Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
por Luís Naves

Muito perto do décimo aniversário do 11 de Setembro, somos bombardeados com a obsessão mediática em torno desse acontecimento. Na verdadeira indústria que se criou, vendem-nos a tese de que os atentados mudaram o mundo.

Não quero desvalorizar, mas muito do impacto vem da circunstância de termos visto pela televisão. O mundo não mudou assim tanto, nem sequer a América: os aeroportos ficaram infrequentáveis, existe uma paranóia geral com a segurança, a hiperpotência fez duas operações de polícia que não deram em nada, os radicais islâmicos produziram muito ruído, atacaram e mataram, mas sem mudarem coisa alguma. É tudo.

Numa dimensão política, 2001 deixou o mundo mais ou menos na mesma. Os Estados Unidos por algum tempo namoraram a ideia utópica do unilateralismo, mas entretanto foram forçados a reconhecer os seus limites. Os atentados foram brutais e mataram quase 3 mil pessoas, mas não me parece que tenham demonstrado uma vulnerabilidade fundamental nas sociedades contemporâneas. Pelo contrário, o poder do Ocidente é esmagador.

Dez anos depois, o que vemos? Cada vez mais conscientes da respectiva fraqueza, os países árabes tentam livrar-se das ditaduras e querem conciliar o Islão com democracia parlamentar (o inverso do que pretendiam os radicais). O petróleo tende a ficar mais caro, mas isso não se deve a factores geoestratégicos, mas à sua crescente escassez.

O mundo em que vivemos é sobretudo dominado pela crise do capitalismo. E isso não tem qualquer relação com 2001. Tem muito mais a ver com 1989. Esse, sim, o ano em que o mundo mudou, a História a funcionar como uma lente, concentrando todos os acontecimentos.

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