Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013
por Maurício Barra

A questão tribalista que divide o PS e que tem entretido os portugueses nas duas últimas semanas é, aparentemente, discutir a herança de Sócrates. Ou melhor, assumir ou não a herança de Sócrates. Isto depois de os portugueses, com o seu voto, em 2011, terem mandado para o lixo o que quer que seja que se intitula herança de Sócrates.

O PS, com esta discussão, com ano e meio de atraso, quer justificar o injustificável, e, na volta, reescrever a história dos últimos cinco anos ( desde 2008, o ano do “ataque ao controlo  do poder”; passando por 2009, o ano das eleições ganhas a mentir aos portugueses; batendo na parede em 2011, quando colocaram Portugal à porta da bancarrota; passando pelo exercício de hipocrisia de 2012, recusando assumir as suas responsabilidades; até 2013, quando o Governo começou a mostrar os primeiros resultados positivos da política de ajustamento do deficit, o que obrigou o PS a reflectir que os “amanhãs que cantam” já não à voltam lta da primeira esquina e que derrubar o Governo na rua se resume ao “wishfull thinking” de uma esquerda não democrática, muito minoritária, acompanhada pelo megafone da imprensa “amiga “ ).

Assim, não ocorre ao PS que o único caminho democrático que tem à sua frente e que, mais tarde ou mais cedo terão de enfrentar, é assumir que estão na Europa. Na Europa e no Euro. E incluídos nas condições económicas e financeiras que obrigatoriamente Portugal tem de cumprir para continuar a pertencer ao primeiro mundo. Tal como qualquer outro país europeu. Obviamente que tal não será compatível com a herança que discutem agora, com Estados sobredimensionados, mal geridos, ineficazes, submetidos ao projecto de poder de um grupo, que esgotaram e continuam a esgotar o bolso dos portugueses, e serviram para ser ocupados por uma nomenklatura.

No fundo, a questão é : querem a Europa ou querem a herança de Sócrates ?


tiro de Maurício Barra
tiro único | comentar | gosto pois!

3 comentários:
De Ajom Moguro a 11 de Fevereiro de 2013 às 10:57
EU VI UM SAPO
Quem não quer ver não vê. Esta encenação Coimbrã, bem à imagem da póstuma peregrinação a Matosinhos, foi apenas para brindar Seguro com mais uns passos de corda armadilhada, que o contador que lhe estabelece o fim de prazo de validade continua inflexivelmente accionado. Coitado, ele não comanda anda a reboque em atrelado carregado de sapos, que de tantos engolir acabará por rebentar com salpicos de carnaval até Paris. Chegará ao Natal?


De murphy a 11 de Fevereiro de 2013 às 21:41
Toda a malta do Pêeeéssssee já percebeu que Seguro não vai lá. Mas também ninguém quer demasiada turbulência que possa contaminar as autárquicas...
Há muito candidato socialista prontinho para capitalizar o descontentamento popular com o Governo e, até ao final do ano, a hora é de “sorriso amarelo”… É a vida!

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/uma-polemica-quais-os-ingredientes.html"


De Angelo Silveira Pereira a 12 de Fevereiro de 2013 às 22:53
Sr. Maurício Barra

Se o primeiro capítulo do seu tratado sobre o actual PS e a herança Sócrates já estava no domínio da ficção política, o segundo instalava-se definitivamente no campo do delírio histórico. Sem melindres de maior foi esta a minha apreciação. Agora... o que dizer do terceiro capítulo?
Os portugueses mandaram para o lixo a herança Sócrates? Foi o pior resultado de sempre do PS? Vale a pena lembrar o 'cometa' PRD de mui triste memória e figura? A herança Sócrates é e deve continuar a ser um orgulho para os Socialistas. Creio que não é necessário dar exemplos sobre o que foi o trabalho dos governos de José Sócrates. Assim mesmo, exemplos... mas não resisto a um, tão simples e elucidativo. Sócrates e o seu grupo de assalto ao poder promoveram as novas tecnologias como jamais foi feito no nosso País. Facultar o acesso à informação via computador ( e não foi só o Magalhães de boa memória) e internet revela bem o espírito antidemocrático e medroso dessa gente. Haja paciência sr. Maurício...
Diz ainda o sr. Maurício, que 2009 foi o ano das eleições ganhas a mentir aos portugueses. Mais uma vez lhe pergunto se por acaso não se enganou no ano...e no partido. Mas creio que não vale a pena.
Admito que não seja Socialista... mas por favor ( que fará a mim e a todos os seus leitores) não acuse sem fundamento nem deturpe a história. Dizer que o PS só tem um caminho que é o de reconhecer que está na Europa... é uma afirmação que não pode ser levada a sério. Naquele tempo em que a direita se refugiava nas palavras de Spínola sobre 'a sobrevivência da Nação no seu todo pluricontinental' já o PS, orgulhosamente só (infelizmente), colava cartazes que diziam: ' A EUROPA CONNOSCO' .
Saudações democráticas... e europeias,

Ângelo Silveira Pereira


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds