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Forte Apache

Elegia à ignorância

José Meireles Graça, 27.02.12

Henrique Raposo não diz, mas digo eu, que se a cidade mais a Sul de Portugal fosse Coimbra boa parte dos nossos problemas, a começar pela dívida externa, estariam a caminho de desaparecer.

E o segredo mora no trabalho, na criatividade e na imaginação de uma colecção de inapresentáveis grunhos, incapazes pela maior parte de articular convincentemente as razões do seu próprio sucesso, falhos de diplomas e de teorias profundas, distantes de Lisboa, das elites que pensam, dos que comem à mesa do Orçamento, dos monopólios e dos oligopólios.

Se andassem atentos, papagueariam e ouviriam coisas como estas:


"Ou Portugal muda o seu modelo de desenvolvimento, apostando na inovação, na ciência e nas tecnologias do futuro, ou nunca sairá da cepa torta"; "Como aconteceu em Oulu e um pouco em toda a Finlândia, o futuro de sucesso está na existência de sólidas ligações entre as universidades e as empresas".

"Portugal não planeia, sendo por isso um país sem futuro e que serve de alavancagem para que países como a China entrem no mundo".

"... assinala ainda o que considera ser alguma falta de empenho dos empresários no sentido de exportar mais".


Apostas no futuro, desafios assim e assado, planificações, modelos de desenvolvimento, ligações entre isto e aquilo, alavancagens, Presidentes à míngua de dizer coisas, empresários do discurso desenvolvimentista à sombra do Estado, e visionários com ideias argutas sobre a melhor forma de gastar o dinheiro do contribuinte - temos há décadas.

Agora que o dinheiro dos outros acabou, e o nosso também, talvez esteja aberta (como é que eles dizem?), ah, uma janela de oportunidade.

Isto se, e apenas se, os nossos dirigentes forem um pouco básicos, bastante teimosos e de ideias fixas; ou se a realidade fizer as escolhas por eles. Será?

Portugal, visto de fora, e em cera, é Aníbal

José Adelino Maltez, 02.02.12

 

Depois de Luís de Camões, Aníbal Cavaco Silva. Consta que o dr. Mário Soares já emitiu sonoro protesto contra esta ultrapassagem cénica e de museu. Mas a verdade é só uma: a soma de uma década de chefe do governo com mais uma, ainda em curso, de chefia de Estado. Portugal, visto de fora e em cera, é Aníbal, mesmo sem Barca, mas com muita memória de elefantes. Nem Saramago o destrona, na Espanha da bonecada. Todas as revoluções são sempre pós-revolucionárias.

 

Imagem picada aqui

Olha quem fala!

jfd, 30.01.12

(...)O que eu peço a esses cavaquistas, que eu não sei quem são, anónimos, é que desamparem a loja, o tempo deles passou, calem-se, desapareçam, reformem-se, brinquem com o que quiserem, mas não com o país”, defende o antigo líder do PSD.

Não comprometam o Presidente, não obriguem o Presidente a perder espaço de manobra e a ter que dizer que não tem nada a ver com esses cavaquistas”, sustenta Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Cavacadas de Portugal

Francisco Castelo Branco, 24.01.12

Muito se tem dito e escrito sobre as declarações de Cavaco Silva. À semelhança do que aconteceu com a frase de Sócrates sobre a dívida e a questão da emigração levantada por Passos Coelho, o Portugal pequenino diverte-se à conta de uma frase do actual Presidente da Republica, que por esta altura celebra um ano do seu segundo mandato em Belém.

Ora, temos vindo a assistir entre nós a uma autêntica desvirtualização e campanha negra contra declarações proferidas por responsáveis políticos. Tudo começa por uma frase tirada do contexto que depois é comentada pelos habituais politólogos da praça e escrita nos jornais pelos mesmos de sempre e muito bem ironizada na blogosfera.

Durante dias e dias o assunto é o mesmo e nada de novo se diz.

Sem me referir ao que o PR disse, porque se uma pessoa abdica do seu mísero vencimento em nome da austeridade é porque tem a noção de cidadania. Até porque já se falou demais deste assunto e não queria contribuir para alimentar mais um fait-divers.

No entanto, é estranho que já se peça a demissão do actual Presidente por causa destas declarações.

Assim vai a nossa política e o mundo que a rodeia. Sem assunto sério para discutir, sem responsabilidade. O mais grave de tudo é o facto de não haver propostas, caminhos, pensamentos e ideias que nos conduzam a um rumo. O que interessa é o que x ou y disse ou quis dizer.

Há muito tempo que andamos divertidos com questões menores e não saímos do mesmo sítio.

Reagimos assim porque sabemos que vamos para a bancarrota?

Apoio Cavaco Silva: Pelo Mérito e Contra o Ódio

Ricardo Vicente, 24.01.12

A propósito do post anterior de Luís Naves...

Eu não sinto estranheza nenhuma: a violência das reacções às palavras de Cavaco Silva é explicada pelo factor do costume: o mesmo velho racismo social que escolheu há já décadas Cavaco  Silva como inimigo público número um.

No Portugal socialista que andamos a sofrer desde 1974, as simpatias são dirigidas exclusivamente aos aristocratas: soares, socialistas, militares e outros. Ao mesmo tempo, quem sobe a pulso vindo de família pobre é sempre desdenhado e detestado.

Uma grande parte da sociedade portuguesa tem uma inveja odienta ou um ódio invejoso a todos os que se fazem a si mesmos. Portugal odeia o mérito. E usa da mais rasteira falsidade para dar largas a esse ódio: ainda no outro dia ouvi um comediante popular acusar Cavaco Silva de ter sido toda a vida um privilegiado.


Por outro lado, as pessoas dão mais valor à forma do que à substância. Políticos fotogénicos, com verbo fácil e estilo mãe-galinha são preferidos a gente séria que diz o que pensa e diz a verdade sem eufemismos nem embelezamentos. Guterres, Sampaio, Sócrates foram preferidos a Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite.

 

Os portugueses preferem também a literatice à economia. As cabeças portuguesas não aguentam muito cálculo e as frases verdadeiras, directas e justas magoam muito os nossos sentimentos. Cavaco Silva é culpado de ser economista e isso é o mesmo que não ter literatura. Viveu em África e Inglaterra mas será sempre injustamente denunciado de "não ter mundo". Mas qualquer analfabeto de contas e finanças é louvado desde que seja republicano, socialista e laico.

 

A balança pende pois sempre mais para um soares do que um cavaco e isso explica muito da actual desgraça e frustração portuguesas. O resultado é esta triste vida poética em que se fala de Quinto Império, maçonarias, lusofonia mas só se encontra mediocridade, corrupção e subserviência canina a tudo o que não é nacional (o aborto ortográfico é só um exemplo entre um número infinito deles).

Gostaria que alguma dessas fábricas de teses de mestrado politicamente correctas, que afirmam que Portugal é muito mais racista, homofóbico e machista do que os outros países e do que os portugueses pensam, se debruçasse sobre este assunto: o racismo social e o ódio ao mérito neste país.

Politicamente incorrecto

Fernando Moreira de Sá, 23.01.12

Se de cada vez que uma multidão assobia a um político ele se demitir, estamos feitos: eleições todos os meses. 

Não pretendo nem desvalorizar o que o Presidente da República disse nem o que a multidão pretendeu dizer. Este segundo mandato de Cavaco Silva só está a ser difícil por sua causa. Se não quer dizer as coisas de forma simples e clara, é preferível que não diga nada. Não é Mário Soares quem quer.

Porém, daí ao "tumulto" de certa esquerda perante a expressão de descontentamento de uma multidão, vai uma enorme distância. 

A nossa AD e as declarações do presidente Cavaco.

João Gomes de Almeida, 23.01.12

 

Nunca como hoje fez tanta falta o PPM do antigamente nesta AD. Sei que esta frase pode criar agitação nas hostes de todos aqueles que como eu defendem e sempre defenderam este governo - que na minha modesta opinião tem feito o que consegue e muitas vezes o que não consegue, para endireitar o nosso país e cumprir à risca o acordo estabelecido com os nosso credores.

 

Digo isto depois de mastigar, ao longo do fim-de-semana, as declarações do Professor Cavaco Silva. Resumindo: as palermices ditas pelo próprio e largamente citadas em todo o lado, explicam em grande parte o porquê de eu ser monárquico.

 

Nunca um chefe de estado, no estado a que chegou o nosso país e perante a calamidade social que muitos portugueses enfrentam, pode proferir tais declarações. É inaceitável que o originalmente modesto Cavaco de Boliqueime, na posição que ocupa, possa usar do seu exemplo - bem remunerado ao longo da vida e com imensos privilégios legítimos dos cargos que ocupou - para dizer que está a sentir a crise e que não sabe como irá arcar com as suas despesas.

 

Um rei nunca diria isto, porque o vínculo que o une ao seu povo é muito maior e na maioria das vezes mais ténue, obrigando-o a ser verdadeiramente um porta-voz dos eleitores que nunca o elegeram, mas que têm sempre o ónus do poderem mandar dar uma volta quando lhes apetecer.

 

Voltando ao primeiro parágrafo. A esta AD fazem visívelmente falta homens de boa vontade, que ponham em causa o regime republicano, que cem anos depois de instaurado nada fez pela melhoria da nossa qualidade de vida e que nada augura de bom para os próximos cem anos do nosso Portugal. O momento deve ser de profunda reflexão em torno do nosso país e do seu futuro, "pelo que não devem existir assuntos tabu" (cito Manuel Alegre nas comemorações do centenário da república).

 

Nos momentos que correm, houvesse um PPM no governo - como o de Ribeiro Telles, Augusto Ferreira do Amaral, Barrilaro Ruas, João Camossa, Rolão Preto e Luís Coimbra - e a próxima revisão constitucional certamente atribuíria ao povo português a possibilidade de pela primeira vez referendar o seu regime. Parar, pensar, votar e decidir, sobre o futuro da sua nação - em decréscimo, desde há mais de um século.

 

Perante o estado de sítio a que chegámos e perante o descrédito das instituições, sei que o povo português irá reagir. Só espero que a classe política portuguesa tenha a coragem de discutir abertamente o regime. As mudanças mais simbólicas, na maioria das vezes, são aquelas que mais fazem por uma nação.

Cavaco Silva: Muito Bom

Ricardo Vicente, 13.10.11

"Vamos constatando a emergência de um directório, não reconhecido nem mandatado, que se sobrepõe às instituições comunitárias e limita a sua margem de manobra. Este é um caminho errado e perigoso. Errado porque ineficaz. Perigoso porque gerador de desconfianças e incertezas que minam o espírito da união".

 

"Enredada numa retórica política de recriminações mútuas, evitando reconhecer a responsabilidade partilhada, ignorando a evidência dos riscos de contágio, hesitando na solidariedade, oscilando nos instrumentos a usar, promovendo uma deriva intergovernamental, a União Europeia deu guarida a uma crescente especulação sobre a zona euro, alimentando as incertezas sobre o próprio futuro da moeda única".

 

(Ler tudo aqui).