Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013
por Francisca Prieto

 

Estreia amanhã no Brasil o filme “Colegas”. Tive o privilégio de o ver em primeira mão, há um par de meses, no decorrer do Festival de Cinema de São Paulo, com direito a intervenção do realizador no final da fita.

Ganhou o Grande Prémio do Público.

 

Optei por não colocar aqui o trailer por me parecer que é redutor na medida em que se limita a apresentar um grupo de adolescentes com Síndrome de Down a fazerem palermices.

 

Marcelo Galvão, provavelmente por ser sobrinho de um portador da síndrome, conseguiu construir uma divertidíssima história com o olho e o par de ventrículos que só está acessível a quem convive de perto com estas pessoas. Chegou lá, à desarmante ironia e ao refinado sentido de humor, à pretensa ingenuidade que, por ser subestimada, raramente é tomada por inteligência pura.

 

Para nós, portugueses, há uma cereja inesperada a esborrachar-se no topo do bolo: o Rui Unas (actor com quem nem simpatizo particularmente) apresenta-se de forma hilariante a fazer de detective português.

 

Aplaudo a estreia do filme, como aplaudi de pé a sua apresentação, no meio de uma plateia de adolescentes trissómicos brasileiros, bonitos, espertos, bem arranjados e divertidos. E fico à espera que passe por cá.

 

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3 comentários:
De oberon a 27 de Fevereiro de 2013 às 23:51
o essencial é que estejam bem arranjados


De Francisca Prieto a 28 de Fevereiro de 2013 às 13:54
É, sabe porquê? Porque infelizmente a sociedade ainda tem a imagem do trissómico ranhoso, a assoar-se à manga da camisa e vestido de fato de treino coçado. E essa é a imagem do coitadinho a quem se faz uma festinha ou se oferece meia dúzia de palavras quando se é caridoso.
A par com tudo o resto, é preciso que andem bem arranjados (tal como toda a gente, ou melhor que toda a gente), para que sejam vistos como pessoas dignas e como potenciais forças no mercado regular de trabalho.
É preciso que tratem dos dentes para que ninguém desvie o olhar quando fala com eles. É preciso que façam desporto para não ficarem obesos e para não andarem desengonçados.

Se acha que o aspecto visual de uma criança ou de um adolescente com défice cognitivo é uma questão menor, está muitíssimo enganado. É um factor que pode fazer toda a diferença na integração escolar e profissional.




De Francisca Prieto a 28 de Fevereiro de 2013 às 14:06
Acrescento que, muito recentemente, uma jovem adulta com SD, depois de muitos trâmites do grupo de pais, foi a uma entrevista de emprego num hospital e conseguiu o lugar.
Sabe qual foi a primeira coisa que disse ao pai quando soube?
Que tinha de ir cortar o cabelo, que ia começar a trabalhar e que tinha de estar impecável.
Não acha que aparecer bem arranjada no seu primeiro dia de trabalho é importantíssimo para esta jovem?
Ou acha que é só para os outros? Que os trissómicos têm é que se ralar com terem um QI abaixo da média.


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