Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013
por José Meireles Graça

Hoje foi um bom dia: o regresso aos mercados tem sido denunciado, desacreditado, desmontado com mais ou menos eficiência e convicção por toda a esquerda, sem uma única voz dissonante. É portanto uma coisa boa, e digo-o sem ironia.

 

Lendo os especialistas fica-se com uma grande dor de cabeça por causa dos prazos, dos spreads, dos yelds, do mercado primário, do secundário, das taxas, da tomada firme, dos hedge funds e dos outros funds que não são hedge. Não interessa: o céu de chumbo teve uma aberta e passou por ela um raio de Sol. E como a economia também vive de expectativas e de confiança, chapeau Gaspar! - bem jogado.

 

Claro que uma taxa de juro superior à da troika, cujo empréstimo tem um prazo de 11 ou 12 anos, e às taxas a que se financiam economias que não estão em recessão, só parece aliciante pelo contraste com o passado recente e o sinal de inversão de tendência; e que nada faz sentido sem o regresso do crescimento e a diminuição da dívida pública, sobre a qual as novidades são descoroçoantes. Mas, num dia de festa, abrir a boca faz sobretudo sentido para por ela despejar o champanhe.

 

E mais ainda quando esta não foi a única boa notícia do dia: o anúncio de Cameron, se não derrama pelos corações dos Portugueses que ligam a estas coisas nenhuma particular alegria, e pelo contrário é fonte de alguma consternação, é para este Português motivo reforçado para, hoje, não poder conduzir: pode ser o princípio do fim do pesadelo concentracionário que pacientemente vem sendo construído desde Maastricht e o Euro. E que isto não é apenas uma possibilidade teórica é confirmado pela reacção desta personagem ilustre.

 

Sai mais uma taça.


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8 comentários:
De jfd a 23 de Janeiro de 2013 às 22:02
Espero ter bem entendido o sarcasmo que partilho:


Lendo os especialistas fica-se com uma grande dor de cabeça por causa dos prazos, dos spreads, dos yelds, do mercado primário, do secundário, das taxas, da tomada firme, dos hedge funds e dos outros funds que não são hedge.


Caso não seja, tenho de me enfiar num buraco!

grande abraço


De José Meireles Graça a 23 de Janeiro de 2013 às 22:22
Entendeste perfeitamente, claro. A gerência bem podia organizar um jantar de comemoração do regresso ao mercado, para poder retribuir o abraço pessoalmente.


De jfd a 23 de Janeiro de 2013 às 22:36
Hehehehee fica a dica para a gestão!
(olha eu a fingir q nada tenho que ver com este blog LOL)


De André Miguel a 23 de Janeiro de 2013 às 22:43
Assino por baixo.


De José Meireles Graça a 24 de Janeiro de 2013 às 01:08
Obrigado, André.


De Ajom Moguro a 24 de Janeiro de 2013 às 10:56
D. Constança, Ricardo Costa e outros cavadores á canetada que por aí andam também tem galho na esquerda?


De José Meireles Graça a 24 de Janeiro de 2013 às 14:04
Ajom, não percebi.


De Ajom Moguro a 24 de Janeiro de 2013 às 14:48
Realmente deixei a ideia confusa. Mas o que eu queria significar é que o foguetório da esquerda está muito bem acompanhado por um ilustre coro de jornalistas.


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