Quinta-feira, 9 de Maio de 2013
por José Meireles Graça

Ele há ventos de pequena e de longa duração; há a brisa, a tempestade, o furacão, o tornado, o ciclone e o tufão, entre outros; há lufadas, ventos de monção e alíseos; há-os predominantes; há-os com nomes - o Foehn nos Alpes, o Chinook nas Montanhas Rochosas, o Sirocco no Sahara, o Harmatão, que vem do Sahara e que em chegando a Cabo Verde muda de nome para Lestada e é descrito como bruma seca, o Khamsin, o Simun, o Suão, o Ukiukiu, o Zéfiro, o Mistral, a Tramontana, o Bora e inúmeros outros. Há ventos muito nossos: por exemplo, a Nortada, que conheci, muito pequeno ainda, na Póvoa de Varzim, e o Lariço, um vento queque que sopra em Cascais. Existe mesmo um vento lusófono, o Garroa, que tanto sopra em Setúbal como em Moçâmedes.

 

Modernamente, as alterações climáticas engendraram um vento de um tipo inteiramente novo, ao qual nem o Povo nem a comunidade científica (esta porque o fenómeno está ainda mal estudado) puseram ainda nome. Designo-o provisoriamente como Palermice.

 

Este vento sopra predominantemente da Esquerda, qualquer que seja o lugar em que nos encontremos, e embora possa em casos extremos levar à destruição dos habitats, tanto em regiões tropicais como temperadas (Cuba ou Coreia do Norte, por exemplo), limita-se normalmente a causar danos às capacidades cognitivas dos habitantes desprotegidos.

 

Veja-se este golpe de ventania na Suécia: O Vänsterpartiet quer obrigar os senhores a urinar sentados, não com o meritório propósito de lhes esvaziar completamente as bexigas, mas sim por causa da igualdade de género. As senhoras, com efeito, não se aliviam de outra maneira senão sentadas, e esta diferença inculca a intolerável ideia de que os dois géneros não são exactamente iguais, circunstância que alguns de nós, irremediavelmente reaccionários, encaramos com simpatia. O Vänsterpartiet está porém atento e quis remover esta manifestação de supremacia masculina. Fê-lo porém, a meu ver, com inabilidade, porque poderia, e deveria, admitir a obrigatoriedade de as senhoras urinarem de pé, isto é -  em vez de os rebaixar a eles, elevá-las a elas. Não fossem as impecáveis credenciais esquerdistas daquela boa gente e poder-se-ia suspeitar que esta falha grave de rigor lógico derivava da indevida influência do lobby dos fabricantes de calcinhas.

 

Isto na Suécia. Mas bem perto de nós também não faltam possivelmente manifestações deste fenómeno atmosférico. Ainda no transacto dia 1 um cidadão declarou, alucinado, que sabia fazer contas, após o que se lançou numa arenga em que demonstrava concludentemente que não as sabia fazer. A história foi narrada aqui, e há todas as razões para pensar que se trata de uma manifestação concreta da influência deletéria do Palermice.

 

Razões por que, desta ignota tribuna, lanço um alerta: é urgente a criação de mais um Observatório (será o 428º) para acompanhar de perto esta inquietante evolução. Por razões de economia, talvez no âmbito do das Alterações Climáticas, que já acolhe no seu seio o departamento de Aquecimento Global.

 


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4 comentários:
De jfd a 9 de Maio de 2013 às 19:49


De José Meireles Graça a 9 de Maio de 2013 às 20:29
Xiu, Jorge, nem a Esquerda asneira sempre, nem a Direita as acerta todas, mas não convém divulgar. Esse texto é comovente.


De jfd a 9 de Maio de 2013 às 20:33
;)


De xico a 9 de Maio de 2013 às 20:48
São nostalgias do tempo em que a evolução estava pelas amibas e minhocas, que são seres neutrais no que ao sexo se refere. Fossem às serranias das Beiras ou pelo Alentejo onde também sopra um Xaroco, e veriam mulheres de pêlo na venta, mijaram de pé!


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