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Forte Apache

O bosão de Cavaco

José Meireles Graça, 23.02.13

Os serviços da Presidência da República detectaram um erro. Fizeram mal. Fizeram muito mal. Porque confessaram falha própria (porque não o denunciaram em mais de oito anos?), puseram em causa o Presidente de República anterior (que fica suspeito de permitir um clima de bandalheira na organização da sua casa), os deputados da legislatura de 2005, que votaram a lei mas ficaram tão fartos dela que nem a quiseram ver impressa, os da de 2009, que ficam tachados de arrogantes pelo descaso a que votaram o trabalho dos seus antecessores, e os da actual, que, mesmo andando o assunto nas bocas do mundo, nunca se deram ao trabalho de conferir o texto. Juristas, candidatos, jornalistas, fazedores de opinião, também saem feridos deste caso infeliz. E, por fim, eu próprio tenho que me penitenciar porque há dias ousei pronunciar-me sobre a Lei de Limitação de Mandatos, li-a, e não dei pelo conspícuo de, em vez do da.

 

Toda esta gente, e eu por arrasto, mereceria que a Presidência da República a poupasse à demonstração da sua imensa inferioridade. E perdoar-se-me-á porventura o desabafo: nós é que elegemos o Presidente da República, não foi ele que nos elegeu - lembrar-nos a nossa condição talvez demonstre alguma sobranceria.

 

É que, afinal, não vai faltar gente maldosa para insinuar que isto mais não é do que uma esperteza saloia para inaugurar um novo tipo de interpretação autêntica - a de quem se substitui a quem não soube, ou não quis, exprimir-se com clareza.

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