Domingo, 20 de Janeiro de 2013
por Joana Nave

Pertencer a um determinado país enche-nos de orgulho, ter um território, uma língua, uma cultura, coisas que nos identificam e que nos caracterizam como sendo pertença de um lugar, como fazendo parte de um povo.

Um dia perguntei a uma colega da minha turma, que era estrangeira, qual era o país dela. Ela respondeu-me entusiasticamente que era da Ucrânia. A minha ignorância levou-me a tecer inúmeros pensamentos sobre como seria ser da Ucrânia. No seguimento desta conversa dei por mim a perguntar-lhe, com um certo desdém, se ela gostava do seu país, ao que ela me respondeu, estupefacta, “claro que sim, como é que alguém pode não gostar do seu próprio país”. Este diálogo ficou a marinar na minha cabeça. De facto, como é que alguém pode não gostar do seu país. Renegar o país que nos viu nascer e crescer é como renegar a própria família, e essa ideia é repugnante.

Numa altura em que vejo tantas pessoas a deixar Portugal para trás, pergunto-me que país é este que leva o seu povo a fugir, a abdicar das suas origens, da sua história, a atravessar países, continentes e oceanos na tentativa de encontrar um lugar melhor para viver.

Embora goste muito de viajar sei que o meu lar está em Portugal. Gosto de percorrer o mundo, mas voltar sempre para casa, para o conforto da língua, da comida, do clima, dos hábitos e costumes, da história, que é feita de homens e mulheres que partiram, mas que deixaram a saudade e a esperança que um dia iriam regressar.

Gostava de não ver tanta gente a partir, gostava de ver mais investimento neste meu querido país, mas não sei quando irei ler estas palavras e também eu invocar a saudade que deixo para trás...


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6 comentários:
De Tiro ao Alvo a 20 de Janeiro de 2013 às 21:58
"(...)Que país é este que leva o seu povo a fugir, a abdicar das suas origens, da sua história, a atravessar países, continentes e oceanos na tentativa de encontrar um lugar melhor para viver?"
E eu respondo: é um país tal como o que levou a família da sua colega de turma a abandonar a Ucrânia, procurando outro onde pode viver melhor, mas nunca para o renegar, antes para dele falar com orgulho, como está a acontecer com centenas de milhar de portugueses.


De Universo de Paralelos a 20 de Janeiro de 2013 às 23:02
São pessoas que partem mas com um coração que será sempre verde e vermelho. Pelo menos, gosto de ver as coisas assim.


De fado alexandrino a 21 de Janeiro de 2013 às 08:47
Uma pergunta muito interessante que poderia ter sido feita aos milhares que partiram nas caravelas e naus para A Grande Aventura e depois aos milhões que foram da Madeira a Timor.
Deixo de lado porque essa parece ser a sua preocupação a Europa.


De xico a 21 de Janeiro de 2013 às 15:38
Quem parte não abdica das origens nem da sua história, ora essa. Se assim fosse toda a gesta dos portugueses no mundo seria equivalente a traição.


De jfd a 23 de Janeiro de 2013 às 21:59
Muito bem!


De llls a 23 de Janeiro de 2013 às 22:46
Pois...o conforto do lar, da lingua e por ai adiante, o conforto que nos levou à bancarrota! Há dois anos trabalhar no estrangeiro era bom para o curriculum, agora passou a ser desgraça e vergonha! Até é ironico que o país que deu "novos mundos ao mundo" não seja capaz de compreender a globalização e de aproveitar todas as vantagens que acarreta... Quando nos iremos convencer que o conforto não nos permite o desenvolvimento e a modernização necessárias?


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