O discurso do Presidente da República emparedou as facções ideológicas do PS : os graves problemas nacionais exigem soluções nacionais. Sem subterfúgios. Obtendo consensos onde eles são necessários e possíveis. E para as quais não existem alternativas.
Contudo, a reacção da esquerda democrática e não democrática ao discurso foi similar: preferem uma crise política. E o caos económico. Os interesses nacionais, acima dos partidários, continuam a não lhes interessar ( o que não é novidade nenhuma: levaram o país à bancarrota; e não assumiram a responsabilidade da sua solução ). Assim, pensa o PS, continuar a explorar a angústia dos portugueses dá dividendos imediatos e permite não deixar o monopólio da rua para o PC e o BE.
Mas esta atitude do PS, onde convivem o projecto de poder pessoal de Sócrates, uma esquerda serôdia neo-realista, as ambições tacticistas de António Costa e um aparelho que quer, mas tem medo, de assumir uma linha socialista europeísta atrás de Seguro, também é, sobretudo, absurda para um partido que quer ser poder: objectivamente estão a ajudar à renovação da liderança política do Governo nesta segunda parte do seu mandato, no qual irão ser aplicadas muitas das medidas de investimento e criação de emprego que são consensuais e de que o PS, antes de Portugal ter condições para isso, de uma forma demagógica fez sua bandeira.
Não me admiro se as tendências das sondagens começarem a inverter-se em benefício do Governo. Os portugueses, bem avaliados os prós e contras, preferem olhar para o interesse das suas famílias a longo prazo.