Sábado, 15 de Setembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Hoje, antes mesmo das manifestações, escrevi e expliquei (nas redes sociais) o motivo porque não iria. Agora, com mais tempo e espaço, explico o motivo de não ter ido.

 

Não, não fui. Respeito imenso todos aqueles que foram. Compreendo bem os motivos de muitos amigos que foram. A liberdade materializa-se de muitas formas e uma delas é a liberdade de expressão e participação em manifestações. Foi a forma escolhida por muitos milhares de portugueses. Mesmo muitos. Eu sou militante do PSD, do PSD que não desvaloriza a força de um movimento popular como aquele que hoje se viu um pouco por todo o país e em especial no Porto e Lisboa. Para mim é tão ou mais significativo os cerca de cinco mil manifestantes que estiveram em Braga como os 500 mil que participaram em Lisboa.

 

Escrevi nas redes sociais que não usaria a desculpa de estar a trabalhar para me escusar (mesmo sendo verdade que estava a trabalhar). Não, não foi por isso. Foi, como disse antes, por ainda ter esperança. A esperança de quem ainda acredita no Pedro Passos Coelho que conheci antes das directas, com quem tive o privilégio de debater ideias em encontros de bloggers, no Pedro Passos Coelho que a ouvia a opinião de tantos e tantas que agora talvez estejam adormecidos(as). Ainda quero acreditar. Não tanto por mim. Pela minha filha, pelos meus sobrinhos que acabaram de entrar na universidade, pela minha mãe e pela minha sogra que são reformadas. Pelo meu país.

 

Eu percebo bem, se percebo, os motivos que levaram tantos milhares de pessoas a ir para a rua. Percebo e conheço a realidade dos funcionários públicos e as razões que assistem a boa parte deles, daqueles que lutam diariamente com brio e profissionalismo em prol do bem comum, sem o devido reconhecimento e que, nos últimos anos, desde a chegada da troika, são tratados como se fossem parasitas da sociedade. Eu percebo bem, se percebo, a revolta dos trabalhadores do sector privado ganhando cada vez menos e trabalhando cada vez mais na permanente angústia de perderem o seu posto de trabalho por via da crise económica na empresa onde trabalham. E percebo, ó se percebo, o desespero de tantos e tantos empresários ameaçados de impostos, num verdadeiro esbulho fiscal, que limita o investimento e agrava a saúde financeira das empresas. E o números pornográfico de desempregados em Portugal? É verdadeiramente assustador.

 

Porém, também percebo que o caminho trilhado por Portugal a partir, sobretudo, dos anos noventa e agravado nos últimos anos, obrigando a uma intervenção externa humilhante por parte da chamada troika, nos obriga a mudar de vida. Penso ter moral para, hoje, escrever tudo isto. Apoiei Pedro Passos Coelho, sou militante do PSD, escrevi, pouco depois da tomada de posse deste governo que era preciso ter cuidado para não matar o doente com a cura. No primeiro aniversário do mesmo, voltei a escrever sobre o doente e a cura. Por várias vias, que não apenas estas, procurei chamar a atenção para diversos factores (RTP, QREN, política fiscal, Turismo, Economia, etc.). É essa moral que me obriga a sublinhar que o meu PSD não desvaloriza o que se passou hoje e só o PSD de gente fora da realidade o poderá fazer.

 

A mesma moral que me faz sublinhar que este caminho, em termos de política fiscal, nos pode conduzir à ruptura, ao abismo. Que não se pode tomar decisões políticas duras sem as explicar muito bem. Mesmo muito bem. De forma a que todos percebam os motivos, as razões e a fraqueza de eventuais alternativas. Que não se pode seguir um caminho que mais do que nos levar à pobreza nos levará à profunda miséria. Que não se pode exigir aos trabalhadores, à classe média e às PME medidas duras e, ao mesmo tempo, continuarmos, todos, sem perceber o conteúdo das famigeradas parcerias público-privadas e accionar os mecanismos legais que obriguem quem prejudicou o país a responder perante a justiça. Que nos expliquem o que se passa com o QREN, dinheiro que nem sequer é nosso, que está completamente parado e sem pagar a quem deve. Que não se mudam as regras a meio do jogo sem respeitar os direitos daqueles que não tiveram culpa nenhuma.

 

Eu quero lá saber do que diz Manuela Ferreira Leite, o que não diz Paulo Portas ou da lata daqueles que nos conduziram a esta desgraça e agora gritam contra a troika, a mesma que nos apresentaram como os salvadores da pátria. O que eu quero, o que a maioria dos portugueses desejam é ver soluções. É saber se temos responsáveis governativos que conhecem o mundo real e que não estamos perante fantásticos professores universitários, profundos conhecedores do pensamento dos diferentes teóricos da economia e das finanças mas que, para desgraça nossa, nunca geriram nem um simples condomínio quanto mais uma empresa. Será pedir muito? Será assim tão exigente pedir um pouco de senso comum, uma simples descida ao mundo real? Será assim tão difícil perceber que nenhum país sobrevive sem uma classe média minimamente forte? Será que não reparam que estamos a destruir a nossa classe média e que, dessa forma, se vai destruir o país? É isso que quer a troika? Para quê?

 

E quero, já agora, que tudo isto nos seja devidamente explicado. Sem amadorismos comunicacionais como aqueles a que temos assistido nos últimos dias. Em suma, eu quero política mesmo.

 

Hoje não fui. Não por considerar, e até considero, que uma crise política neste momento é o fim. Não. Eu não fui porque ainda tenho esperança. Ainda quero acreditar que o Pedro Passos Coelho que conheci, que ouvi, ainda existe neste corpo de Primeiro-ministro que os portugueses lhe vestiram.

 

Quando a esperança morrer, serei o primeiro a ir para a rua e lutar. Com muito mais força do que a utilizada quando foi preciso combater as políticas do anterior governo. De braço dado com aqueles amigos que hoje estiveram nos Aliados, com quem não estive nesta hora.

 

Por agora, quero continuar a ter esperança. A desesperar por ela. A acreditar em Portugal.

 


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | comentar | ver comentários (3) | gosto pois!

Domingo, 9 de Setembro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Resiliência

tags:

tiro de Rodrigo Saraiva
tiro único | comentar | gosto pois!

Sábado, 18 de Agosto de 2012
por Diogo Agostinho

Falar de retoma em 2013 é não olhar para os sinais internacionais. Portugal brilhou na última edição dos Jogos Olímpicos. Phelps é hoje melhor nadador depois de umas braçadas com Manuel Pinho. As festas na aldeia olímpica foram ao gosto e animadas pelos nossos portugueses e hoje ficámos a saber que Bolt veste equipamento made in... Portugal. A exportação é mesmo o melhor caminho para o nosso cantinho.


tiro de Diogo Agostinho
tiro único | comentar | gosto pois!

Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
por jfd

A centralidade e autoridade de que Vítor Gaspar dispõe no Governo português e o “mantra neoliberal” que consistentemente é entoado pelo primeiro-ministro são ensinamentos que Espanha devia retirar do vizinho mais pequeno, que já leva um ano de intervenção externa.

A conclusão é da Reuters, que ontem divulgou um longo texto de análise intitulado “Líder de Espanha podia aprender algumas lições de Portugal”, depois de constatar que nem a promessa europeia de ajuda à banca, nem o novo pacote de austeridade, deram alento aos investidores, que continuam a cobrar prémios de risco crescentes para financiar o Estado espanhol. (...)

 

Mais uma notícia para ser comentada com desdém por quem não respeita o que nós portugueses estamos a passar e o que se está a fazer pelo futuro.

Vamos aguardar pela ruptura dos pensos rápidos franceses e pela queda das promessas populistas, para depois também os podermos chamar de fascistas.

Ó pobre e retórica esquerda, onde te esconderás? Como te justificarás?

Nunca, de facto, foi tão pertinente dizer que os cães ladram...


tiro de jfd
tiro único | comentar | ver comentários (8) | gosto pois!

Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
por jfd

O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) colocou 2 mil milhões de euros em duas linhas de Bilhetes do Tesouro (BT), o montante máximo previsto, com maturidade a 6 e 12 meses, com a 'yield' mais baixa.

Portugal colocou assim 1,25 mil mihões a um ano, numa operação onde a procura superou a oferta em 2,4 vezes, valor que compara com o rácio de 2,7 vezes registado no último leilão comparável. O juro baixou face a esse último leilão, fixando-se nos 3,505% face aos 3,834% anteriores. 

Os custos da emissão de Portugal em BT a 12 meses ficaram abaixo dos custos que Espanha foi obrigada a pagar ontem, na mesma maturidade, tendo a 'yield' atingido os 3,918% - embora tenha também tido uma quebra face ao último leilão comparável, que tinha sido de 5,074%.

Já em relação aos BT a seis meses, o IGCP colocou 750 milhões de euros, sendo que a taxa média ponderada desceu para 2,292% face aos 2,653% do último leilão com a mesma maturidade. Neste caso a procura de BT a seis meses excedeu a oferta em 3,8 vezes, face aos 4,3 vezes registadas no último leilão.

O director de gestão de activos do Banco Carregosa, Filipe Silva, diz que este resultado mostra que "os investidores olham para Portugal com menos receio exigindo taxas mais baixas e ignoram de certa forma o que se passa com Espanha, pois ainda ontem o Governo Espanhol emitiu bilhetes de tesouro a 12 meses com uma taxa de 3,918%, taxa bem superior à conseguida hoje para o mesmo vencimento".

Apesar do resgate internacional, Portugal tem conseguido financiar-se no mercado primário com emissões de dívida de curto prazo. O memorando de entendimento prevê que o "verdadeiro" regresso ao mercado aconteça no terceiro trimestre do próximo ano.

(...)


tiro de jfd
tiro único | comentar | ver comentários (7) | gosto pois!

Terça-feira, 17 de Julho de 2012
por jfd

Sempre disse que um político, eleito pelo povo para a causa pública, deveria ser escrutinado até ao tutano pela comunicação social.

Sempre disse que esta se deveria assumir. Dizendo ao que vem e quem defende. Desvirtuando-se de imparcialidades fabricadas e mantidas com fios de algodão.

Sempre disse também que a esses políticos atacados e acossados pela comunicação social lhes caberia responder quando assim o entendessem. Pois não são por ela governados, nem para ela deveriam governar.

Ora este meu último pensamento terá ficado ligeiramente pervertido pela existência do primeiro e real manipulador da comunicação social em causa própria: José Sócrates. As teias foram profundas. Os exércitos bem mantidos e motivados. As manobras bem calculadas. E as tácticas bem bellow the belt; quando não ia de encontro ao seu desígnio, a fera-tornada-cordeiro-e-depois-fera-de-novo lá mostrava as garras e tudo voltava ao lugar.

 

Ora agora temos um outro, dito, caso. Enquanto antes a diversão para com a comunicação social serviria de distracção daquilo que nos levou à beira do fim, agora temos esta utilizada como distracção daquilo que está a ser tomado como medidas sem as quais não nos poderemos afastar do mesmo abismo.

Reformas corajosas e que influenciam; de norte a sul, da direita à esquerda - com os poderes instalados. As forças do deixa andar e do status quo.

 

Manifestações convocadas por elites intelectuais que encontram no Estado financiamento para suas aventuras.

Manifestações de desdém para com um Processo de Bolonha por parte dos que até agora estavam de boca calada.

Manifestações que exigem dignidade e transparência mas que em legislaturas anteriores nada reclamaram.

Manifestações de células sindicais que vão acordando à passagem de caravanas governamentais e com tácticas pouco democráticas.

Fogo amigo de pessoas que legitimamente se deixam manipular pelas capas, opinadores e outros que tais. E fogo amigo que de amigo apenas tem a origem - encerrando em si um rancor que muito tem de irresponsável tendo em conta os desígnios do País, e muito mais de desejo pessoal de protagonismo e de vingança.

 

Faz-se neste momento pelo futuro de Portugal.

Pouco interessa a eloquência abundante e estéril de bispos, opinadores, amigos e pouco amigos.

Já grave e interessante é quem, não respondendo directamente por quem escreve ou fala no órgão A ou B, se refugia editorialmente nas opiniões desses protagonistas como sendo suas e não dos meios que dirigem. Limpando cobardemente as mãos e permitindo que ataques ad hominem passem em branco manchando cada vez mais o bom nome de certas publicações e programas. Vistos e ouvidos.

 

O que já me interessa é que está um Governo no leme de Portugal. Com um plano. Em um ano ganhou a confiança do exterior. Graças aos sacrifícios de todos nós. Estamos a penar. Num caminho de pedras. Mas se antes tínhamos um caminho de rosas cujo final era uma queda para o nada sem fim, agora temos uma luz no fundo do túnel. E não uma luz utópica ou retórica. É tão real como o sangue que temos nos pés que caminham sobre as pedras da austeridade.

 

Sei que o Governo está empenhado. Todo ele. E no que toca ao Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, nem que veja o fim da sua carreira política, levará a água ao seu moinho - as reformas serão feitas. Gostem ou não gostem os que serão afectados.

E estranho o povo que não entende que o ruído criado apenas serve para que não lhe chegue a mensagem do que realmente está em causa. Daquilo que alguns querem defender. 

 

Não há conspirações nem campanhas negras. Existem factos. E esses estão na presença de quem os quiser abanar, retirar-lhes o ruído e areia, e constatar.

 

Tudo o resto é conversa. Tudo o resto é treta.


tiro de jfd
tiro único | comentar | ver comentários (5) | gosto pois!

Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
por Pedro Correia

Na noite de 27 de Junho, num jogo concluído com um empate após prolongamento e que culminou com a lotaria das grandes penalidades, Espanha eliminou Portugal, qualificando-se para a final do Campeonato da Europa de futebol, que viria a ganhar goleando a Itália. Ficámos à beira do título sem conseguirmos lá chegar. Mas superámos todas as expectativas, que à partida eram muito baixas. E alguns dos mais exigentes críticos internacionais da especialidade não hesitaram em qualificar aquele Portugal-Espanha como o verdadeiro jogo da final do Europeu.

Indiferentes a essas expressões de admiração alheia, de imediato começámos a escutar um coro de críticas: é o habitual nestas ocasiões. Se em alguma coisa o português se esmera é nas contínuas sessões de autoflagelação. Após três semanas de silêncio dos Velhos do Restelo, enquanto se sucediam as vitórias da equipa das quinas no Euro 2012, as tais sessões ressuscitaram minutos após essa suadíssima meia-final disputada na Ucrânia. Motivo? "Apenas" ficámos em terceiro lugar entre as 16 melhores selecções de futebol da Europa. "Apenas" empatámos ao fim de 120 minutos com os campeões do Mundo. É português "apenas" o melhor treinador da actualidade. É português "apenas" um dos dois melhores jogadores da modalidade à escala planetária. "Apenas" são portugueses dois detentores do prestigiado Prémio Pritzker, de arquitectura. "Apenas" era português o vencedor do Nobel da Literatura de 1998. "Apenas" é portuguesa uma das mais bem cotadas pintoras da actualidade. "Apenas" é português o único cineasta ainda em actividade que iniciou a carreira no tempo do cinema mudo.


Isto tem a ver com a pura incapacidade de valorizarmos o que é nosso. Mesmo quando é reconhecido, aplaudido e distinguido noutros países e noutros continentes. O nosso problema não é desvalorizarmos as derrotas, como alguns sustentam. Parece-me que o problema é precisamente o inverso: as boas notícias, para uma certa cultura dominante, tornam-se más notícias. Convivemos mal com os triunfos. Regresso ao futebol, pois é um tema emblemático: lá fora, apontam-nos como uma das três ou quatro melhores selecções da Europa; nós, pelo contrário, autoflagelamo-nos por não termos sido campeões.

E não suportamos o triunfo em ca(u)sa própria. Repare-se no que sucede com José Mourinho ou Cristiano Ronaldo: por mais provas públicas que dêem de talento e sucesso, encontrarão sempre detractores entre os compatriotas. O mesmo se aplica, noutros domínios, a um Lobo Antunes, um Siza Vieira, um António Damásio, uma Maria João Pires, uma Paula Rego, um Manoel de Oliveira.
O futebol serve de símbolo. Ou de metáfora. De um povo que olha para o copo e o vê sempre vazio. Mesmo quando tem água.

Publicado também aqui


tiro de Pedro Correia
tiro único | comentar | ver comentários (7) | gosto pois!

Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
por Luís Naves

Pensei em chamar-lhe indignação organizada, mas não tenho a certeza de conseguir descrever o fenómeno. Leio por exemplo blogues e encontro o discurso por todo o lado, à esquerda e à direita, mesmo em publicações próximas da coligação no poder. Tudo merece a indignação. É azul, pois isso indigna o autor. É verde, pois também indigna o autor. Está em cima? É uma vergonha! Está em baixo, pois também é uma vergonha! O motivo é simples: porque.
Lembra as marés poderosas, não vale a pena nadar contra. Quem tenta fazer esse exercício é um propagandista, ou pior, um vendido. O fenómeno parece ter conquistado as mentes mais diversas, é transversal aos partidos e aos quocientes de inteligência. Não há alternativa: tudo o que está a ser feito é mau e errado; a Europa é má e errada. Os factos são dispensáveis. Estamos todos profundamente indignados.
Ninguém tenta escavar um pouco mais fundo. Fulano anda indignado, pois bem, que nos explique o motivo. Este exercício simples tem sido evitado. Talvez víssemos algo diferente: os que têm motivos para indignação não são ouvidos e os que são ouvidos não têm motivos para estar indignados. 
 


tiro de Luís Naves
tiro único | comentar | ver comentários (4) | gosto pois!

Terça-feira, 26 de Junho de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Bem...aquele meu "companheiro" de clube escusava de o ter abraçado com tanta força, eheheheheh.


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | comentar | gosto pois!

Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
por Fernando Moreira de Sá

O Norte já prepara as suas festas populares. Toda uma região que está de braços abertos à Vossa espera. Aqui fica o Porto e Norte em apenas cinco minutos, um vídeo promocional lançado ontem, na abertura da primeira Loja de Turismo Interactivo da Europa, no Aeroporto Internacional do Porto - Francisco Sá Carneiro:


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | comentar | gosto pois!

Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
por Francisca Almeida

Quando me convidaram para assinar um espaço quinzenal de opinião aqui no NG perguntei, naturalmente, o que dele se pretendia. Se se procurava uma crónica sobre a vida política local ou se me podia estender a considerações sobre a política nacional e europeia. Disseram-me com uma abertura extrema: Será sobre o que quiser, o que achar relevante. Podem ser críticas, crónicas ou até "desabafos"!

Esta semana trago, justamente, alguns desabafos. Considerações avulsas, todas motivadas por acontecimentos ocorridos nas duas últimas semanas, e que - julgo - dizem alguma coisa de nós enquanto povo.

 

 

CENTRALISMO

O pior centralismo - francamente pior do que aquele que decorre dos erros sucessivos dos vários governos ao nível do investimento e da política de desenvolvimento das cidades - é o que ainda teima em morar no espírito de muitos de nós.

A ignorância com que alguma Lisboa olha para o resto do país relembra-me o pobre Artur d' A Capital! de Eça de Queirós. O mesmo Artur que chegou fascinado a Lisboa, decidido a renegar as origens para ser um "lisboeta de gema" e, ironia do destino, acabou por regressar desencantado à vida mais pacata, mas tremendamente mais genuína, de Oliveira de Azeméis.

Na passada semana, acabada de entrar num táxi, lá veio a frase do costume: É do Norte, vê-se pela pronúncia... Vem do Porto? Não, sou de Guimarães! Oh, é quase a mesma coisa! Naturalmente que não me contive, e lá fui desvendando as identidades - que são tantas e tão diferentes - das cidades desse outro país longínquo que é norte de Portugal.

Coincidentemente, poucas horas depois, estava já no bar da Assembleia da República para um almoço rápido: Hoje é melhor não pedir um prego. Está muito atrasado, temos cá um grupo grande. São de onde? - perguntei. Do Porto - respondeu-me o funcionário. Enquanto saía, ouvi atrás de mim uma voz desconhecida: "São do Porto?! Vieram à civilização".

Que dizer? "Não há nada mais assustador que a ignorância em acção." (Goethe)

 

IDADES

Nunca ninguém está contente com a idade que tem. Adolescentes clamam pela idade adulta, os mais velhos entoam de ora em vez um "ó tempo volta para trás". Não conheço qualquer estudo que - pelo menos a partir da idade adulta - relacione a idade com a competência, com o compromisso, com o empenho ou a orientação para resultados. Mas na cabeça de muitos, eles existem! Existem numa certa condescendência com que os supostos mais velhos ocasionalmente tratam os mais novos, do estilo, "Quando tinha a tua idade, também achava que podia mudar o mundo". De resto, já deixei de contar as vezes em que perguntam como é ser deputada tão jovem, ou como me sinto ao ser a mais jovem vice-presidente da bancada do Grupo Parlamentar do PSD. Normalmente respondo dizendo que se a idade for um problema, o tempo encarregar-se-á de o resolver e que, por enquanto, gostaria de ser avaliada no mesmíssimo patamar de exigência que os meus colegas mais velhos. Que exijo - e, ademais, mereço, - ver o meu trabalho sindicado segundo os mesmos parâmetros. Para o bem e para o mal.

Tudo porque, em boa verdade, "Não mudamos com a idade na estrutura do que somos. Apenas, como na música, somo-lo noutro tom." (Vergílio Ferreira)

 

 

A PESCA DE SALMÃO NO IÉMEN

O título faria prever um filme entrado directamente no circuito do DVD. No entanto, lá acabei por aceitar ir ver o que me garantiram ser um bom momento de cinema sobre utopias tornadas realidade à custa de persistência e de muita vontade. Perfeito, portanto, para os tais " jovenzinhos" à procura de mudar o mundo. 

O certo é que, dormindo sobre o assunto, pus-me a cismar sobre a forma como tradicionalmente tendemos a descredibilizar os projectos que nos parecem demasiado "out of the box". Num tempo em que a realidade veio pôr em causa algumas verdades ocasionalmente havidas como dogmas, talvez devêssemos premiar de outra forma o arrojo, a inovação e o empreendedorismo daqueles que arriscam um emprego por um sonho.

Quem ousaria imaginar que salmões britânicos ainda viriam a nadar nas águas do Iémen?

(artigo publicado no jornal Notícias de Guimarães)


tiro de Francisca Almeida
tiro único | comentar | ver comentários (6) | gosto pois!

Domingo, 10 de Junho de 2012
por Fernando Moreira de Sá

tags:

tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | comentar | gosto pois!

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
por Pedro Correia

 

Aos 89 anos, recém-festejados, aquele que é o maior pensador português contemporâneo continua a proporcionar-nos as mais estimulantes reflexões sobre o destino lusitano e a nossa relação sempre dilemática com o mundo que nos rodeia. Talvez porque se trate do ponto de vista de um "estrangeirado": Eduardo Lourenço observa há seis décadas Portugal a partir do exterior, que é sempre de onde melhor se analisa esta velha nação que durante séculos condenou alguns dos seus melhores filhos ao exílio.

Uma entrevista resulta quando consegue surpreender o leitor e levá-lo a reflectir no meio do ruído informativo que a todo o momento nos devolve o eco de ecos anteriores. É o caso desta, publicada no diário i e conduzida por Maria Ramos Silva, que revela um mérito raro: a jornalista sabe dialogar com o entrevistado, sabendo de antemão que a notícia ali é o que ele diz, não o que ela possa pensar.

«Temos uma identidade logo ao nascer que nos é dada pelo facto de nascermos de uma mãe. Depois há que reencontrar a mãe. De alguma forma perdemo-nos da mãe e a mãe se perde de nós. O homem tem que reinventar uma coisa que lhe dê uma ideia que existe. Mas uma pessoa não tem uma identidade como quem tem uma estatuazinha dentro de si. Temos a impressão que não somos nós que vemos o sol mas é o sol que nos vê, antes de mais. Quando se perde isso ficamos numa solidão absoluta. Pessoa deu conta disso como ninguém e teve que inventar de uma maneira virtual esse outro tu, sem o qual era um Ulisses à procura de uma Penélope, que para ele nunca existiu. Toda a gente se reconhece nessa solidão, a solidão de que estamos num mundo em que não conhecemos o sentido do começo, nem do meio nem do fim.»

Palavras lapidares de mestre Lourenço, que nas suas frequentes viagens ao país natal traz sempre na bagagem um exemplar d' Os Lusíadas. Palavras que continuamos a ter o privilégio de escutar através da escrita.


tiro de Pedro Correia
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012
por Constança Martins da Cunha

tags:

tiro de Constança Martins da Cunha
tiro único | comentar | ver comentários (1) | gosto pois!

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
por jfd
Le Portugal face au quotidien de l'austérité

LE MONDE

Restriction drastique des remboursements de médicaments, doublement du tarif des tickets modérateurs, difficulté d'accès aux centres hospitaliers : au Portugal, le secteur de la santé est en première ligne des restrictions budgétaires imposées en 2011 pour faire face à la crise. Le principe, inscrit dans la Constitution, du droit à la santé gratuite est désormais mis à mal. Autre exemple d'un secteur sacrifié sur l'autel de l'économie : la culture, et en particulier le cinéma. Les caisses sont vides ; aucun nouveau projet n'est soutenu. "Le cinéma portugais risque de s'effondrer", s'alarme le réalisateur Manoel de Oliveira

 (...) 

sinto-me:

tiro de jfd
tiro único | comentar | gosto pois!

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
por José Adelino Maltez

 

Ontem, devorando, ao segundo, o debate das presidenciais francesas, compreendi como o meu quotidiano está tão dependente das questiúnculas do politiqueirismo francês, quanto do alemão, do italiano ou do grego. Por cá, até Passos Coelho deve estar a torcer pela vitória de Hollande. Com a mesma convicção PPE que Sarkozy demonstrou, ao tentar esquivar-se da camaradagem com Berlusconi. Malhas que a hipocrisia da política europeia tece. "Espelho de enganos, theatro de verdades, mostrador de horas minguadas, gazua geral dos reynos de Portugal"...

 

Daqui a uns anos, os historiadores, ao analisarem as parangonas dos dias que passam na política interna portuguesa, criarão uma nova categoria de sexo dos anjos, a nomeação dos representantes da partidocracia para o Tribunal Constitucional. Ficará para a categoria do riso aquele desabafo de uma ilustre nomeadora da Corte, a que ficou danada quando descobriu que o respectivo indigitado não lhe confessou as respectivas filiações filosóficas, de acordo com a terminologia oficial da comissão europeia. Assim se demonstrou como a nomeação para a vigilância da constitucionalidade assenta em bases mentais materialmente inconstitucionais. Porque é destes meandros e pormenores que se faz o todo. Por isso é que os analistas costumes, que reportam a matéria para o resto do mundo polido e civilizado, apenas nos continuam a incluir na zona das mercearias entrevadas.

 

Poucos terão reparado no pressuposto politicamente correcto em que radica a escolha dos juízes do tribunal constitucional. Se os partidos, em nome do parlamento, escolhem políticos, a escolha é partidária, mas se são condenados a escolher entre magistrados de carreira, ninguém diz que ainda são mais partidários, ao partidarizarem a própria magistratura, ou, pelo menos, a optarem pelos partidos internos que fragmentam a magistratura. A hipocrisia da quota apenas deixa o periscópio de fora.

 

Essa de haver juízes eleitos pelo povo está de acordo com as próprias raízes da democracia, a grega. O problema está nas canalizações enferrujadas dos que os dizem candidatar. Para resolver a questão, poderia haver um verdadeiro concurso público, aberto a quem estivesse disposto a levar o respectivo currículo a escrutínio, mas desde que os avaliadores não tivessem descido da cunha e da golpada.

 

Outra das hipocrisias do sistema está no processo oculto dos avaliadores que não são avaliados. Veja-se, por exemplo, o concurso público internacional na escolha dos reitores e directores das universidades públicas, e outros. Poucos reparam que, previamente, o colégio eleitoral, o dos famosos conselhos gerais, já foi objecto de restrições, desviacionistas das presentes oligarquia e aristocracia. Neste momento, é dos sítios de Portugal onde há maior concentração dos notáveis da banca e dos empresários de regime, com intelectuais oficiosos e ex-partidocratas enfeitando.

 

Este ciclo de regime é bem representado pelo estilo e pela linguagem gestual do seu máximo magistrado, bem como pelas cacafonias discursivas dos partidocratas do centrão e da respectiva teatrocracia. Todos eles são crepúsculo, mas sabendo que a decadência pode levar anos e anos, dado que se refinou o modelo de servidão voluntária. Como a honra continua a não querer consumar o matrimónio com a inteligência, toda a mudança, imprevisível, virá de fora para dentro e pode ocorrer a qualquer momento. No dia seguinte, haverá inúmeros treinadores de bancada, adeptos de La Palisse, que dirão: eu bem tinha avisado, até pus no "site"!

 

Infelizmente, no Portugal Contemporâneo, isto é, pós-vintista, os períodos de liberdade e democracia imperfeita que tivemos, foram sempre produzidos por ditaduras revolucionárias de governos provisórios. Foi assim com a regência, do rei soldado, com o governo dos republicanos, 1910-1911, e com os provisórios de Abril, 1974-1976, quando as comunidades foram agitadas por minorias de serviço, obtendo o consenso comunitário "a posteriori". Surgiram, então, novos regimes que passaram a ser contratos sociais estabelecidos entre os aparelhos de poder e um determinado sistema de valores, o implantado num determinado dia fundador. Infelizmente, já não somos o que fomos, nem podemos voltar a ser o que éramos, como diria Garrett. A não ser que o deus queira, o homem sonhe e a obra nasça.


tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
por Sérgio Azevedo

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, deu hoje Portugal como exemplo de um país que tem “agarrado o touro pelos cornos”, referindo-se ao combate à crise e à implementação de reformas estruturais. É caso para dizer, Olé!


tiro de Sérgio Azevedo
tiro único | comentar | gosto pois!

Terça-feira, 17 de Abril de 2012
por José Adelino Maltez

 

Li, hoje, dois editoriais da imprensa económica. Sobre coisas menos más. Num, fala-se no aumento dos depósitos na banca. Noutro, num acordo de concertação informal que o mundo dos trabalhadores e dos empresários está a executar. Por outras palavras, tem sido o esforço do homem comum. Para completar a mobilização, basta o velho recurso aos emigrantes. Quando é que o Portugal à solta recupera e faz com que o país seja administrado pelo país? Através de um novo contrato social que ponha o país político a ser governado com pilotagem de futuro. Através de quem acredita e faz.

Porque antes da roda livre, era ditadura. Logo, vale mais fazer com que a roda gire em torno do eixo. E que ponha a cruz a rodar em círculo. Não a quadratura do dito. Mas a circulatura do quadrado. É mesmo alquimia. Dantes, chamavam-lhe rosa dos ventos.

Há, tradicionalmente, dois partidos em Portugal. Um é o castelhanista, de D. Quixote, contra os moinhos de vento e pela utopia, no sem tempo, pensando ter lugar. Outro é o armilar de Sancho Pancha, em cima do burrico, dizendo que há paraíso na terra, porque Deus quer, o homem sonha e a obra nasce. Portugal é do segundo, o da aventura e do pragmatismo. Com lugar no tempo. Aprendi com Jaime Cortesão esta metáfora. Acrescentei-lhe Sérgio Buarque de Hollanda. E umas pitadinhas da Mensagem.

E se eu misturar Sancho Pança com o Zé Povinho dá Lula da Silva. É pena não o termos nacionalizado. Como a Kirchner fez agora com a EDP. A que não foi comprada pelos chineses. E sempre há as Malvinas. Em casa onde não há pão, há o 1º de Dezembro, o 22 de Agosto, o 5 de Outubro, o 25 de Abril e o milagre da multiplicação dos pães. Os que movem montanhas. De entulho.

Basta dar um quadrado aos ventres ao sol e beijar o chão antes de cada batalha. Vem no Fernão Lopes. Esqueci-me de dizer que Aljubarrota já era uma questão europeia. Como episódio da Guerra dos Cem Anos. Nessa altura, pátria e Europa rimavam. E hão-de voltar a rimar. Se houver rumo.

Agora e ontem, junta-se plano da pólvora sem fumo, molha-se em decretino seminarista, com cavalariça a apoiá-lo, e põe-se um qualquer vendedor da banha da cobra a emitir em "excel". Dá barraca de feira, mas com distribuição de farturas no evento inaugurativo rende, em votos. Pios. E consequentes nomeações como administrador por parte do Estado. Estrangeiro, evidentemente. Até o mar territorial se vende em lotes.

Quando o Portugal Velho rodopia em viradeiras, há sempre quem entre em desespero e chame bela ordem exógena ao ocupante, em nome da eficácia tecnocrática da con-Gestão. O falso D. Sebastião da tecnocracia, agora em nome do memorando, tem sempre uma fila enorme de colaboracionistas à espera. Uma receita velha, estafada, mas que vai ter muitas palmas dos habituais gambozinos e emplastros. Eu vos garanto que estou a falar da realidade. Confirmarei a coisa depois do "day after".

Não sou profeta, mas apenas bem informado.Convinha informar os incautos que o mais saint-simonista dos líderes lusitanos, o do macadame e do "tramway", foi quem transformou a liberdade em bancarrota. Chamava-se Fontes...Falo de factos e sem metáfora. Factos da inginhoca...

E não há nenhuma criancinha que berre, em pleno largo da praça, diante da procissão, que o rei vai nú, apesar de montado, no elefante, sem memória, só porque o resguardam sob o pálio dos diáfanos mantos dessa fantasia de não haver alternativa? Qualquer tipo sem palas repara nas vergonhas naturais deste estadão...Convinha acordarmos do pesadelo antes de ficarmos ocupados de vez pelo narcopensamento dos psicopatas sentenciadores que nos vão drogando.

tags:

tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | ver comentários (5) | gosto pois!

Sábado, 7 de Abril de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Foram seis dias fora de Portugal, de telemóvel desligado e sem internet. Ainda não sei se foi uma bênção ou uma asneira.

Ao fim de quase três mil quilómetros fui obrigado a buzinar. Dentro do carro todos notaram a diferença. Essa e a da portagem classe 2. Só aqui pago quase o dobro de portagem e o meu veículo até é comercial. Mais pequeno que um Porsche Cayenne que paga classe 1. Espantoso...

Uma coisa é certa, depois de passar por quatro países diferentes ficou uma sensação tão clara como assustadora: a crise é bem grave. Poucos turistas, muitos espaços comerciais definitivamente encerrados, imensos escritórios literalmente abandonadas e placas de “vende-se” por todo o lado. A Europa, pelo menos uma parte dela, está de rastos. E não estive nem na Grécia nem na Irlanda.

 

Boa Páscoa.


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

Terça-feira, 20 de Março de 2012
por José Adelino Maltez

 

Nem todos os agrupamentos humanos são políticos. Isto é, nem todos assentem na relação horizontal de homens livres e iguais, num espaço público. Não o foram os impérios nem as monarquias universais, muito menos as relações de colonização ou de invasão, os que assentem em comunidades internacionais étnicas ou os que derivam de meros tratados comerciais ou de segurança. Estou a citar Aristóteles.

 

Nunca o poderia ser um mero governo mundial, mesmo o que assente fragmentariamente na geofinança ou na geo-economia. Repito Hayek ou Hannah Arendt, na senda do cosmopolitismo de Kant. Não o será uma Europa assente na confederação de dois restos de império, o apátrida dos economeiros e financistas que gritam que não há alternativa; ou o dos securitários que aqui traduzem em calões estratégias de outras potências.

 

Não repararam certos pulhíticos que, até em Portugal, desde a teorização do Infante D. Pedro, a república não passa de um concelho em ponto grande? Algo que se situa entre a aldeia e a república universal, sempre à procura da república maior...Não há nenhum repúblico que não subscreva a tese clássica que nos diz que a política é sinónimo de democracia, até contra os usurpadores.

 

Estou farto dos terraplanadores, dos vendepátrias e dos niilistas. Houve regentes da república que foram mais fiéis ao reino do que pretensos reis que apenas serviram seus validos e as forças vivas que nos traíram.

 

Os municípios, as freguesias e as regiões foram das mais autênticas restaurações que se produziram com a libertação de Abril. As freguesias e os concelhos precedem o Estado, em Portugal. Não quero que a Patuleia o recorde. Até no Brasil, ao contrário dos USA, os municípios fazem parte da "federação"...

 

O reino não é para os ministros, porque até os reis o foram para a república (regnum non est propter rex, sed rex propter regnum).

Há muita gente que não entende que o "regnum" apenas emergiu nos séculos XII e XIII quando as autonomias dos povos se libertaram das teias do patrimonialismo feudal, do império e do papado. Só então se voltou a conjugar a "polis", a "respublica" e os foros e costumes dos homens livres, tanto nas nossas comunas sem carta, como eram as freguesias, como nos concelhos, burgueses e rurais, escapados aos senhorios. Foi desta gesta que nasceu Portugal. Não o matem com o ministerialismo e as suas "revoluções vindas de cima", decretinas e cretinas.

 

Infelizmente, à esquerda, domina o jacobinismo pombalista que esqueceu o federalismo republicano e o socialismo centralista que nunca estudou Proudhon, porque veio do estalinismo reciclado. Infelizmente, à direita, ficou tudo salazarentado e nem sequer chegam ao princípio da subsidiariedade. Encantam-se com os teóricos de gabinete dos vários ministérios do interior e nem sabem quem é o autor da frase "comunas sem carta". Preferem os sucessivos marchuetas que os empalmam em visitas à província e grandiosos discursos de palanque.

 

O Rodrigo da Fonseca, o raposa da partidocracia, chega sempre no "day after", liquida a reforma do Mouzinho da Silveira e junta situacionistas e pretensos oposicionistas, como "alegres convivas", à "volta da mesa do orçamento". A maior parte deles satisfaz-se com restos. A caricatura continua. Espero que não se repita como tragédia. Ou tragicomédia.

 

Claro em pensar, e claro no sentir,
é claro no querer;
indifferente ao que há em conseguir
que seja só obter;
duplice dono, sem me dividir,
de dever e de ser-

não me podia a Sorte dar guarida
por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
calmo sob mudos céus,
fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo o mais é com Deus!

 

Na imagem, armas do chefe do meu partido. O que foi vencido em Alfarrobeira. Mas venceu depois. O autor do primeiro tratado de política em português. Dito "O Livro da Virtuosa Benfeitoria".

tags:

tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | gosto pois!

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
por Mr. Brown

1. O economista Vitor Bento disse hoje que o Governo pode vir a arrepender-se do aumento salarial de 2,9 por cento proposto para os funcionários públicos em 2009, afirmando que pode vir a criar muito desemprego.

2. Num almoço promovido pela Associação Comercial de Lisboa, a líder do PSD considerou que a declaração do primeiro-ministro, numa entrevista à TSF e ao DN, confirmando a subida do salário mínimo para 450 euros este ano «roça o nível da irresponsabilidade»..

3. Não tenho a certeza, mas acho que Paul Krugman teria estado ao lado destes dois, foi pena não termos tido nenhum especialista krugmaniano por estas bandas durante esse período. Só tivemos e continuamos a ter intérpretes krugmanianos de má qualidade.


tiro de Mr. Brown
tiro único | comentar | ver comentários (4) | gosto pois!

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
por Mr. Brown

Finlândia sente-se discriminada em relação a Portugal. «Quem é prevaricador é compensado e quem não é, é ignorado», diz o chefe de Governo finlandês. A Finlândia, que vai «cuidando das finanças como deve ser», não recebe nada, já para Portugal acaba de ser desbloqueada nova tranche de 14,6 mil milhões de euros. «Isto não pode ser assim», acrescentou.


tiro de Mr. Brown
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

"O problema de Portugal não é de défice demográfico, mas de défice estratégico. Quando uma nação não tem um projecto de futuro, quando os salários não permitem uma vida familiar digna, quando reina a incerteza no emprego e na habitação, os potenciais pais e mães retraem-se. Ninguém, no seu perfeito juízo, quer lançar uma criança num mundo hostil. Portugal não precisa de aviltantes medidas de incentivo à natalidade. Elas ressoam à pecuária humana das 'mães parideiras' de Hitler e Estaline."

Viriato Soromenho Marques, com a típica pesporrência de uma certa esquerda à la Maio de 68, pega num problema real e vira-o de cabeça para baixo. Começa por taxar de ignorantes e atrevidos "alguns demagogos políticos e religiosos". E defende a sua dama, apresentando-a como filha do conhecimento científico e da política realista e equilibrada.

Ou seja: VSM não defende opiniões ideológicas nem políticas discutíveis, porque lá no gabinete onde passa os dias fazem-se estudos sociais sérios num laboratório cheio de computadores e de pipetas. Chegados a conclusões absolutamente seguras, é só divulgá-las nos meios de comunicação social e em conferências e o universo da política, rendido, passa a subscrever o programa de VSM e de todos os outros iluminados do aquecimento global, dos planos estratégicos, dos projectos de futuro, do emprego certo e da habitação garantida.

Peço licença para não dar para este peditório e antes comprar teses de "demagogos" que me saem de graça. Porque boa parte do que VSM defende levou a que os nascituros tenham um gigantesco calote. E isso, mesmo sem papers, agências governamentais e teses sortidas, é que é o pano de fundo em que "os potenciais pais e mães se retraem". Porque, sem isso resolvido, nada o será.

Mas isto não espero que o cientista social entenda - é demasiado simples.


tiro de José Meireles Graça
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

por jfd

O Portugal da comunicação social está estúpido. Parvo. Atónito. Espantado.

Continua sem saber como reagir a um Primeiro-Ministro que é responsável, consequente, tranquilo, eloquente, empenhado e preocupado. Quando fala de improviso, diz o que pensa e pensa no que diz, falando para o país e para o mundo. Fala para os políticos e para o povo. Quando é necessário e quando convém.

O Portugal da comunicação social quase se assemelha a uma conversa de café de quaisquer pundits de terceira linha ou qualquer timeline reaccionária desejosa de fogo posto, vidros partidos e desordem geral nas nossas ruas.

Faz confusão a ordem reinante. Faz confusão o aceitar de sacrifícios. Faz confusão que se diga que ainda vamos piorar mais antes de melhorar de facto. Faz confusão que, como já disse, não se tenha alterado o fado deste país em menos de um ano de Governo. Fado esse que já tem centenas de anos. Governo este que nem oito meses tem.

O Portugal da comunicação social quer é casos. Comporta-se como líderes sindicalistas de linha dura mas com a k7 convertida em digital.

É o apupo, a manipulação, a manifestação, a segurança reforçada, a retenção retroactiva, o desafio, a clivagem, o desespero, a desgraça, o abuso. É sempre o ponto, nunca o contraponto. É sempre o mau, nunca o bom. É sempre o esforço, nunca a recompensa.

É sempre animar, entreter, cativar, vender e explorar. 

Felizmente a caravana, e a bem de todos nós, vai passando.


tiro de jfd
tiro único | comentar | ver comentários (3) | gosto pois!

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
por José Adelino Maltez

O conluio de patos bravos, banca e partidocracia, explorando o desejo de cada português ser proprietário de uma casinha, não só nos endividou, como agravou a hipótese de um mercado mínimo de arrendamentos prediais. O congelamento dura há mais de cem anos, uma herança da I República que o salazarismo manteve e o abrilismo, do PREC e da pós-revolução, reforçou. Logo, não há hipótese de qualquer regresso a um mercado que nunca houve, sem a instauração de condições que o permitam. Entre os remediados, vítimas da gleba hipotecária e os pobres, ameaçados pela fome, há todos os sinais de potenciais revoltas do desespero que pode tornar-se no calcanhar do presente Aquiles.

 

O socialismo de consumo não foi socialista. O liberalismo a retalho, e a toque de troika, não é liberal.

 

Basta dar uma volta pelo talho e pela mercearia aqui da rua de Lisboa central. Uma jovem pede um pedaço de frango que possa ser vendido por um euro para dar ao filho. Uma velhota vai ao nepalês e mostra meio euro e pede bananas que caibam na moeda. São ambas arrendatárias de rendas antigas. O desequilíbrio pode ser fatal.

 

Não me parece que tenham feitos suficientes estudos para a determinação quantitativa da necessidade. O que seria possível. Brincámos aos jogos dos habituais grupos de pressão. Da direcção dos proprietários, com magníficas prestações de Menezes Leitão, e da direcção dos inquilinos, com a habitual linguagem CDU. Cumpriram o respectivo dever. Mas não consta que as autarquias mais interessadas tenham feito a urgente pesquisa micro. Foi tudo tratado como um número. Deve ser porque querem reforçar o comando sindicalista. Porque foi nas manifestações contra os gaioleiros que o velho anarco-sindicalismo se fundacionou. Não será assim, pela "tabula rasa" que se repõe justiça e se dinamiza o necessário mercado.

 

A emergência social não passa apenas pelas estatísticas, passa principalmente pelo levantamento de problemas reais. Aldeia a aldeia. Rua a rua. Condomínio a condomínio. Onde possamos encontrar pessoas. Para darmos voz aos que não têm voz. Nem partido. Nem sindicato. Nem igreja. A multidão solitária que é a esmagadora maioria social.

tags:

tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | ver comentários (1) | gosto pois!

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
por José Adelino Maltez

 

As regras do jogo do ensino, incluindo do superior, estão totalmente viciadas pelos frustrados da educacionologia, da avaliologia e do planeamentismo. Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese de uma vérmica “newspeak” que o colectivo de educacionólogos, ditos de Veiga Simão, lançou no concentracionismo da Cinco de outubro, semeando o capitaleirismo da “révolution d’en haut” pela paisagem da província. Por isso, ficámos entalados entre o Professor Pardal, do positivismo do século XIX, e o Professor Manitu, da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão!

 

O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, até acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continuou a secar o essencial das raízes do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados...

 

Ora, o principal aliado do positivismo é sempre o egoísmo dos que perdem a humildade do mistério, julgando que atingiram o promontório dos séculos, na ideologia, na ciência ou no bem--estar...

 

Acabou de sair, pela editorial Estampa, com coordenação de João Carlos Alvim, o "Reinventar Portugal", "uma viagem aprazível pelos caminhos da reinvenção de Portugal. Várias personalidades foram convidadas a reflectir sobre Portugal como um mundo essencialmente dúplice, preso por um lado nas malhas de uma pretensa e férrea necessidade, votado por a reinventar-se a caminho do seu futuro". Sou um dos colaboradores, com "Educação, entre fantasmas de direita e preconceitos de esquerda" e nos três primeiros parágrafos deixo pedaços do texto.


tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | gosto pois!

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
por Eurico de Barros

O «piegas» do primeiro-ministro bateu calmamente o «porra!» daquele lapuz deputado do PCP numa comissão da Assembleia da República, como milho para os pardais dos media e das redes sociais desta semana. Já estou a tremer por antecipação pelo 'soundbyte' patetinha da semana que vem.

tags:

tiro de Eurico de Barros
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
por José Adelino Maltez

A questão dita dos feriados é tão absurda quanto isto: em cada uma das cinquenta e tal semanas do ano, além de um feriado não religioso, o sábado, há um feriado religioso, o domingo. Pior do que isso, cada um dos dias da semana na nossa língua tem o nome de "feriado", isto é, feira, derivado do latim "feria", isto é, festa religiosa. Por outras palavras, se incluirmos o sábado judeu, todos os dias do ano em Portugal são de feriado. Somos, de facto, uma feira. Amen!

 

Os laicistas quando estiveram no poder nem sequer tiveram a coragem de fazer retornar o nome dos dias da semana às designações pagãs, anteriores à determinação papal de Silvestre, julgo que no ano 200.

 

Hoje, no poder, não estão laicistas nem antilaicistas, estão quem somos, os medricas.

 

Logo, apenas apelo a uma adequada revolta dos senhores deputados, em nome da comunidade das coisas que se amam. É uma matéria de não-disciplina partidária e de fidelidade a valores maiores, em nome de uma lealdade básica. Há algemas que libertam.

 

Consta que a bandeira nacional e o hino nacional serão objecto da próxima reunião do Conselho de Alvarização Nacional. A bandeira pode ser uma marca. E o hino até convém que seja em inglês pimba.

 

Hoje sinto uma íntima derrota dentro de mim. Mas nunca esquecerei e nunca pactuarei com quem subscrever este acto de frontal violação de símbolos nacionais. Há uma fronteira de sagrado que se marca a fogo na memória.

 

Subscrevo inteiramente o grito de revolta de Manuel Alegre: "É um acto contra a História e contra a cultura. É um acto anti-história e anti-cultura". Nem cito o ministro que veio a microfone dizer que, depois, se reforçará o 10 de Junho. Também sou radicalmente intransigente nessas matérias de mínimos de identidade patriótica. Lamento os ditos monárquicos que vieram fazer campanha contra o 5 de Outubro e os ditos republicanos que subscreveram o preconceito de o 1º de Dezembro ser dos monárquicos. Acabaram ambos alvarizados.


tiro de José Adelino Maltez
tiro único | comentar | ver comentários (4) | gosto pois!

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito do post anterior de Luís Naves...

Eu não sinto estranheza nenhuma: a violência das reacções às palavras de Cavaco Silva é explicada pelo factor do costume: o mesmo velho racismo social que escolheu há já décadas Cavaco  Silva como inimigo público número um.

No Portugal socialista que andamos a sofrer desde 1974, as simpatias são dirigidas exclusivamente aos aristocratas: soares, socialistas, militares e outros. Ao mesmo tempo, quem sobe a pulso vindo de família pobre é sempre desdenhado e detestado.

Uma grande parte da sociedade portuguesa tem uma inveja odienta ou um ódio invejoso a todos os que se fazem a si mesmos. Portugal odeia o mérito. E usa da mais rasteira falsidade para dar largas a esse ódio: ainda no outro dia ouvi um comediante popular acusar Cavaco Silva de ter sido toda a vida um privilegiado.


Por outro lado, as pessoas dão mais valor à forma do que à substância. Políticos fotogénicos, com verbo fácil e estilo mãe-galinha são preferidos a gente séria que diz o que pensa e diz a verdade sem eufemismos nem embelezamentos. Guterres, Sampaio, Sócrates foram preferidos a Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite.

 

Os portugueses preferem também a literatice à economia. As cabeças portuguesas não aguentam muito cálculo e as frases verdadeiras, directas e justas magoam muito os nossos sentimentos. Cavaco Silva é culpado de ser economista e isso é o mesmo que não ter literatura. Viveu em África e Inglaterra mas será sempre injustamente denunciado de "não ter mundo". Mas qualquer analfabeto de contas e finanças é louvado desde que seja republicano, socialista e laico.

 

A balança pende pois sempre mais para um soares do que um cavaco e isso explica muito da actual desgraça e frustração portuguesas. O resultado é esta triste vida poética em que se fala de Quinto Império, maçonarias, lusofonia mas só se encontra mediocridade, corrupção e subserviência canina a tudo o que não é nacional (o aborto ortográfico é só um exemplo entre um número infinito deles).

Gostaria que alguma dessas fábricas de teses de mestrado politicamente correctas, que afirmam que Portugal é muito mais racista, homofóbico e machista do que os outros países e do que os portugueses pensam, se debruçasse sobre este assunto: o racismo social e o ódio ao mérito neste país.


tiro de Ricardo Vicente
tiro único | comentar | ver comentários (7) | gosto pois!

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Alexandre Guerra

Um relatório elaborado por um grupo de especialistas alemães nomeados pelo Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão), e apresentado esta Segunda-feira, concluiu que na Alemanha se assiste à propagação de um forte sentimento anti-semita, uma realidade que atinge níveis ainda mais elevados em países como a Polónia, a Hungria e, surpreendentemente, Portugal.

 

O grupo de especialistas, criado em 2009, debruçou-se com particular incidência na Alemanha, onde verificou que as novas tecnologias de comunicação têm ajudado a disseminar mensagens e ideias anti-semitas e xenófobas.

 

E o mais preocupante, segundo o relatório, é que estas mesmas mensagens e ideias começam a ser aceites pelo público “mainstream”, extravasando as comunidades de extrema direita.

 

O relatório em alemão pode ser lido aqui.


tiro de Alexandre Guerra
tiro único | comentar | ver comentários (2) | gosto pois!


Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds