Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013
por Alexandre Guerra

Há uns dias, e graças a um soldado da GNR, um então anónimo porco teve direito aos seus 15 minutos de fama. Um porco que, em jeito de desafio às autoridades, pretendia ocupar um espaço (leia-se A1) que não era o seu.  

De certa maneira, este porco sentiu-se impelido para resistir às “ordens” da autoridade instituída, embora não se descortinasse se por detrás de tal comportamento terá estado alguma motivação nobre ou apenas o interesse egoísta do suíno em causa. Um pouco à semelhança dos porcos revoltosos que em Animal Farm de George Orwell substituíram, com boas intenções, um regime corrupto de humanos por uma sociedade utópica liderada por animais, mas que rapidamente viria a degenerar em totalitarismo.

Na sátira de Orwell os animais, nomeadamente os porcos, acabam por representar as perversidades dos humanos quando se fala da conquista e da manutenção do poder em regime totalitários.

Perante isto, pode supor-se que o homem da GNR estaria a fazer uso da “violência legítima” numa lógica “preventiva” para evitar qualquer tentação do porco insurgir-se contra a ordem instituída que, apesar de tudo, ainda é democrática em Portugal.

Imagine-se o que seria agora haver uma revolta de porcos por essas estradas fora. Daí até às escadas do Parlamento seria um pulinho e já se estava a ver o Governo a pedir imagens à RTP para identificar os porcos agitadores.

E note-se que existe um registo histórico de episódios suínos que, provavelmente, levaram aquele soldado da GNR a adoptar uma medida "preventiva" para refrear os ânimos do porco revoltoso. Talvez conhecesse o célebre episódio do porco voador nos arredores de Londres.

Um porco (na verdade um balão de nove metros cheio de hélio) que ficou imortalizado para lá dos meros 15 minutos devido à sua “teimosia” em não ficar preso à Central Eléctrica de Battersea (já desactivada), localizada junto ao Rio Tamisa.

Isto passou-se em finais de 1976 quando os Pink Floyd decidiram atar um porco insuflável àquele complexo industrial, que resultaria na célebre capa do álbum Animals, este também inspirado na obra de Orwell.

Mas o Mr. Pig (como se lê num dos cartazes da banda) tinha outras ideias e acabou por soltar-se logo no primeiro dia da sessão fotográfica, indo parar a Kent, sendo recuperado por um agricultor local que se mostrou irritado porque o suíno terá assustado as suas vacas.

Esta parte da história será verdade, já que são vários os registos nesse sentido. No entanto, conta o mito urbano que durante a sua “fuga” o porco terá sido avistado por um piloto de um avião comercial e que este terá reportado à torre de controlo que estaria a ver um “porco a voar”.

 

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1 comentário:
De IT a 6 de Fevereiro de 2013 às 13:47
Realmente só quem não sabe como ataca um porco (ou javali) é que fez a triste figurinha de chamar nomes ao militar da GNR.

Para quem não sabe :
-um porco adulto carrega sobre um homem como um aríete;
-derrubado o adversário (e um porco tem 200-300 kg), morde-o ferozmente;
-um porco adulto -macho ou fêmea- mata uma pessoa com toda a facilidade.

A técnica de defesa é desviar-se no último minuto e pontapear, NO FOCINHO, o animal -esperando que ele desista.

Tudo o mais que mais fôr dito é apenas fruto da ignorância.

nb - de notar que o porco em causa, não é um vulgar porco rosado!



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