Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
por João Villalobos

'Confiança' continua a ser a palavra chave para o regresso aos mercados. E só deixará de sê-lo quando - individualizando as diferentes figuras que compõem essa concreta mas abstratizada entidade chamando-lhes Senhora Mercado ou Mrs Market - percebermos que a dita persona é igual em modo de funcionamento à nossa Ex-Mulher (Que Deus a preserve, mas de preferência sem saldo no telemóvel e reparem como a trato duplamente em caixa alta).

Todos os homens que alguma vez se divorciaram (Pronto, vá lá, há excepções mas não sou uma delas) sabem que a sua separação decorreu do facto de terem tido um comportamento reiterado ao longo do tempo que fez perder a paciência da respectiva cara-metade.

No que concerne a este texto, a parte masculina do casal é Portugal e a parte feminina – passe o apenas aparente paradoxo para quem ainda não viveu o suficiente – as mais racionais agências de rating e quejandas instituições puramente financeiras.

Falemos então da palavra 'Mudança'. Substantivo que, na sua forma verbal, deu título ao livro do actual primeiro-Ministro em tempo de campanha pré-eleitoral. Alguém pode, hoje, colocar em dúvida que Portugal está a mudar? Quanto a mim, as medidas que o Governo anuncia indicam que sim.

Mas...Tendo isto em conta - e 'Conta' é aqui agora a palavra seleccionada a dedo - a Senhora Mercado o que faz? Duvida, naturalmente. Tem a perfeita consciência de que ainda não demos provas concretas suficientes. Acha que, se tudo parece mudar, é apenas para esse tudo continuar na mesma, parafraseando o 'Cândido' de Voltaire (Sim, sou um gajo instruído e podia ter colocado o título em francês).

Em suma - e para não perderem a paciência de leitura que já deve estar mais curta do que uma vela acesa ao Santo Expedito - a opção que se coloca é (do ponto de vista metafórico) conjugal e aritmeticamente binária; Ou bem que Mrs. Market sai de casa, ou bem que saímos nós. No primeiro cenário, convém sabermos como vamos pagar a renda de casa e as despesas associadas. No segundo, quanto nos custará a pensão de alimentos da senhora e crias geradas.

Não desejando a ruptura, talvez seja boa ideia Portugal – o qual somos nós tod@s, agora sem distinções sexistas redutoras para efeitos pretensamente literários - explicar que sim, mudámos mesmo e já não vamos reiterar aquela cena, “tipo marada, estás a ver?”, de tratar os dinheiros públicos como que joga fichas no casino europeu delapidando a massa que não tem mas que a família há-de safar, de preferência em cash.

Se, por outro lado, continuarmos a negar a adição ao 'jogo', talvez a nossa cara-metade Senhora Mercado opte por colocar o seu rendimento e pachorra em lares mais organizados e que lhe prestem a atenção devida. As senhoras, posso afirmá-lo com propriedade, preferem amar a apaixonar-se. Sabem bem distinguir entre a conta a prazo e a conta à ordem quer no bolso quer na carteira dos sentimentos.

E pronto. É isto que me apraz dizer. Em sequência, espero um convite para a redação do 'The Economist', porque em terra pátria já sei que só me espera pancada de todos os lados e ambos os sexos, não podendo eu alegar violência doméstica. Koniec

 


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2 comentários:
De Francisco Almeida Leite a 18 de Janeiro de 2013 às 12:38
Não perdeste o jeito... A Economist devia andar mais atenta!

Abraço


De l.rodrigues a 18 de Janeiro de 2013 às 12:45
Adição ao jogo?
I call bullshit.

Se a europa decidiu construir um casino à nossa volta, emprestando fichas a rodos para apostar na especulação imobiliária agora queixa-se do quê?

A tua mrs Market ajudou a levar a casa à ruína mas não abdica dos seus casacos de peles e do gigolo de fim de semana, é o que é.


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