um deus absoluto não estaria obrigado nem mesmo a ser coerente.

Soares tem o direito de se tratar onde quiser, e as pessoas têm o direito de usar as suas próprias palavras para confrontá-lo!!!

Isso não é “ataque”, não é “desrespeito”, não é “agressão”. É só democracia.


De Alexandre Poço a 14 de Janeiro de 2013 às 17:23
Ora nem mais. Um abraço


De Ajom Moguro a 14 de Janeiro de 2013 às 17:52
Então sou cobarde. O meu desejo é que o senhor fique bem e depressa, mas tirem-lhe canetas e microfones da frente que nos fazem mal á saúde. Gostava de saber se está a ser tratado como utente do SNS, e em qualquer caso quem paga a conta, com taxas moderadora ou não. E ainda se cobra e paga IVA pelas múltiplas crónicas e entrevistas que lhe encomendam. Soares estará no seu livre direito de escolher quem lhe trate da saúde, mas perde qualquer tipo de legitimidade para nos impingir discursos moralistas e igualitários. Quem é que afinal é cobarde?


De Alexandre Poço a 15 de Janeiro de 2013 às 00:56
Tem razão, discursos moralistas e igualitários é o que esta gente mais sabe fazer.


De João Alves a 14 de Janeiro de 2013 às 22:11
Mário Soares defende a existência de um serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito e de qualidade, pago pela impostos dos contribuintes, bem como a livre iniciativa privada na área da saúde. No final, cada um é livre de escolher onde quer ser tratado, o que pode ter a ver com as mais variadas razões, sendo a escolha de cada um. Em que é que recorrer a um Hospital privado é incongruente com isto?


De Alexandre Poço a 15 de Janeiro de 2013 às 00:51
Eu fico feliz por Mário Soares defender o princípio da livre escolha, pelo menos na acção, defende. Apenas não entendo é o asco com que fala da iniciativa privada. Nunca reparou nisto?


De Tiro ao Alvo a 15 de Janeiro de 2013 às 22:25
Parece-me que o título contém um erro: não era santo o que diziam não dever ser imitado, mas "apenas" frei : bem prega frei Tomas; olhai para o que ele diz, não olheis para o que ele faz. Portanto, assim estaria melhor: bem prega frei Tomaz. Até porque o Dr. Mário Soares também não é nenhum santo.
(Espero que o Daniel Oliveira não classifique este meu dizer como sendo uma cobardia, que não é).
As melhoras para o Dr. Soares.


De Alexandre Poço a 16 de Janeiro de 2013 às 02:48
Pensei nisso quando escrevi o post: se punha frei ou São. Escolhi "São" porque o Pai do Regime não merece tratamento inferior. ;)


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