Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
por Alexandre Guerra

 

Corria o Verão de 2001. O Médio Oriente estava a “ferro e fogo”. A intifada de al Aqsa estava prestes a entrar no segundo ano, com terroristas suicidas a fazerem-se explodir quase todas as semanas nas cidades israelitas e os territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza em autêntico estado de sítio.

Em Ramallah, o autor destas linhas, tinha uma entrevista marcada com aquele que era, talvez, o principal líder da segunda intifida, sobretudo junto da população mais jovem.

Marwan Barghouti, destacado dirigente da Fatah (então secretário-geral) e, alegadamente, fundador das milícias Tanzim, uma espécie de braço armado daquele movimento político, era há algum tempo um dos homens mais procurados pelas forças de seguranças israelitas (IDF).

No seu escritório em Ramallah, lá estava Barghouti, uma figura de pequena estatura, com ar amistoso e com o seu famoso bigode. Cordial e acessível, embora não exibisse uma simpatia excessiva, o militante da Fatah demonstrou desde logo uma convicção política firme.

A entrevista foi partilhada com um jornalista da agência de notícias alemã, e apesar das insistências, Barghouti nunca admitiu que era o líder das milícias Tanzim, responsáveis por vários atentados terroristas contra Israel.

Serpenteava-se como um verdadeiro político na forma como respondia às perguntas mais sensíveis que lhe eram colocadas, chegando mesmo a dizer que acreditava que a Palestina ia ser independente “dentro de cinco anos” (Foi este o título da entrevista depois publicada no jornal Público. No entanto, a História viria demonstrar que Barghouti estava errado).

Quem não estava errado eram os interlocutores de Barghouti, quando o confrontaram com a sua relação com as Tanzim, já que hoje não parece haver muitas dúvidas quanto a esse facto. Aliás, uma relação que Israel nunca duvidou da sua existência. De tal forma, que dias antes desta entrevista, aquele militante palestiniano tinha escapado a um atentado selectivo das IDF contra o carro onde viajava.

Um ano mais tarde, os soldados israelitas acabariam por deter Barghouti, sendo condenado posteriormente a 5 penas perpétuas.

Quando, na semana passada, foi tornado público o acordo de troca de prisioneiros que estava a ser forjado entre o Governo israelita e o Hamas, uma centelha de esperança reacendeu-se para milhares de palestinianos, que viram aqui uma oportunidade para fazer regressar a casa o carismático Barghouti. Mas, rapidamente essa esperança se esvaneceu.

Sabendo do prestígio e da notoriedade do ex-líder das Tanzim, a quem muitos chamam de o “Mandela palestiniano”, as autoridades israelitas tiveram o cuidado de deixar bem claro desde o início deste processo de troca de prisioneiros, que se prolongará durante os próximos meses, que Barghouti não estava incluído nas listas dos palestinianos a serem libertados.


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