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Forte Apache

O tema da remodelação . . . .

Maurício Barra, 27.03.13

O tema da remodelação do Governo é um assunto que cresce gradualmente, sobretudo no seio do eleitorado que elegeu este Governo. A oposição, pelo seu lado, quer que o Governo se mantenha tal como está.

Quando se fala em remodelação, existem sempre os indefectíveis, os tais que se atiram para dentro de um poço se lhes mandarem que o façam, para quem abordar este tema é uma traição ao trabalho, ao sacrifício, ao objectivo que o Governo tão ardorosamente quer concluir. Mas o momento não está para estas atitudes holiganistas. Nem para os que evitam reflectir sobre a situação política.

Este início de 2013 exige – obriga - a reconhecer que o “tempo” da acção política destes últimos dois anos chegou ao fim do seu ciclo. Mas, e ao contrário do que alguns poderiam pretender, o novo “tempo” não é para pôr em causa o que foi feito, mas sim para consolidar num novo paradigma político os sacrifícios que os portugueses sofrem desde 2011.

Nos últimos dois anos este governo persistiu em usar - nem sei como dizer - uma espécie de afasia, ou seja, não conseguiu explicar politicamente o que fez e porque o fez: a começar por desdenhar de culpar precisamente o governo de Sócrates pela catástrofe a que conduziu o país, depois por estarem sempre a ser surpreendidos pela realidade por persistirem na mania que a economia do país era tão boa como achavam que tinha de ser, passando por assumirem que as consequências do acordo de ajustamento não necessitavam de ser geridas politicamente. Espera-se agora que o orgulho não lhes diminua a capacidade de raciocínio, porque  têm de perceber que Portugal precisa de uma nova política que transforme o acordo de ajustamento orçamental em algo mais do que o ajustamento em si mesmo, numa plataforma a partir da qual se alavanque crescimento económico e criação de emprego.

A questão não é mudar nomes. A questão é mudar políticas. A  questão é criar uma visão para um futuro melhor. Afirmando claramente fidelidade ao euro, à Europa e às respectivas normas económicas e financeiras europeias,  deve passar a reivindicar com uma maior assertividade os métodos da sua aplicabilidade a Portugal. Assumir que se queremos um Estado Social sustentável, o mesmo terá de ter uma gestão eficaz e à dimensão que o país possa suportar ( e perceber que têm de estar preparados para ter capacidade negociadora de chegar a acordo com os socialistas que, quando mais de aproximar 2015, vão perceber que não podem continuar a “ fugir com o rabo à seringa” ) E ter um programa político credível de acções concretas que lidere e dê esperança a este país encalhado na sua falta de esperança.

Política que globalmente tem que ser clara num objectivo prático: libertar gradualmente os portugueses da asfixia tributária que agora sofrem. Este objectivo político proporcionará liderança estratégica (eliminando a hipocrisia daqueles que no PS continuam a preferir a ter um Estado sobredimensionado por motivos ideológicos mesmo que à custa do sacrifício dos portugueses) e táctica (a mais eficaz bandeira eleitoral para as eleições de 2015).

E esta nova estratégia política tem tudo para dar certo. Mesmo agora, no período mais negro de governação, o governo PSD/CDS continua a ter 36 a 38 % de apoio directo, o seu principal adversário não passa dos 31 a 33 %, os comunistas e bloquistas continuam acantonados nos mesmos números de sempre e, muito importante, 10 a 15 % dos eleitores que votaram neste governo continuam indecisos em voltar a apoiar o PS.

Desta vez, o tema da remodelação não é para gerir intrigas, ódios mal disfarçados e promover afilhados.

Desta vez a remodelação é pura estratégica e é para fazer política a sério. Porque o interesse nacional assim o exige. E porque Portugal, neste momento, precisa de um Governo que seja inteligente e audaz.