Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

 

Os meus rapazes hoje estão-se a portar tão mal que temo

cometer uma loucura destas. 

Do meu lado, já estou em brasa.

 


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Terça-feira, 24 de Julho de 2012
por Francisca Prieto



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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

 

Confesso que nunca compraria um livro composto por cartas que uma mãe de um daqueles jovens que mataram uma data de gente num liceu dos Estados Unidos escreve ao marido, de quem entretanto se separou.

A história é ficção, mas costumo achar que para desgraças já nos bastam as da vida, que é escusado andar a ler dramas que alguém se lembrou de inventar. No entanto, o livro foi-me tão recomendado que lá me lancei à empreitada. Virei a última página há um par de dias e confesso que ainda ando abalroada pela história.

 

Apesar de a autora não fazer cerimónia em usar uma data de metáforas nem sempre brilhantes (coisa que, desde que andei a fazer cursos de escrita criativa, detecto com visão de lince – ora aqui está uma metáfora banalíssima), a história é magistralmente urdida. Tecnicamente o livro é genial e aborda uma dimensão na qual nunca pensamos quando somos confrontados com este tipo de massacres, que é a repercussão que vêm a ter na vida da família dos assassinos.

 

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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

(Genève, Julho de 2012)

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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012
por Francisca Prieto
 

Um dos meus divertimentos durante grandes eventos desportivos é, quando dou com a rapaziada cá de casa vidrada defronte da televisão, passar casualmente pelo ecrã e fazer um comentário absurdo, como se não percebesse nada da modalidade.

 

Num dos primeiros jogos do Euro 2012, por alturas de uma substituição, saiu-me a observação mais idiota da história do futebol moderno: “olha, vai entrar o Hublot”. Ouviram-se vários “oh, mãe”, acompanhados de esgares de impaciência e encolheres de ombros que traduziam toda a inevitabilidade de terem de se resignar a conviver com esta progenitora exasperante.

 

O que é certo é que, ao longo das várias fases dos jogos, dei com a própria rapaziada a adoptar a história do Hublot como anedota colectiva. Se era o Nani que ia sair e alguém perguntava “quem vai entrar?”, era certinho ouvir em uníssono “o Hublot, claro”. Quando era precisa uma segunda substituição, já se sabia que havia outro irmão Hublot em pleno aquecimento.

Mas a glória chegou no dia em que, tendo determinado treinador recorrido a uma terceira substituição, oiço um dos meus filhos gritar: “Trigémios Hublot em campo, malta”.

 

Eu às vezes sou genial, caramba.

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Segunda-feira, 9 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

“Onde é que compraste essas febras com tão bom aspecto?”. “Epá, foi ali no talho do mercado municipal. Estás a ver? O que fica na esquina”. “Ah, já sei, o Butcher”.


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Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

 

A par com 99,9% dos portugueses, fiquei boquiaberta com a lata do nosso antigo Primeiro Ministro quando se descobriu que o senhor afinal era um engenheiro da mula russa.

O que me escandalizou não foi o facto de o alto governante não ser licenciado. Afinal, Lula da Silva foi presidente de uma das maiores nações do mundo e, segunda consta, foi pouco além da quarta classe. O que me pareceu inconcebível foi a impostorice da situação.

 

Agora aparece o Relvas, que parece que se conseguiu tornar doutor à velocidade de um meteorito, o que é de um ridículo atroz. Mais uma vez, pela aldrabice da situação, mas também porque, nos dias que correm, uma licenciatura vale pouco. E, se vale pouco, não terá lá assim grande relevância saber se um político tem lá por casa o canudo.

Cá do meu lado, prefiro olhar para um político não graduado do que para um aldrabão pindérico.

 

A mim, que sou licenciada, para me inscrever num curso do Insead ou da Universidade Nova, mesmo quando é preciso pagar uns cobres valentes, obrigam-me a mandar muitos papéis a explicar que sou uma candidata interessantíssima.

 

Se calhar, ao Relvas, não é a licenciatura que lhe faz falta. É o interesse.

 


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Terça-feira, 3 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

"Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas"

António Lobo Antunes

 


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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

O problema de se ser Directora Geral da Família é que não há ilusões quanto ao subsídio de férias. Bem, na realidade, também não há férias. E os chefes são prepotentes, gritam muito e nem sempre lavam os dentes.


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Quinta-feira, 28 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

Aproveito a série ipsis verbis, lançada pelo Pedro Correia, para citar uma frase que me ocorre com alguma fequência.

 

"Não posso morrer já, doutor. Ainda não. Tenho coisas para fazer. Depois terei a vida toda para morrer"
Carlos Ruíz Zafón em "O Jogo do Anjo"

 


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por Francisca Prieto

  

Fonte desconhecida, à qual me reverencio. 

Bom demais para não ser republicado.


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Segunda-feira, 25 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

"O problema dos cronistas é que, regra geral, só são lidos na casa de banho"

Francisca Prieto


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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

Fui levar um caganito a uma camioneta para ir jogar futebol a Passos Brandão e não consegui evitar verter uma lágrima e abanar os braços até o veículo virar a esquina. Nunca esperei isto de mim, sinceramente.


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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

Chateia-me esta dificuldade de fazer inversão de marcha a meio de um jogo de futebol. Chego a meio da segunda parte e percebo que estou a torcer pela equipa errada. Raios.


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por Francisca Prieto

 

Hoje, uma amiga arrastou-me para ir ver a peça da Marta Gautier “Vamos Lá Então Perceber as Mulheres”. Hesitantemente, acedi.

Confesso que há temas que, para me caírem em graça, têm de ser muito bem trabalhados.

 

Achei que ia presenciar uma sucessão de estereótipos, tantas vezes batidos, sobre as relações homens-mulheres. E foi precisamente a isso que assisti.

Só que dei por mim a lançar gargalhadas involuntárias pela cadeira abaixo.

Ela é inteligente, tem graça e o texto está salpicado de pormenores pícaros.

Os senhores que estavam na sala também se riram, pelo que deve agradar a gregos e troianos.
Recomenda-se.

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Segunda-feira, 18 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

 

 

Um dia destes, quando entrei no supermercado para comprar iguarias tão prosaicas como batatas e cebolas, dei de caras com este livro.

Ora, na altura em que eu tinha uma carreira nas andanças dos marketings e das publicidades, uma das tarefas pela qual era remunerada era a de tentar descobrir um argumento irrefutável que fosse capaz de vender uma catrefada de unidades de um produto.

De maneira que, perante o título “Marketing da Mulher - como conquistar o que precisa para ser feliz”, não resisti a abrir o livro ao acaso para ver se dava de caras com um qualquer conselho que me atirasse para a categoria de mercadorias que se esgotam nas prateleiras.

 

O único parágrafo que li (e não foi preciso avançar mais porque me deu logo material para gargalhar toda uma tarde) dizia qualquer coisa do tipo “quando sair pela primeira vez com um homem que lhe interesse, esqueça o seu passado. Você não tem mãe, nem pai, nem primos, nem vizinhos. Seja só você mesma no presente”.

 

Isto deixou-me na dúvida se, no meu caso específico, no hipotético cenário de um dia ter de voltar a sair para ir jantar com “homens que me interessem”, é melhor seguir o conselho à risca (omitir com todo o fervor que tenho quatro filhos e que uma tem Síndrome de Down – nem digo que é mongolóide, que é para não piorar a situação), ou atirar logo com toda a informação de chofre, que é para não me ver em futuros apuros.

Supondo que é o Colin Firth quem me convida para jantar, não tenho qualquer dúvida de que o melhor é quedar-me que nem túmulo, não vá o senhor dar corda aos sapatos antes da chegada da Vichyssoise. Com um Colin Firth não se arrisca, mente-se com quantos dentes se tem na boca.

 

Já em qualquer outro caso, se coloca o incómodo de podermos vir a ter um segundo, terceiro ou quarto encontro. E aí começo a ficar na situação da mãe da minha amiga Maria, que usava dentadura postiça quando se casou e que o marido só descobriu uma data de tempo depois. “Nunca me perguntaste” foi o argumento que ela utilizou, acrescentando que nunca há um momento certo para se comunicar a um futuro marido que se usa dentadura.

 

Bem vistas as coisas, talvez o melhor seja ir por aí. Esperar que a outra parte pergunte “porventura tens quatro filhos e uma é mongolóide?” para eventualmente abrir o jogo e esclarecer a questão. Até lá, vou ser só eu no presente, que isso sim, é Marketing.


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por Francisca Prieto

Coisas que me ocorrem enquanto vejo a bola: acredito piamente que se alguém me pagasse o salário do Buffon (ou, vá lá, o do Rui Patrício), havia de conseguir manter uma baliza intocável durante 90 minutos. Macacos me mordam.

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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

saltitavam de mão dada

melosos

que nem cubos de marmelada

beijinho aqui,

beijinho ali

miminho

saltinho

abracinho

segredinho

coceguinhas

repenicadas

 

e ele:

 

és uma boneca

das que se compram em Badajoz

 

e ela envergonhada:

 

não me fales em Badajoz

que me fazes lembrar caramelos

 

minha gema de rubi em ovo estrelado

meu molotoff almofadado

com fios de ovos enrodiscados

em cafuné de açucar pilé

 

que bonito....

aletria da minha alegria

meu arroz adocicado

tigeladazinha coalhada

 

agora fiquei enjoada

 

senta-te ao meu colo

pronto, pronto, já passou

toma lá uns sais de frutos

 

e mais

beijinho aqui,

beijinho ali

miminho

saltinho

abracinho

segredinho

e

coceguinhas

repenicadas

 

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Quinta-feira, 7 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

 

 

Aqui há uns tempos, uma amiga das lides profissionais que se dedicou a matérias alternativas, foi tirar um curso de numerologia. Já se dedicava a leitura de auras, meditações e afins e resolveu complementar a sua formação de “maga” com o mistério dos números. Depois precisou de uma cobaia para ensaiar as primeiras leituras e, como o resto do grupo desse tempo tem uma paradoxal relação de atracção/pânico por estas coisas, mandou-me à frente para desbastar caminho.

 

Ora cá do meu lado, sou uma rapariga terra-a-terra, de maneira que, achando absurdo que o destino se possa encerrar nos números, nas auras, nos astros, ou no que quer que seja, fui destemidamente enfrentar as profecias matemáticas.

 

Levei logo, para início de conversa, com a certeza de que vivia esta jornada com uma dívida karmica, o que me deixou ligeiramente crente na ciência numerológica. Estupefacta, a minha amiga confessava-me que eu era a última pessoa em quem esperava encontrar tal défice cosmológico, já que me conhece com uma aura de trevo de quatro folhas.

A dívida, sei eu muito bem como foi aniquilada, mas não é assunto sobre o qual vá dissertar agora.

O que interessa desta lengalenga é que passei a olhar para a vida como sendo merecedora de tudo e de mais um par de botas a que possa ter direito. Assim que me aparece uma qualquer oportunidade pela frente, lembro-me da tal da dívida karmica e apresso-me a aproveitar enquanto é tempo, não vá o cosmos lembrar-se subitamente de encarnar o cobrador do fraque.

 

Foi então assim que, na semana passada, à primeira deixa, me atirei para dentro de um avião, rumo a São Paulo, onde vive uma grande amiga que disponibiliza estadias grátis em troca de boa converseta. A par comigo, seguiu um terceiro elemento que completou o trio das amigas do coração, encerradoras de segredos milenares, jamais divulgáveis para lá dos limites da confraria.

 

Marido e filhos na vida quotidiana de cá e eu, por lá, a gozar à tripa forra o privilégio de me terem sido concedidos seis dias provenientes directamente do céu.

 

Quando regressei foi-me perguntado se tinha feito muita coisa, se tinha visitado muitos lugares, se tinha visto muita gente. Fui forçada a confessar que, não obstante ter ido um par de vezes ao teatro e a uma ou outra exposição, a jornada, na sua essência, tinha consistido numa longa “pijama party”, tal e qual como quando era adolescente e convidava amigas para dormir em minha casa.

 

Há pessoas com as quais temos uma dinâmica tão peculiar que é irrelevante o lugar do mundo onde nos encontramos. Seja em São Paulo, seja em Lisboa ou até em Calcutá, é certo e sabido que este trio rebenta em gargalhadas guturais pelos motivos menos previsíveis, que se entende sem ser preciso dizer grande coisa e que se respeita nas suas diferenças.

 

De maneira que o que fiz, na prática, foi optar claramente por gozar aquilo que São Paulo de melhor me tinha para oferecer naquela semana, querendo lá saber se alguma personalidade interessantíssima palestrava num auditório da metrópole.

Escusado será dizer que não tive qualquer prurido em sugar a folga até ao tutano, que depois das notícias numerológicas, não me resta qualquer dúvida de que, em qualquer relação com o karma, pelo sim, pelo não, o melhor é garantir créditos. 


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

(face a um desenho)

"Ai que linda que eu estou, Rita, até me fizeste uns caracolinhos". " Não são caracolinhos, mãe, são piolhos".

Obrigadinha, é o que me ocorre. Raismapartam.


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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Angela Merkel arrives at Passport Control at Charles de Gaulle airport.
"Nationality?" asks the immigration officer.
"German," she replies.
"Occupation?"
"No, just here for a few days."


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Terça-feira, 22 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Há determinadas palavras que, depois da geração dos nossos pais, só terão lugar na literatura. Vide ALGIBEIRA.

 

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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Rita Prieto: "Mãe, queres brincar aos castelos? Eu sou a rainha, tu és a majestade e a Xiquinha é o monstro".

Estou estupefacta com a sensibilidade inclusiva desta minha filha.


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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

 

Como escrevinhadora fico com os nervos de pantanas com as gralhas que se infiltram pelos textos que nem térmitas ou com as falhas de concordância que se transmutam a seu bel prazer a cada revisão, e dá-me ganas de fazer um curso de harakiri quando me apercebo de um deslize de ortografia daqueles de palmatória que dariam direito a usar orelhas de burro se ainda andasse na escola primária.

 

Como mãe, detectei, no entanto, um quarto inimigo da expressão escrita. Ora uma progenitora de vasta prole vê-se obrigada a dar asas à sua verve ou debaixo de fogo cerrado (posso comer um chocolate? posso, posso, posso, posso? Mãe, mãae, mãaae, mãaaaaae, mãaaaaaaaaaaaae. quero fazer cocó. tenho fome. preciso de um lápis) ou à noitinha, muito à noitinha, quando a cabeça já atingiu um estado de centrifugação a 1400.

A consequência, não sendo grave, pode tornar a retórica estapafúrdia. Ainda um dia destes recebi um par de emails de perfeitos desconhecidos a avisar-me de que tinha apresentado o meu filho Manel como “o progenitor”, o que não fazia lá muito sentido dado que o rapaz só tem dez anos e ainda não entrou na puberdade. É evidente que à meia-noite de um domingo, numa cabeça centrifugada, um primogénito é muito facilmente tomado como irmão gémeo de um progenitor e que, só na segunda feira, se tornará claro o incesto do parentesco.

 

Isto para vos rogar, caros leitores, que se um dia destes, no meio de uma frase bucólica em que “Pedro dava a mão a Leonor (está quieto, não mexas aí) enquanto cruzavam o olhar cúmplice (queres agrafar um dedo, é?) de quem sabe ter encontrado o verdadeiro amor (eu avisei, não avisei?)”, vierem a dar conta de elipses despropositadas, façam a caridade de avisar esta que por ora vos escreve, à meia noite de domingo.


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Domingo, 6 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Mediante a infindável lista de eventos desportivos a que vários membros da família queriam assistir durante este fim de semana, na tentativa de conseguir salvar algumas horas para actividades mais culturais, atrevi-me a sugerir que, no Sábado à noite, se disputasse uma partida Sporting-Potro.


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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

Ontem à noite, após ecos de pancadaria, Rodrigo Prieto entra-me pelo quarto que nem um tornado e grita: “o Manel que vá viver para Espanha, isso é que era um alívio”. Não percebi de imediato o que tinha motivado esta súbita vontade de exportar o irmão para o país vizinho. Porém, hoje de manhã dei-me conta de que o primogénito tinha andado a rejubilar com a vitória do Bilbao. Indignada pela falta de patriotismo, agarrei-o por um braço e lancei a estocada fatal: “a partir de hoje tu, para mim, serás o Manolo”.


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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

A grande vantagem do passar dos anos é que a palavra "urgente" se vai revestindo de toda uma progressiva lentidão.

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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

 

À nascença calhou-me na lotaria ser bafejada com uma grande, unida e bem disposta família. E, não obstante ao longo dos anos ter andado à chapada com as minhas estimadas irmãs sempre que se afigurou necessário, é verdade que não há semana em que não sejam trocados vários telefonemas de prolongada duração onde ficamos a saber montes de pormenores das vidas uns dos outros.

 

Não é linear que, em caso de avaliação, o grau de importância dos temas das conversas fosse considerado o mais relevante por alguém de outro apelido, já que pode acontecer, por exemplo, um de nós estar com uma gripe de caixão à cova mas esquecer-se de o mencionar porque ligou só para partilhar um trocadilho hilariante que acabou de passar num filme argentino.

 

Os meus filhos costumam ignorar este transe familiar e, ao fim de uns quantos minutos, falam comigo como se eu não tivesse um aparelho agarrado ao ouvido e não estivesse, efectivamente, em pleno diálogo com terceiros.

 

Ora na semana passada, tinha eu desligado uma destas chamada infinitas onde se falava de um par de livros e se recomendavam outros tantos filmes quando o Prietito mais velho comenta que, apesar de não saber com quem eu estava a falar, estava capaz de jurar que era com o tio Zé. Eu ri-me, confirmei as suas suspeitas e aproveitei para me lançar na evangelização de Caim e Abel. Que um dia gostaria muito de ver os meus quatro filhos a serem amigos, a ajudarem-se uns aos outros, enfim, a manterem contacto regular. E, na esperança de lhes dar uma imagem mais explícita, perguntei ao Rodrigo se ele não achava giro daqui a uns trinta anos fazer como eu e o tio Zé e pegar no telefone para ligar ao Manel.

 

O Manel, que é o primogénito e que, desde tenra idade, nunca percebeu onde é que nós estávamos com a cabeça quando resolvemos levar aquele anormalóide lá para casa, fez uma cara horrorizada e apressou-se a responder: “aviso já que se ele me ligar eu não atendo”.

 


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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

 

Quando era pequena a minha mãe andava sempre atarefada. E, como me calhava a mim o derradeiro lugar na fiada dos cinco filhos, sobravam escassos momentos de exclusividade materna. Só me recordo de conseguir aproximação especial em dois tipos de situações: ou através do processo de invasão (que partia de mim) ou através da abordagem cultural (que partia dela).

 

A primeira situação era facílima de operacionalizar porque bastava apanhar a minha mãe a dormir. Ora a senhora andava sempre estafada, pelo que encontrá-la abandonada aos braços de Morfeu era canja. Depois, era só deitar-me mesmo ao lado, de preferência debaixo da mantinha, e deixar-me ficar ali muito quieta.

 

Ser alvo de um convite é que era um acontecimento mais raro. Fora uma ida ao cinema para ver o Pinóquio em que, já que falamos nisso, a minha mãe adormeceu durante grande parte da sessão, mesmo nas partes mais trágicas, não me lembro de nenhuma outra deslocação que não tivesse por detrás um objectivo cultural.

O alvo preferido, dela e meu, era o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Para além dos Galgos de Amadeo, que era uma das minhas obras de eleição, havia no acervo uma divertidíssima escultura chamada O Beijo, onde uma balzaquiana platinada e de formas generosas a rebentar de um vestido vermelho se encontrava sentada num banco de jardim a ser beijada por um senhor enfezado de fato.  Era o momento alto da exposição. Eu e a minha mãe trocávamos  um par de gargalhadinhas cúmplices enquanto rejubilávamos mediante o par insólito.

 

Depois de completar a volta, almoçávamos no self-service que, para mim, era a mesma coisa que me dizerem que íamos dar uma voltinha às cozinhas do Buckingham Palace.

(enquanto fui escrevendo estas linhas, lembrei-me que numa destas incursões fomos ver uma história de Maria Alberta Menéres, contada pela própria, com projecção de ilustrações de Amadeo de Souza Cardoso, e adormecemos as duas no auditório).

 

Vieram-me estas recordações à memória a propósito de, no outro dia, ter resolvido levar a Prieta mais caganita a ver a exposição da Beatriz Milhazes ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian.

A sodôna Rita é a mais pequena na fiada dos quatro filhos (déjà vu? déjà vu?) e é verdade que, por variadíssimos motivos, aos quais o facto de ela não se calar por um segundo não será alheio, acabo por ter menos paciência e por lhe dar menos atenção. De maneira que, encarando um sábado de chuva e havendo na capital uma mostra de uma artista plástica brasileira de renome que faz colagens com papeis de chocolate, resolvi aliviar a consciência e fazer um programa de mãe e filha.

Não contava era com a estranheza de passar pela porta do edifício, de Rita pela mão, de me aproximar do balcão da bilheteira e de ser invadida por um súbito ataque de esquizofrenia que me fez ter vontade de desatar aos berros com a senhora do museu. Que ela havia de estar enganada, que era eu a pequenina, que eu não podia ser a senhora, como é que eu podia ser a senhora se vinha ali de mão dada com a minha mãe?

 

Raio de coisa. Onde é que se enfiaram os trinta e cinco anos, meu Deus?


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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

 

Mrs Moneypenney, imperdível colunista do lençol salmão Life & Arts do Financial Times, discorria esta semana sobre a intrincada problemática de saber “how many is too many”, aplicando a questão a temas tão prosaicos como peças de roupa, litros de combustível num avião ou dias de viagem num país distante.

 

Aqui do meu lado, deu-me para cogitar ao lado. Fui invadida pelo espírito da Duquesa de Windsor que proferiu as sábias palavras “a women can never be too thin or too rich”, um comentário incisivo, que não deixa margem para dúvidas, e que não se perde por considerações filosóficas.

No fundo, uma simples frase com carácter de aforismo que, depois de proferida, sabemos que só não saiu da boca de La Palisse porque o senhor, lá está, era homem.

 

Fiquei depois para aqui a pensar que, para além de uma mulher nunca poder ser demasiadamente rica e magra, também não pode atingir o estatuto para lá de gira, que isso é coisa que não existe. Há magras feias que nem a noite dos trovões, toda a gente sabe, agora giras a rebentar a escala é coisa de que nunca se ouviu falar.

Outra coisa que não rompe a barreira é o sentido de humor. Nunca ouvi ninguém dizer que não voltava a sair com fulana porque tinha sentido de humor a mais, que aquilo era uma galhofa que não se aguentava, que era só o que faltava voltar a rebolar a rir daquela maneira.

Vá que se possa achar uma seca beber três copos de vinho com uma tipa com uma carola de Einestein que só quer dissertar sobre as especificidades dos produtos derivados ou a problemática do médio oriente. Admito que não seja para todos.

Mas, meus amigos, uma coisa é certa: antes rica, podre de boa e cheia de sentido de humor do que pobre, um coirão e chata comó raio. Era o que diria La Palisse. Se fosse mulher, claro.

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