Dezoito meses foi o tempo que demorou baixar o défice de 10,2% para 4,6%.
Dezoito meses foi o tempo que demorou voltar ao mercado de financiamento.
Dezoito meses foi o tempo que demorou a equilibrar a balança sobre o exterior.
Dezoito meses foi o tempo que demorou a haver mais empresas a nascer do que empresas a falir.
Dezoito meses também foi o tempo em que o desemprego aumentou de 12,8% para 16,4%.
E agora ?
Agora faltam dezoito meses para completar a acordo de ajustamento.
Faltam dezoito meses para os indicadores de investimento começarem a produzir efeito.
Faltam dezoito meses para se reverter o índice de desemprego.
Faltam dezoito meses para estabelecer um consenso sobre a reforma do Estado.
Faltam, também, dezoito meses para o PS mudar.
NB : tal como era esperado, a SICN, dirigida por um socialista soarista, interveio imediatamente, não fosse o Governo ter uma vitória política. Oficiou, claro, Nicolau Santos, dizendo que a ida aos mercados representava a derrota(?) do Governo. Se já de si a preposição não é uma análise económica, é uma análise política bastante vesga, a argumentação foi um exercício de desonestidade tout court: no dia que Portugal pela primeira vez tem acesso à sua soberania financeira, o homem do papillon quis de propósito confundir quem o ouvia, dizendo que a substituição de prazo para cinco anos para dar maior maturidade à dívida é a mesma coisa que renegociação da dívida. A toque de caixa, o BE começou a dizer o mesmo, claro está. O PS, envergonhado, não foi por esse caminho: tentou fazer de conta “que a ideia do Governo afinal era deles “.