Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013
por Maurício Barra

Dezoito meses foi o tempo que demorou baixar o défice de 10,2% para 4,6%.

Dezoito meses foi o tempo que demorou voltar ao mercado de financiamento.

Dezoito meses foi o tempo que demorou a equilibrar a balança sobre o exterior.

Dezoito meses foi o tempo que demorou a haver mais empresas a nascer do que empresas a falir.

Dezoito meses também foi o tempo em que o desemprego aumentou de 12,8% para 16,4%.

E agora ?

Agora faltam dezoito meses para completar a acordo de ajustamento.

Faltam dezoito meses para os indicadores de investimento começarem a produzir efeito.

Faltam dezoito meses para se reverter o índice de desemprego.

Faltam dezoito meses para estabelecer um consenso sobre a reforma do Estado.

Faltam, também, dezoito meses para o PS mudar.

 

NB : tal como era esperado, a SICN, dirigida por um socialista soarista, interveio imediatamente, não fosse o Governo ter uma vitória política. Oficiou, claro, Nicolau Santos, dizendo que a ida aos mercados representava a derrota(?) do Governo.  Se já de si a preposição não é uma análise económica, é uma análise política bastante vesga, a argumentação foi um exercício de desonestidade tout court: no dia que Portugal pela primeira vez tem acesso à sua soberania financeira, o homem do papillon quis de propósito confundir quem o ouvia, dizendo que a substituição de prazo para cinco anos para dar maior maturidade à dívida é a  mesma coisa que renegociação da dívida. A  toque de caixa, o BE começou a dizer o mesmo, claro está.  O PS, envergonhado, não foi por esse caminho: tentou fazer de conta “que a ideia do Governo afinal era deles “.


tiro de Maurício Barra
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3 comentários:
De 4534534 a 23 de Janeiro de 2013 às 10:43
http://31daarmada.blogs.sapo.pt/5850662.html


De murphy a 23 de Janeiro de 2013 às 16:20
Convém agora que os habituais comentadores e jornalistas manhosos não confundam as coisas...
Esta notícia do “regresso aos mercados” é boa pois Portugal, inevitavelmente, via “troikas” ou via mercado, tem de financiar a sua dívida. Os bancos nacionais andavam a direccionar o crédito ao Estado (em vez das empresas e cidadãos), pois estava completamente falido! Sem esses empréstimos, muitas empresas públicas não teriam dinheiro para pagar salários.
Mas o emagrecimento do Estado tem de continuar, temos de equilibrar receitas e despesas para não voltarmos a "cair nas mãos" dos credores. Pensar que isto significa o fim dos sacrifícios, só dará em desilusão...
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/isto-revolta-me-e-nao-ha-titulo.html





De Alexandre Poço a 23 de Janeiro de 2013 às 18:52
Excelente artigo!

Um abraço


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