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Forte Apache

Cama feita

Francisco Castelo Branco, 24.01.13

António Costa garante que vai ao congresso. A reunião magna não está marcada mas o actual Presidente da Câmara de Lisboa já disse que vai estar presente. Na qualidade de Presidente da maior Câmara do pais ou como futuro candidato a secretário-geral do PS? E o que pensa o actual secretário-geral do PS de uma eventual recandidatura de António Costa a Lisboa? Dará o seu apoio?

Seguro já não tem margem para fugir à realidade. Se conseguir vencer os adversários internos pode ser que ainda tenha uma esperança de vir a ser Primeiro-Ministro, no entanto eu duvido porque a cama há muito que está feita. 

Em política não há coincidências

Pedro Correia, 23.01.13

Os primeiros sinais positivos das finanças portuguesas desde o pedido de intervenção externa (regresso aos mercados após 30 meses, com juros abaixo dos 5%, garantindo as necessidades de financiamento de Portugal para este ano; execução orçamental abaixo do limite do défice para 2012 previsto no memorando de entendimento; seis avaliações positivas ao cumprimento das metas de consolidação orçamental impostas pelos nossos credores do FMI, do BCE e da Comissão Europeia; primeira balança comercial positiva desde 1943) estão a acelerar algumas pulsações nas fileiras do Partido Socialista. A economia é o melhor barómetro para entendermos certas movimentações políticas.

António José Seguro bem tentou reclamar para si os louros da dilatação dos prazos previstos para o pagamento da nossa dívida, mas não consegue convencer ilustres socialistas, que lhe vão apertando o cerco, conscientes que a recuperação da economia portuguesa daqui a um ano já será realidade, de acordo com as previsões do Banco de Portugal: aguardar pacientemente um longo processo de desgaste dos rivais internos deixou de ser a palavra de ordem.

Os sinais são evidentes. Pedro Silva Pereira, ex-ministro da Presidência, afirma em entrevista à Rádio Renascença que a principal força política da oposição ainda não se apresenta como uma "alternativa credível" ao Governo PSD-CDS, enquanto reclama a antecipação do congresso do partido - cenário já rejeitado pelo dirigente socialista José Junqueiro. Outro deputado do PS, José Lello, defende também um congresso "o mais breve possível", pressionando Seguro. O ex-ministro da Defesa e dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, no seu habitual espaço de comentário na TVI 24, diz sem papas na língua que a recente trapalhada no PS em torno da ADSE resultou de "um erro de liderança".

E - superando em acutilância os seus camaradas de partido - António Costa aproveitou também a sua tribuna de comentário televisivo semanal, na SIC Notícias, para acusar Seguro de partir para as próximas batalhas políticas "diminuído, sem autenticidade, sem convicção, sem capacidade de confrontação, sem capacidade de formulação de uma alternativa sustentada". Isto enquanto tarda em confirmar a sua recandidatura à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

Terminou o tempo de esperar para ver: estas vozes não se levantam agora por acaso. Em política, nunca há coincidências.

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Importa-se de repetir? (XXIV)

Sérgio Azevedo, 23.01.13

No regresso de Portugal aos mercados, oito meses antes do previsto, o PS vira-se para dentro. Pedro Silva Pereira, neste mesmo dia que assinala um novo começo embora não constituindo a libertação absoluta da dependência económico-financeira nem do difícil caminho de austeridade, entende "que o PS precisa de fazer mais para se apresentar como uma alternativa credível" defendendo que o congresso do PS, para a eleição do secretário-geral, deve realizar-se "o mais rápido possível".

 

Pedro Silva Pereira entendeu bem o significado da importância de Portugal em regressar mais cedo que o previsto aos mercados. Assim como também entendeu bem que o PS perdeu em toda a linha. Porque nunca defendeu estes pressupostos e porque nunca, o PS, soube estar ao lado do governo em todos estes momentos para que, com legitimidade, reclamasse vitória.

 

O PS tem sido isto. António José Seguro ainda não percebeu. Pedro Silva Pereira e os portugueses em geral já!

Jerónimo!!!!!!!!!!!!*

jfd, 12.01.13


 

O líder do Partido Socialista, António José Seguro, prevê visitar a China em 2013, a convite do Partido Comunista Chinês (PCC), confirmando as “relações amigas” entre as duas organizações, revelou esta sexta-feira a presidente do PS, Maria de Belém Roseira. (...)

 

* o post poder-se-ia ter intitulado também de "Notícias sem interesse".

 

Seguro deve escutar González

Pedro Correia, 03.12.12

 

A esquerda radical nunca perdoou o reformismo de Mário Soares. O fundador do PS descolou o partido da órbita comunista, integrando-o ainda antes do 25 de Abril como força autónoma da oposição à ditadura. Após a Revolução dos Cravos, Soares liderou o PS no combate ao extremismo esquerdista - e foi mil vezes atacado por isso. Enfrentou com sucesso as tentativas do PCP de hegemonizar a esquerda portuguesa, fez alinhar os socialistas com a social-democracia europeia, opôs-se aos militares radicais que após 1976 pretenderam manter a tutela sobre o poder civil, decretou políticas de contenção financeira quando esse era um imperativo patriótico destinado a evitar a bancarrota, encaminhou o País para a integração europeia e nunca hesitou em separar águas na defesa permanente da democracia representativa.

Este é o Soares que todos conhecemos. Já o Soares dos últimos anos, que parece querer transformar o PS numa espécie de partido irmão do Bloco de Esquerda, está irreconhecível. Porque desmente a todo o passo a sua própria biografia política - uma biografia que sempre se opôs ao "frentismo" de esquerda, ao aventureirismo extremista e a todas as tentativas de cortar o passo à democracia representativa, nomeadamente através da diminuição do papel do Parlamento no conjunto das instituições políticas portuguesas.

 

O Soares de 2012 diz coisas semelhantes às que o PCP disse dele quando foi Governo, entre 1976 e 1978, primeiro, e de 1983 a 1985, depois - dois mandatos que decorreram sob o signo da crise financeira e da intervenção de emergência do FMI para sanear as contas nacionais. Também os comunistas disseram então que Soares queria "destruir a democracia". Também os comunistas se apressaram a passar certidões de óbito aos governos que liderou. Também os frentistas de esquerda chegaram a propor Executivos "de iniciativa presidencial" sem o recurso a eleições, como mandam as boas regras democráticas. Também a esquerda radical lhe apontou por diversas vezes a porta da rua, para "mudar de política".

Bem fez António José Seguro, através do seu líder parlamentar, ao lembrar ao fundador do PS que os governos não caem por pressão das ruas ou de cartas abertas: a democracia tem regras próprias que devem ser respeitadas. Era isso, aliás, que o Soares das décadas de 70, 80 e 90 defendia - por vezes contra fortíssima pressão partidária e mediática. É isso que, estranhamente, o Soares de 2012 parece ter deixado de defender.

 

Tudo isto sucede quando outra figura de referência do socialismo europeu, Felipe González, recomenda aos socialistas espanhóis um percurso inverso ao que Soares hoje defende: em vez de um partido a caminhar cada vez mais para a esquerda, o homem que há 30 anos levou o PSOE a um triunfo esmagador nas urnas aconselha os seus pares a retomar a "vocação de maioria" para recuperar o centro.

"O PSOE [Partido Socialista Operário Espanhol] perdeu a vocação de maioria e tem de recuperá-la. Tem de conseguir isto encarando a sociedade e auscultando as suas necessidades. Não de forma sectária, mas com espírito de consenso." Palavras de González que Seguro deve escutar com atenção. Por estarem em linha com as teses do Mário Soares que venceu eleições em 1976, 1983, 1986 e 1991. Não com o Soares que saiu derrotado das presidenciais de 2006 e desde então parece caminhar em colisão com a rota que sempre traçou.

 

Imagem: Felipe González e Mário Soares (2010). Um quer hoje os socialistas a virar ao centro, outro defende um PS ainda mais à esquerda

 

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Seguro já está no modo "vale tudo"

Rodrigo Saraiva, 25.10.12

Pessoas protestarem nas galerias do parlamento não é novidade. E mandam as regras que sejam retiradas, sendo as galerias encerradas, o que também não é novidade. Depois o protesto segue na rua, com declarações à imprensa, o que também não é novidade. E normalmente há deputados de partidos marginais que se juntam para cavalgar a onda. Mas ontem não se viu o PCP nem o Bloco. Viu-se Tozé Seguro. É o vale tudo.

Alternativas... ou não.

Rui C Pinto, 20.10.12

Acabei de ouvir o discurso de António José Seguro na convenção autárquica do PS, em Felgueiras. (os media nacionais entraram em modo de campanha eleitoral e there's no turning back. só assim se explica que tal acontecimento político seja notícia)

 

É notável que todo o discurso político alternativo do secretário geral seja assente na acção do Banco Central Europeu... O PS devia ser processado por se recusar a fazer um discurso credível, realista e alternativo.

 

Enquanto os Antónios Costas desta vida andam entretidos com experiências de trânsito, a oposição ao governo continua a fazer-se nas ruas por manifestações "espontâneas". 

O Problema Sexual do PS

Maurício Barra, 04.09.12

Desculpem a ironia, mas a afirmação de A J Seguro de que não está "contra os objectivos do acordo com a troika, mas está contra as medidas", faz-me lembrar - e pedindo desculpa à Virgem Maria -, faz-me lembrar, dizia eu, aquele cavalheiro que queria ter um filho com a sua senhora mas, "coisar com o coiso na coisa", ai isso é que não !