Sexta-feira, 19 de Abril de 2013
por Alexandre Guerra

 

Obama conforta a mãe de uma vítima do tiroteiro de Newtown após a conferência de imprensa na Casa Branca de Quart-feira/Foto: Doug Mills/The New York Times

 

O Congresso norte-americano tanto é capaz de defender os mais elevados valores que se pretendem para uma sociedade democrática avançada, inspirando povos em todo o mundo, como pode cometer os maiores atentados ao progresso da "polis", gerando as maiores desconfianças e traindo o eleitorado que representa.

Quarta-feira, 90 por cento dos americanos (a julgar pelas sondagens), incluindo o Presidente Barack Obama, sentiram-se frustrados e, até mesmo, revoltados com o bloqueio no Senado de uma proposta de "bill" com várias medidas que iria na direcção de controlar o louco e frenético mercado interno de armas.

Refira-se que as medidas eram muito "suave", impondo algumas restrições pouco significativas, mas nem assim conseguiu ultrapassar o poderoso lobyy das armas, personificado naquela câmara do Congresso por mais de 50 senadores (a lei precisava de pelo menos 60 votos em 100 senadores para passar), que se opuseram à sua aprovação.

Obama, com razão, disse que aquela votação envergonhava "Washington". Mas mais do que isto, aqueles senadores traíram os americanos e fizeram vir ao de cima o pior da política dos corredores do poder: a cedência a uma minoria de americanos radicais na sua abordagem à II Emenda, com a National Rifle Association (NRA) à cabeça.

A imprensa americana foi implacável com os senadores que votaram contra a "bill", sobretudo porque esta foi forjada pelo democrata Joe Manchin e pelo republicano Pat Toomey, ambos entusiastas de armas.

Apenas quatro meses depois depois da América e os seus políticos terem "chorado" a morte de 20 crianças e seis adultos numa escola em Newtown, Connecticut, o Congresso não correspondeu às expectativas da sociedade, que após as promessas feitas pelos governantes em Dezembro esperavam medidas concretas.

Não só o Senado inviabilizou uma proposta de "bill" que fosse nesse sentido, como pretende tirar o tema da agenda. Harry Reid, líder daquela câmara, disse que os legisladores iam agora dedicar-se a outros assuntos e fazer uma "pausa" na matéria do controlo de armas.

Entretanto, é certo que mais tragédias vão acontecer nos Estados Unidos com armas de fogo e nesses momentos lá virão, novamente, todos os políticos em uníssono "chorar" os mortos e prometer medidas para combater o controlo de armas. Mas no final, já se sabe, fica tudo na mesma, imperando a hipocrisia e os interesses de minorias poderosas. E assim se vê a política americana no seu pior.


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2 comentários:
De jfd a 20 de Abril de 2013 às 02:29
Vergonhosos os democratas que tornaram isto possível.


De Emanuel Lopes a 24 de Abril de 2013 às 16:31
É uma questão ideológica. O problema destes assassínios em massa, não é o acesso a armas de fogo. É o acto em si. Eu quero acreditar que nos outros países isto não acontece porque as pessoas não têm acesso a armas mas sim porque sabem que não o devem fazer. O Sr. sabe que o Reino Unido tem uma taxa de crimes violentes 4 vezes superior aos EUA? Que descontando os homicídios entre gangs, os EUA tem uma taxa de homicídio parecida com alguns países Europeus? Que nas Américas é lider destacado na posse de armas, mas está nos últimos lugares ao nível de homicídios? O Sr. sabe que os gangs raramente atacam cidadãos comuns por receio que estes andem armados? Que no Brasil é ao contrário, só uma ínfima percentagem tem armas legais e que é muito mais fácil adquirir uma arma ilegal? Não tem este país uma taxa de homicídio e de crimes violentos muito superior aos EUA? Por último, as armas são uma forma de defesa contra a tirania e lembre-se que, mesmo numa democracia, podem sempre dois lobos e uma ovelha decidir o que é o jantar.


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