Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
por Luís Naves

Sérgio Lavos, em Arrastão, fica indignado com o que escreve José Manuel Fernandes, num post em Blasfémias.

Isto até podia ter dado um bom debate, mas o autor de Arrastão recusa dar qualquer razão ao texto que comenta. Aqui vê-se bem o diálogo de surdos que se instalou na blogosfera e a radicalização absurda que poderá estar a espalhar-se pela própria sociedade. A senhora em causa reformou-se aos 55 anos, mas julgo que não poderá queixar-se da sua reforma baixa. A tendência será para os trabalhadores se reformarem mais tarde, resultado ditado pela demografia. As pessoas vivem mais tempo e a população está a envelhecer depressa. Os abusos que Sérgio Lavos refere são situações de privilégio a que uma geração teve acesso, mas que não se repetem. A minha geração (nasci em 1961) terá certamente reformas máximas e em valores baixos.

Mas, sublinho, é pena que os autores não tenham debatido o tema e que um deles desate logo aos tiros.

Henrique Raposo escreve com ironia sobre algo que devia ser evidente para todos os portugueses.

Este autor de Insurgente, BZ (convinha perceber a assinatura), explica com graça e simplicidade a situação das contas públicas. Isto é tudo verdade, mas não é só assim: o problema das torres de marfim é que dão para ver a floresta e perde-se a noção da árvore. Estamos a falar de pessoas e os sacrifícios no corte do défice não são distribuídos de forma ideal, antes penalizam sobretudo os mais pobres (porque são pobres) e a classe média, (porque paga o essencial da factura). Sobretudo, os poderosos não devem esquecer isto.

 

Agora, em temas menos políticos, esta brilhante crónica de Manuel Jorge Marmelo, que se lê muito melhor do que a chuva de estrelas. A propósito, fonte bem colocada garante-me que os neutrinos são demasiado fraquinhos para superarem a velocidade da luz e que deve ter ocorrido um erro instrumental.

E este é um post típico daquele que, para mim, é um dos melhores blogues nacionais, Novo Mundo, de Isabela Figueiredo. É literatura e o texto deve ser lido como tal, de preferência em voz alta. Boa escrita, temas duros, nada politicamente correcto. É incómodo, mas o mundo é assim, cruel.


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