Sábado, 13 de Abril de 2013
por Pedro Correia

Dois pesos, duas medidas. A 8 de Março, por unanimidade, a Assembleia da República aprovou quatro - repito: quatro - votos de pesar pela morte de Hugo Chávez. Unanimidade que não se repetiu, longe disso, na sessão parlamentar de ontem, ao ser aprovado um voto de pesar pelo falecimento de Margaret Thatcher: os comunistas votaram contra, o PEV naturalmente também, o Bloco de Esquerda idem aspas. O sectarismo destes partidos em relação a quem não professa a mesma cor política não ocorre só em vida: evidencia-se também na fase post mortem.

Mas o mais espantoso, na votação de ontem, foi verificar que 13 deputados socialistas, depois de terem lamentado a morte de Chávez, não foram capazes de fazer o mesmo por Thatcher, abstendo-se na votação. Tratando-se da primeira mulher que ascendeu à chefia de um Governo ocidental, tratando-se de uma líder política que foi sufragada pelos eleitores britânicos em três eleições sucessivas, tratando-se de uma figura com inegável relevância histórica, nem assim mereceu um gesto de cortesia parlamentar destes socialistas, quase equiparados em sectarismo a comunistas, verdes e bloquistas.

Como se estivessem sentados na bancada errada.


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6 comentários:
De Bento Norte a 13 de Abril de 2013 às 22:58
Democratas de bancada.

"É próprio de homens de cabeças medianas investir contra tudo aquilo que não lhes cabe na cabeça" (António Machado)


De Pedro Correia a 15 de Abril de 2013 às 21:51
Gosto muito de Machado, um dos meus poetas preferidos.


De falcão a 13 de Abril de 2013 às 23:15
O politicamente correcto é próprio dos hipócritas, assim como a falta de honestidade intelectual (no mínimo), é própria dos hipócritas politicamente correctos. Confundir princípios com sectarismo, pode ser falta de honestidade intelectual ou a hipocrisia elevada ao expoente máximo da cobardia. Que haja quem goste de prestar vassalagem póstuma em forma de homenagem , a criminosos e racistas só porque foram eleitos, não pode servir para julgar quem o não faz por defender o anti-racismo e condenar o crime. E se essa senhora é uma personalidade com relevância histórica como diz, também o seu amigo Pinochet o é e Hitler também. Um nunca foi sufragado por eleitores nenhuns - Pinochet -, o outro chegou ao poder como a senhora Thatcher, e todos conhecemos o que significou para o avanço da humanidade a política dos três. De qualquer maneira, há que reconhecer a coerência da direita no tributo aos seus guias ideológicos.


De xico a 14 de Abril de 2013 às 01:12
Só um pequeno reparo, Falcão.
Hitler foi eleito uma vez e acabou com as eleições. Thatcher foi eleita três vezes. Má ou boa foi a escolha livre de um povo, coisa que poucos países de esquerda da altura se podiam vangloriar.
Não conheço a natureza das relações de Thatcher com Pinochet, mas percebo que no interesse do Reino Unido foi importante, naquele período e com uma guerra nas Malvinas, aquelas relações. Como hoje são importantes as relações dos países democráticos da Europa com ditaduras tão más ou piores do que a de Pinochet.
Repare que até a esquerda, para servir os seus interesses no ataque a Thatcher, se aliou simbolicamente à ditadura de Videla!


De murphy a 15 de Abril de 2013 às 16:02
O que pode explicar, senão sectarismo, alguma esquerda (onde cabe parte do ps) permitir-se tomar posições de solidariedade com ditadores da URSS, de Cuba ou da Coreia do Norte mas, por exemplo, opor-se a um voto de pesar pelo falecimento de uma ex-primeiro ministro como M. Thatcher ou, como recentemente sucedeu na AR, pelo falecimento do major-general Jaime Neves?!

Este comportamento, é mais próximo de democracias ocidentais ou de regimes tribais de estilo africano?
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/momentos-que-definem-republica.html


De Pedro Correia a 15 de Abril de 2013 às 21:51
Boas perguntas, Murphy.


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