Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013
por Fernando Moreira de Sá

 

Ontem, em Gaia. Hoje, em Lisboa. Amanhã vamos todos, como castigo pelo politicamente incorrecto do momento, a trabalhos forçados para o gulag a ser criado por estes "democratas".

 

Pode Miguel Relvas ser criticado? Pode e deve, faz parte da vida política (e da vida em geral). Pode Miguel Relvas ser apupado? Pode ele e qualquer outro político, árbitro, juíz, médico, polícia, blogger, etc. Faz parte da liberdade felizmente adquirida com a democracia. Pode Miguel Relvas ser impedido de falar/discursar nas cerimónias para as quais é convidado? Poder pode, só não é democrático. Chama-se censura, é violentar o direito à livre opinião.

 

Eu discordo de Miguel Relvas nalgumas coisas. Ele discorda, pelo menos que eu saiba, numa das minhas ideias, a regionalização e na questão da RTP foi público e notória a nossa divergência. Porém, cada um de nós pode, civilizadamente, discordar. E já aconteceu. Miguel Relvas só não foi impedido, ontem, de expressar as suas ideias, as suas convicções por menos de um fósforo. Hoje, a tirania imperou. O que se passou no ISCTE foi censura, pura e dura. Foi o total desrespeito pela liberdade de expressão. O resto é treta. É folclore.

 

Era tão fácil não escrever sobre isto. Era, não era? Só que eu nasci numa terra e no seio de uma família que sempre me ensinou os valores da Liberdade, os mesmos que hoje ensino à minha filha. Eu nasci no Porto onde podemos trocar os "v" pelos "b" mas nunca trocar a liberdade pela servidão.

 

Aqueles que agora fecham os olhos à intolerância serão os mesmos que, amanhã, dela se vão queixar. E se vamos pelo caminho do "olho por olho, dente por dente", citando Gandhi, " o mundo ficará cego e sem dentes...".


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | gosto pois!

De Rui Coisinho a 20 de Fevereiro de 2013 às 11:59
Então como se propõe que se faça um combate a um governo de maioria "totalitário", que subiu ao poder baseando-se em não-verdades?

Se em campanha defenderam que conheciam bem a situação de Portugal e que estavam prontos a governar - depois virem dizer que a situação não era o esperado para justificarem os "acertozinhos" sempre a cair do mesmo lado - é no mínimo pouco sério.

Dizer mal do TGV dos outros farsolas anteriores, para agora vir falar em comboios de elevadíssima velocidade para Madrid, para mercadorias? Para aquelas exportações todas que fazemos que têm de ir por terra para uma Espanha falida?

As promessas de campanha foram falhadas a toda a linha - tirando o preço dos juros para financiamento - a que se agarram para justificar tudo. O preço dos juros caiu por toda a Europa. Mesmo na Grécia. E não resolve nada do problema sistémico que temos - protela a resolução e só o piorará porque aumenta o endividamento a médio/longo prazo.
Privatizações com 1 único comprador a preço da chuva? Leilões em vãos de escada de património público? Quanto querem apostar que findo o mandato - em 2015 ou (espero sinceramente) antes disso - os cabeças de cartas irão pular, não para Paris como o outro, mas para conselhos de administração dos consórcios a quem fizeram o jeitinho?

Portanto - para evitar censuras e outras victimizações de boca cheia - gostava que o autor me dissesse como fazer boa resistência a este governo que nesta altura, passados pouco mais de 2 anos, já perdeu grande parte da confiança do seu eleitorado.

Ser democrata e nacionalista é isto? É ver o interesse nacional ser posto de lado - tirando nos discursos frouxos de cariz nacionalista bafiento - e ficar de bracinhos cruzados?
É esperar por 2015 caladinho e bem comportadinho, enquanto se vê crimes de gestão danosa a serem perpetrados em nome de todos?

Obrigado e ajude-me a entender o que há para além de contestação pública organizada?





De Cobarde a 20 de Fevereiro de 2013 às 14:24
Meus caros, já sou velha e não tenho educação académica relevante, mas ainda sei discernir, dentro da minha educação, o certo e o errado. E acho errado e de muito má educação interromper num espaço privado, a intervenção de quem quer que seja. A liberdade de expressão, não dá direito a ninguém de insultar usando palavrões. Se querem manifestar-se, a rua é o lugar por excelência, e a manifestação, espontânia ou orquestrada é um direito.
Quanto à opinião de que temos que esperar por 2015 para nos livrarmos destes políticos, estou plenamente de acordo; foram eleitos por sufrágio universal e têm o dever de governar até ao fim. Se era assim que esperavamos que acontecesse?, não, não era, mas perante o estado a que se tinha chegado, quem faria melhor?
E reparem, ninguém se atreve a censurar o governo a não ser é claro o BE e o PC, que podem prometar aumentos de salários e tudo o mais, porque é pouco provável que sejam governo.
Pobre democracia esta, pobres democratas que se arrogam donos da liberdade.



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