Terça-feira, 18 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Ao longo dos quinze meses em que escrevi no Blogue de Direita da Sábado (de Setembro de 2009 a Janeiro de 2011), o tema que mais me ocupou foi de longe o dos "amigalhaços da construção civil", isto é, os negócios entre os socialistas do PS e do Sócrates e os socialistas da Mota-Engil e do Jorge Coelho (por exemplo aqui). Abordei esse tópico várias vezes também no Albergue Espanhol.

 

Escrevi vezes sem conta que os tê gê vês e as novas auto-estradas e as novas pontes e os novos aeroportos tinham rentabilidades negativas para o Estado e que, portanto, só gerariam maior probreza (tal como, de resto, estava descrito nos estudos económicos e pareceres encomendados, bastava ir, por exemplo, ao site da RAVE). Tais obras públicas agravariam o endividamento português, contribuindo para acelerar o rumo em direcção à bancarrota. E previ que, à medida que se avançava nesse caminho, os políticos, para evitarem in extremis a falência do país, acabariam primeiro por cortar nas despesas sociais e nos apoios aos mais pobres em vez de cortar nos investimentos com rentabilidade negativa.

Escrevi também que políticas de obras públicas ruinosas não poderiam ser o resultado de uma ideologia (nem socialismo, nem keynesianismo, nem coisa nenhuma) nem poderiam ser causadas pela ignorância económica, pura incompetência ou a mais supina estupidez. A causa era esta: desonestidade. Desonestidade pura: dinheiro dos contribuintes oferecido de mão-beijada pelos socialistas do PS aos amigalhaços da contrução civil. Desonestidade que, muito possivelmente, foi praticada dentro da legalidade, observando todos os trâmites legais, mas desrespeitando do modo mais baixo a essência da lei: a vontade e o interesse geral.

Com as notícias recentes sobre Paulo Campos, Ascendi, Estradas de Portugal, aeroporto de Beja, PPPs, SCUTs, Parque Escolar (a minha antiga secundária parece um centro comercial de Tóquio, até plasmas tem por todo o lado) e tantas outras e observando o agravar da pobreza em Portugal - é mais do que evidente que acertei em todas as minhas previsões. E isso, desta vez, é muito triste.


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